terça-feira, setembro 28

Eco


- Eu deixei aqui há uns meses um livro de poesia à consignação e queria saber se alguém já…

O livreiro, cheio de comiseração pelo pobre poeta, diz:

- Não, infelizmente, ainda não se vendeu nenhum.

- Mas, por amor de Deus! Esta é sexta vez que cá venho.

- Pois, nós sabemos.

- São vocês que fazem de propósito e não põem o livro à vista ou, existe alguma outra razão que eu não esteja a descortinar?

O livreiro, chamando o poeta ao pé de si, sussurra-lhe no ouvido:

- Está a ver uma pétala de flor?

- Sim.

- Agora imagine que a deixa cair do cimo de uma montanha.

- Sim.

- Conseguiu ouvir o eco?

- Não.

- Então, é o que acontece quando se publica um livro de poesia.

Nota: a todos os poetas incompreendidos e indignados

2 comentários:

josé luís disse...

serve a presente nota de protesto para informar de que sempre que leio um poema sei que uma rosa na montanha perde uma pétala - e tenho de tapar os ouvidos (tal é o ruído do eco...)

Kássia Kiss disse...

Infelizmente, você é uma excepção, josé luís!

Achei o post muito bem escrito. E, tendo em conta o actual mercado livreiro, acho que se pode aplicar a quase todos os livros. Claro que há excepções, mas são poucas... E pelos mais variados motivos, que não têm necessariamente a ver com a qualidade dos livros...