quarta-feira, agosto 18

O gato morreu com dignidade

A curiosidade é a própria essência da educação e, se me disserem que a curiosidade matou o gato, responderei simplesmente que o gato morreu com dignidade.

Arnold Edinborough

- Por favor, ando à procura de um conto de que ouvi falar, em sussurro entre os meus pais e uns amigos, num jantar lá em casa. Parece que é um conto obrigatório de ler e muito famoso.

- Entendo, mas vai ter de me dizer o nome do conto e se possível o do autor.

- O nome do autor é fácil - é Machado de Assis. O problema está no título. Sabe, depois de ter ido ao dicionário saber o seu significado, percebi porque falavam baixinho lá em casa e, por isso, tenho um bocado de pudor em dizê-lo.

- Assim fica difícil. O Machado de Assis escreveu mais de duzentos contos, vai ter de perder o pudor e dizer-me qual é o conto.

- É sobre pessoas que se isolam.

- Compreendo, mas ainda é um pouco vago.

- Pronto, eu digo: «O Onanista».

O livreiro, que imediatamente se apercebe do equívoco, diz:

- O Alienista?

- E não é quase a mesma coisa!?... Diz o cliente, muito assarapolhado.


Jaime Bulhosa

2 comentários:

ana disse...

Gostei do gato que morreu com dignidade!

Tenho um que espero dure muito tempo mas quero que ele morra com dignidade. :)

Continuo a gostar dos textos.

Kássia Kiss disse...

O gato morreu com dignidade, disso não há dúvida nenhuma. O problema é que há muita espécie de educação que elimina qualquer tipo de curiosidade.

A curiosidade é uma qualidade inata de qualquer ser vivo, imprescindível à sobrevivência. Não entendo bem isso de ser "essência da educação".