quarta-feira, setembro 22

Oh!

Já vi capas de livros, no nosso mercado, para todos os públicos. Algumas excelentes, outras com bom gosto e muitas de mau gosto. Mas a grande maioria são inócuas. Já vi capas que me fazem lembrar outras capas de livros estrangeiros e vi outras que se inspiram noutras capas de livros de sucesso, enfim, já vi um pouco de tudo no que se refere a capas de livros. Agora, espanto. O que nunca tinha visto era uma capa de um livro de uma editora (tinta-da-china) ser directamente digitalizada por outra editora (Fonte da Palavra), para fazer uma capa de um novo livro. A editora Fonte da Palavra nem se dá ao trabalho de fazer quaisquer retoques. Limita-se a fechar a imagem para não se ver o título e o logo de colecção do livro plagiado. Até a barra no topo deixaram visível. Observem bem as duas capas em causa: a primeira do livro Os Postais da Primeira República, editado pela tinta-da-china com a data de Janeiro de 2010, e a segunda do livro Angelina. Uma Mulher do Povo na I República, editado pela Fonte da Palavra em Setembro de 2010:

(tinta-da-china)


(Fonte da Palavra)


Evidentemente, neste caso, os postais da república já não têm direitos, mas a escolha dos postais, de entre várias centenas, e o arranjo gráfico, assinado por Vera Tavares (designer da tinta-da-china) tem.
Fui tentar saber quem são ou o que são a Fonte da Palavra e encontrei, no seu sítio da Internet, um curioso texto de apresentação da editora que só pode ser para rir. Sublinho as passagens mais interessantes:

«A criação da Fonte da Palavra vem no seguimento de um trabalho editorial que dura há 35 anos e também por uma exigência do mercado. Por vezes é necessário mudar e José Marques, editor vai para 20 anos, em conjunto com outras pessoas, decidiram que estava na altura de aparecer uma nova editora com outra dinâmica e com outra filosofia.

José Marques já passou por alguns projectos editorais, uns mais conhecidos que outros, já esteve ao lado de grandes escritores e reconhece, neste novo projecto que nasceu no decorrer de 2009, poder vir a estar ao lado de outros grandes escritores. Um dia sem sabermos podemos ter a sorte de ter ao nosso lado um autor que venda muito, é preciso acreditar que isso pode acontecer. Há sucessos que se fabricam, mas também há outros que nascem espontaneamente. José Marques já viu e passou por alguns assim. Não refere nomes para não ferir susceptibilidades.

Esta editora não tem uma especialização, quer fazer livros. Cada livro é um livro e têm que se acompanhar o melhor que soubermos e pudermos. Isto é como ter um filho, primeiro temos que fazê-lo, depois ajudá-lo a crescer, é isso que se tenta fazer com todos os livros que a Fonte da Palavra lança no mercado. Nesta editora gostamos de todos por igual. No entanto, duas ou três colecções vão merecer a nossa atenção, são colecções dirigidas a públicos universitários por professores universitários. É preciso criar esta imagem porque são os estudantes que mais ajudam a divulgar o nosso trabalho.

Tudo ou quase tudo pode ser editado na Fonte da Palavra. Temos desde o romance, à poesia, ao ensaio, biografias, livro infantil, teatro, cinema, lazer, gastronomia, etc., etc. Mas também vamos tentar arranjar ideias e lançar projectos que não sejam só livros. Temos a certeza que vão aparecer pessoas com projectos criativos e que nos possam interessar fazer.
Projectos para o futuro é difícil responder, porque o futuro é já o próximo livro. No entanto, ao momento, estamos trabalhar alguns livros novos, de alguma forma já a pensar no futuro. Mas não podemos deixar de pensar no presente. E porque estamos a trabalhar com vários organismos oficiais, podem também eles apresentar alguns projectos de futuro. Quer isto dizer no imediato.»
-
Jaime Bulhosa

21 comentários:

Cristina Gomes da Silva disse...

Ah! Ele há coisas...

Inês disse...

Ai que é tão mau... Até custa ler este "palavreado" aqui.

Chronic Writer disse...

Quando vi este livro chegar à livraria onde trabalho, ele pareceu-me familiar... Um João que tudo sabe olhou para o livro e resmungou "macaquinhos de imitação". Quanto ao palavreado, bem, primeiro fiquei zonza só de o ler. Em segundo lugar, espero que a iluminada criatura que escreveu esta breve apresentação não faça correcções ortográficas...
Bem, pelo menos uma coisa a Fonte da Palavra tem a favor: pode plagiar, mas anda a plagiar os melhores.

