quarta-feira, dezembro 15

Estamos sempre a aprender


Um cliente, conhecido pela exigência na escolha das suas leituras, entra na livraria e pede:

- Por favor, gostaria de dar uma vista de olhos naqueles dois livros.

- Com certeza, só um momento.

O cliente, folheia cuidadosamente os dois títulos, ao mesmo tempo que acena com a cabeça, em sinal de agrado ou, de desagrado. Depois, rapidamente, dá uma vista de olhos nas fichas técnicas e, por fim, comenta:

- Este é um livro excelente, mas infelizmente não o posso levar. Este outro é péssimo e nem com ajuda lá vai. Por isso, também não o levo.

O livreiro, na necessidade de vender, pergunta:

- Não me leve a mal, mas, que não leve um livro que acha péssimo eu percebo, agora, não levar um que considera excelente, já me custa a entender… É por causa do preço?

O cliente, sorrindo maliciosamente, responde:

- Permita-me que lhe ensine uma coisa: «Tanto causa dano uma má tradução de uma boa obra, como uma boa tradução de uma obra má».

Jaime Bulhosa

7 comentários:

Blondewithaphd disse...

Percebe-se... bem.

sonia disse...

E não é que o cliente tem razão? Eu acrescentaria mais ainda: se o livro tiver erros de ortografia, também não levo...rsrs
Já folheei um livro de Paulo Coelho, de tanto falarem dele aqui no Brasil. Pois bem, nas primeiras 2 páginas achei 2 erros de Português, foi o suficiente para jogar o livro para o lugar de onde veio.

Leonor disse...

Como eu compreendo e concordo com este cliente! É esta a principal razão porque deixei de comprar livros traduzidos... Só leio em portugu~es autores lusófonos...

Ricardo Poças disse...

Oh Leonor, não me diga que lê em russo, japonês e neerlandês?
É que desprezar todas as traduções em português devem limitá-la terrivelmente a ler somente autores de línguas que conhece.
Ou então lê tudo em traduções para essas mesmas línguas, como se lá fora ninguém se enganasse...
Acho essa ideia do "só leio no original" um pouco de arrogância intelectual.

F.Mouro disse...

Por acaso ainda ontem atirei um livro para o canto, irritado com a tradução. E mais sou apenas um leitor vulgar. Mas tenho saudades do tempo em que os tradutores eram escritores.
Fica-me a satisfação de há uns anos, em plena feira do livro, a minha filha, então com 14, ter dito a uma vendedora que lhe mostrava um livro: « olhe , esse nem pensar,tem três erros de ortografia».
E indicou-lhos.

Isa disse...

eu tenho saudades do tempo em que as editoras respeitavam os tradutores.

Isa disse...

Ou seja: pelo seu próprio ofício.