terça-feira, setembro 7

Capas (Santuário)

Publicado pela primeira vez em 1931, “Santuário”. É assim que é feita, na contracapa, a introdução a este livro. Agora, olhem (em cima) para a capa do livro e comparem-na com a da primeira edição (em baixo) - tem tudo a ver, não tem? William Faulkner é considerado, a par de James Joyce, Virginia Woolf, Marcel Proust e Thomas Mann, entre outros, um dos maiores escritores do século XX.
Passada no condado (fictício) de Yoknapawpha, no Mississípi, a história envolve traficantes de bebidas, gangsters, um homem que se quer separar da mulher por razão nenhuma, uma estudante de cabeça vazia, uma prostituta, violação, assassinato. Faulkner conta-nos a trajectória da jovem Temple Drake rumo à sua decadência, a luta infrutífera de Horace Benbow por justiça e a fantástica presença de Popeye, personagem de extrema força, cujas simplórias aparições em cena conferem um tom singular à narrativa.
Olhem novamente para a capa do livro e reparem na menina de cabeça cortada vestida tão à anos trinta. Manifestamente um tiro ao lado em relação ao público-alvo, não vos parece? Uma capa mais apropriada para outro tipo de literatura, mas não, com certeza, para a escrita de William Faulkner. O livro foi adaptado para o cinema em 1933 com o título The Story of Temple Drake. Coloco aqui um pequeno clip do filme, para que melhor tenham noção do ambiente que vos espera, se, evidentemente, não se assustarem com a capa e escolherem ler este magnífico livro.

Jaime Bulhosa

edição: Bertrand Editora
título: Santuário
autor: William Faulkner
tradução: Ana Maria Chaves
Capa: (Não vem indicado)
formato: 15x23cm
n.º pág. 295
isbn: 9789722521277
pvp: 16.90€



6 comentários:

Anônimo disse...

Pessoalmente não gosto de ver nas capas referências a outros livros do autor ou comentários da crítica. A capa é para mim um nome e um título e isto deve valer por si (como é óbvio abomino autocolantes e cintas nas capas).
Por exemplo este verão li um clássico da nossa literatura que comprei na feira do livro. Um capa laranja que passava perfeitamente anónima no meio de tantas capas… inclusive não o consegui ver e tive de perguntar se tinham. Depois de o ler achei uma das obras mais brilhantes que já tive o prazer de ler. Introduziu-me imagens e sensações fortíssimas. Qualquer imagem que a capa pudesse ter estaria de certeza desajustada com as fortes impressões que o livro me deixou e não o consigo imaginar de outra maneira, um delicioso calhamaço laranja.

Agora em termos de estratégia comercial está longe de ser a melhor: afinal eu teria comprado o livro independentemente da capa uma vez que o procurava concretamente mas o mesmo já não se passaria se andasse apenas à procura de qualquer coisa para ler pois tinha-me passado desapercebido.

Cumps.
Luís Figueiredo

madalena disse...

A bela (a de 1931) e o monstro (a nova).

Nuno Monteiro disse...

Negócio, o livro no hipermercado, demasiadas luzes em volta, na minha opinião, o bastante para o deixar ficar! Saudades do Salinger que, ao que parece, obrigava a que as suas capas fossem lisas, nuas, o menos pretensiosas. enfim. a nossa vida. ou a vida dos nossos.

luis.figueiredo disse...

e por exemplo comparar esta capa http://concrete.blogs.com/.a/6a00d8346df97d53ef0133f18f1539970b-popup com a capa da edição portuguesa da Cavalo de Ferro... assim de repente diria que nem eram o mesmo livro...
abr

Anônimo disse...

encontrei o homem e o rio na feira das antiguidades, vai ser o meu primeiro w faulkner :) edição livros de bolso europa américa, a capa é gira - uma mulher pendurada numa árvore e um homem que passa de barco, acho que vai resgatá-la.
pois, os livros não se avaliam pela capa, as pessoas não se avaliam pelos vestidos ou fatos, o que importa é o interior, o que está lá dentro, blábláblá.. fica bem dizer assim. está dito.

Cientista Surrealista disse...

Esta tradução está ao menos decente?

Há outras edições em português que não esta?