terça-feira, junho 9

Imbeciclopédia XI


A espécie mais perigosa de estupidez é uma inteligência aguçada.

Hugo Hofmannsthal


As coisas que lemos:

Diz-se que é de origem europeia e medieval o diálogo que se segue entre o senhor e o seu servo.

«Certo dia, dirigindo-se os dois, a pé, à feira da vila mais próxima e durante o caminho, ao avistar um monte de esterco, o senhor diz ao seu servo:
- Dou-te uma moeda se comeres aquela bosta.
O servo pensa, o máximo que a fama da sua pouca inteligência conseguia, e imagina tudo que poderia fazer com uma moeda. Sem muito se interrogar sobre o porquê daquela proposta, habituado a sacrifícios, aceita e engole, conforme pode, a bosta. O senhor dá-lhe a moeda e os dois continuam o seu caminho.
Contudo, o senhor reflecte e diz a si próprio que se limitou a perder uma moeda e não lhe pareceu que comer a bosta tenha feito mal ao seu servo. Ao avistar um segundo monte de esterco, o senhor pára e diz ao servo:
- Se eu comer aquela bosta, devolves-me a moeda?
- Está bem, combinado – diz o servo, sem pensar muito no assunto.
O senhor deita mãos à obra e, com grande sacrifício, resmungando, engasgando-se, engole a bosta até ao fim.
Continuaram os dois a andar. Passado uns minutos, o servo pergunta ao senhor:
- Já que vós, senhor, sois tão inteligente, não me podeis dizer a razão pela qual comemos aquela merda toda?»
Não se conhece, até hoje, a resposta do senhor.

3 comentários:

nils disse...

Gostei muito. Historinha mais verdadeira e sábia. Ainda se vê disto.

Kássia Kiss disse...

Infelizmente, a maior parte de nós não precisa de uma razão válida para comer merda. Vamos todos atrás uns dos outros, sem nos questionarmos para onde...

Micael Sousa disse...

Bem, a razão não foi seguramente a inteligência. A não ser que a ideia tenha surgido de uma terceira pessoa. ;)

Sabemos quão nefastas podem ser as influências de terceiros, e quão dissimulados podem ser os seu propósitos.