Ana Lorena disse...

A minha parte preferida é a analogia fazer um livro / fazer um filho! "..primeiro temos que fazê-lo..." hahah!

Teresa disse...

«Tudo ou quase tudo pode ser editado na Fonte da Palavra.» É verdade, sim senhor. Pelo menos, podiam ter invertido a imagem, talvez ninguém reparasse, ehehehe.
Mais uma vez, parabéns agora «a dobrar» à Tinta da China pela capa original.

Eugénia Edviges disse...

Complicado! Quem diria!

Afonso Cruz disse...

Não acho que seja plágio. O layout é diferente, o que é igual é a fotografia do fundo que é a dos postais. Julgo que a outra editora também não seleccionou os postais, apenas usou uma fotografia existente. Ou seja, duas editoras usaram a mesma fotografia como fundo de uma capa. Acontece muitas vezes, mas não me parece plágio nenhum.

Afonso Cruz disse...

Peço imensa desculpa. Li mal e julguei que o plágio fosse da tinta-da-china. Por isso, pensei tudo errado.

Isabel disse...

E agora o que vão fazer?

Os plagiadores seguirão a sua vida... e nada?

Anônimo disse...

Não era mais fácil um telefonema para o editor e esclarecer a situação do que fazer chacota pública.
Há gente muito ordinária.
Passe bem senhor jaime bulhosa.
AV

Pintarriscos disse...

É inacreditável como estas coisas acontecem de uma forma tão descarada. Quanto ao texto, confesso que não percebi nada. O que não deixa de ser irónico vindo de uma "Fonte da Palavra"

{anita} disse...

Editores que nem conseguem colocar ideias por escrito chega a ser constrangedor :(
(A analogia com o "fazer um filho" é incrivelmente pirosa...)

Anônimo disse...

Por coincidência, o site da editora anuncia que o livro vai ser retirado do mercado...

Anônimo disse...

Não sei se já se deu ao trabalho de entrar recentemente numa livraria!? Ou simplesmente olhar para as montras delas!? E ver todos os livros que saíram sobre o tema da República. Mesmo sendo um leigo na matéria consegue-se observar a quantidade de capas iguais e repito iguais que se encontram no mercado. E para uma pessoa, que como eu faz paginação de livros a ideia de que um livro é como um filho de facto para mim tem algum sentido, só quem gosta de livros e os "faz" consegue rever-se nestas palavras. Como possívelmente não deixará estas palavras serem publicadas neste blog só queria desejar as melhores felicidades a sim Sr. Jaime e aos responsáveis da Tinta da China por ser umas pessoas tão inteligentes.

Ventilan disse...

«esclarecer a situação»?
Eh pá, santa paciência...

Esta era boa para pôr aqui: http://youthoughtwewouldntnotice.com

Chronic Writer disse...

Óóóóóó Sr. Anóonimo, porque é que não é homenzinho e não assina?! Não me diga que quando assina também faz plágios?!?!?! Devo expressar a minha infelicidade por tão brilhante livro como "Angelina" ser retirado do mercado ( a minha infelicidade está a ser acompanhada de uma garrafa de champanhe ), e continuo a bater na mesma tecla: copiam, mas pelo melhor aluno da turma, e assim mesmo é que é. E, do que me lembro do meu tempo de escola, toda a gente, alguma vez na vida, copiou; e quando copiaram tal e qual o ponto do colega em vez de lhe darem uma nuance de real ignorância própria, eram caçados. Daqui se depreende que, realmente, na Tinta da China são muito inteligentes, e na Fonte da Palavra nem por isso. Quanto ao facto de haver por aí aos trambolhões gente muito ordinária, concordo! Então na Fonte da Palavra, é uma ordinarice pegada, a copiarem capas. O senhor Anónimo ( que nome lamentável, António era mais bonito ) não deve ser do mundo do livro... ou se é, anda mal informado. PS: Jaime&Cª, eu sei que é um comentário longo, e podia ter sido bem mais longo... mas é demasiado divertido para ignorar! :D

Carlos Maduro disse...

