quinta-feira, setembro 2

Querubins

Se trabalhar directamente com o público e se estiver atento ao que o rodeia, terá sempre histórias engraçadas para contar. Não sou de ouvir conversas alheias, porém, por vezes, não sendo surdo, é-me impossível deixar de ouvir o que os clientes dizem. A história que vos vou contar não contém nomes, por razões óbvias.

Certo dia de manhã, encontrava-me ao balcão a atender uma senhora, ainda jovem, bonita, bem vestida, com uma criança de meses ao colo, fazendo lembrar querubins de cabelos aos caracóis muito loiros. Entretanto, enquanto atendo a cliente, entra um homem de meia-idade e bem parecido que se dirige ao balcão da livraria. Surpreendido, parecendo mesmo incomodado com o encontro inesperado com aquela mulher, reconhecendo-a, não tendo outro remédio senão cumprimentá-la pelo nome, atrapalhado, de sorriso meio cor do sol quando se põe de Inverno, pega na mão do menino e pergunta-lhe:

- É seu?

Ela responde, sem perder tempo e muito expedita:

- E seu.

Jaime Bulhosa

2 comentários:

Kássia Kiss disse...

:D

E tem uma testemunha!

(para a sua afirmação, claro)...

Eduardo F. disse...

Que giro!

Isso aconteceu mesmo, amigo,?

:)
Ele há coisas incríveis!