segunda-feira, outubro 25

Últimas ou primeiras palavras


Não sou religioso. Também não sou ateu. Fico-me por aquilo a que poderão chamar, se quiserem, um disparate. Ou seja, defino-me como um agnóstico de pendor ateísta. A ideia de morte, da inevitabilidade, de que também eu um dia vou morrer, assusta-me, como penso que acontece à maior parte das pessoas. Contudo, nada como a experiência, o acumular dos anos, a “sabedoria”, a literatura, para serenar o “espírito” sobre esse inexorável momento. Tenho, acho, através da leitura, do conhecimento daqueles que já foram e nos deixaram o seu pensamento, avançado imenso nas conclusões possíveis sobre este assunto. Das duas uma: ou direi no meu último sopro de vida, no fechar definitivo das minhas pálpebras, o que Auguste Rodin disse - «Que pena, agora que eu começava a entender alguma coisa sobre isto»; ou, direi, simplesmente, como Robert Brooke disse - «Olá!».

Jaime Bulhosa

2 comentários:

Antes Prefiro disse...

eu acho que direi até já. sim, porque ainda tenciono um dia reencarnar como livro - havia de ser giro ver a vida do lado de dentro das letras! :)

Cláudia - Brasil disse...

Para você Bulhosa

Já nem sei onde,
estão minhas preces,
neste outono invernal.
Desfaz-se o semblante,
da aurora.
Mendicante, caminha...

Na visão noturna,
o silêncio visita a alma.
Sem pressa, sem causa.

Todos os vestígios sonham,
em vão, e, a razão,
torna-se suplício.
Minguando seu tempo,
de verão primaveril.

Vaga o escudo, mudo,
sem defesa, sem juízo.
Revelando as preces,
de outras estações.

30.junho.10
Cláudia da Silva Tomazi