As pessoas em causa são sérias, a grandeza vê-se nestas coisas. O livro estava há muito tempo anuncido, bastaria um simples telefonema para lembrar este descuido.
Mas este é o exemplo vivo da selvajaria editorial no nosso País. Se já não existe qualquer solidariedade entre pessoas da mesma profissão, que podem esperar os autores e os leitores?
Portugal republicano no seu melhor.
O autor Carlos Maduro, enquanto anónimo, no prémio Leya de 2008, foi finalista em quase 450 concorrentes. Depois de identificado, como não pertencial à capelinha, foi editado pela Fonte da Palavra. Como aqui se diz, publicam tudo. A Esfera dos Livros publica a vida de Gracia Nasi, mas o meu romance, em 2008, chama atenção dos editores com o tema da Gracia Nasi. E quão pobre é a Biografia da Senhora nesta opúsculo da Esfera dos Livros, mas a Fonte publica tudo.
Carlos Maduro, autor da Corda de Judas Iscariotes da Fonte da Palavra

João Paulo disse...

"os postais da república já não têm direitos, mas a escolha dos postais, de entre várias centenas, e o arranjo gráfico, assinado por Vera Tavares (designer da tinta-da-china) tem", escrevem aí. ou seja, uma pessoa não pinta nem desenha os postais - compra-os já desenhados - mas arruma-os e é logo "um arranjo gráfico" de uma "designer" com direito a direitos (ena). Eh pá, muito sinceramente: tenham paciência e tomem um banho de humildade. irra. "arranjo gráfico" e com "direitos". não têm noção do ridículo.

Chronic Writer disse...

Sr. Carlos Maduro, descuido?! Descuido?!?!?! Selvajaria editorial?! Falta de solidariedade?!?!? Primeiramente, cada vez que eu cometi um "descuido" do género, levei um traço a vermelho e um zero bem redondinho. Fala em selvajaria editorial de que ponto de vista? De autor? É um negócio e há competição, obviamente. E ainda diz que há gente séria? Olhe, gente séria não se aproveita das capas dos outros. Podem não ter direitos de autor, como nota o Sr. João Paulo, mas é uma tremenda falta de chá, e mais ainda: vai contra todas as regras de cavalheirismo do negócio. Abraço livreiro à gente séria que gere este blogue. :)

Carlos Maduro disse...

Não sei quem o senhor é. Eu identifico-me, tenho rosto.
Também já cometi muitos descuidos e levei muitas repreensões,isso faz-nos crescer.
Falo de selvajaria em sentido de competição, exactamente como entendeu. Felizmente não dependo desse modo de vida para sobreviver e, como autor iniciante, posso dar-me ao luxo de me identificar e dizer o que penso.
Mas no trabalho, tenho para mim um valor, o respeito para com os colegas de ofício, mesmo quando cometem erros.
Olhe, meu amigo, até os feirantes têm mais princípios do que estes que o senhor parece dar a entender entre editores.
Também vi as capas e confesso que não me apercebi da semelhança logo de imediato. Reconheço que isso deveria ser evitado, mas daí partirem para da ideia feita de que os responsáveis o fizeram intencionalmente é bem diferente.
Sabe, se me chamasse Bulhosa, talvez também fosse editor de uma coisa qualquer. Vi a página na net da referida editora e salta à vista que é uma concorrente directa da Fonte da Palavra, bastaria esperar que a Fonte da palavra tivesse mais 5 anos. Publicam tudo, até postais.
Têm grandes autores, olhe, têm por exemplo Antero, que faça bom proveito o Santo Antero dos direitos, lá, onde estiver.
A minha indignação passa pela ofensa que também me foi feita. Ao pôr a ridículo a editora, coloca também os seus autores, e esse senhor não tem o direito. Não o conheço de lado nenhum, ao contrário do José Marques que, enquanto editor, foi a a pessoa mais séria que encontrei até à data, a quem não tenho a apontar o mais pequeno incumprimento da palavra dada. O mesmo não digo do grupo Leya aquando da promessa de publicação do meu romance finalista do Prémio Leya 2008, mais propriamente na pessoa da Dra Maria da Piedade Ferreira, ilustre editora de António Lobo Antunes.
Concordo que deve haver cavalheirismo no negócio, tem toda a razão. Mas, meu caro amigo, um cavalheiro não lava roipa suja na praça pública. Estas questões resolvem-se com um telefonema, um advogado, o que quer que seja.

Luis Rainha disse...

Também não sei bem como é que podem garantir que os postais já estão no domínio público. Se um dos autores tivesse vinte e poucos na altura, pode ter falecido há coisa de 40 anos...