sexta-feira, novembro 19

Às voltas com a autocrítica


Julgo-me pela sensação obrigatória de autocrítica. No início sinto que me compreendo perfeitamente. Então digo: ninguém me conhece melhor do que eu, e fico apaziguado. Depois começo a andar às voltas com a minha própria consciência e, de seguida, sou apanhado num turbilhão de sentimentos contraditórios que me afundam, dividem em dois e me tornam ambíguo. Logo de seguida, lembro-me do provérbio: para podermos julgar alguém, é necessário, antes, colocarmo-nos no seu lugar. Mas quando nos colocamos no lugar do outro, neste caso de nós próprios, sentimos exactamente o mesmo que o outro sente. Tornando, assim, o julgamento impossível. Ora, é precisamente essa incapacidade de me colocar no lugar do outro eu que me impossibilita de autocriticar-me. E volto a apaziguar-me, até recomeçar tudo novamente.

Jaime bulhosa

2 comentários:

Anônimo disse...

A talhe de foice, por acaso não sabe quando sai o Rigodon do Céline, há muito prometido pela Ulisseia?

Anônimo disse...

Quando nos colocamos no lugar do outro, nunca ficamos completamente no seu lugar ou não ficamos permanentemente no seu lugar( é como um entrar e sair de uma sala para o exterior o que nos permitre avaliar p. ex. a temperatura ambiente).
J Raio