quinta-feira, fevereiro 25

AUTO-RETRATOS DO MUNDO SELF-PORTRAITS OF THE WORLD ANNEMARIE SCHWARZENBACH 1908-1942


Annemarie Schwarzenbach produziu uma extensa obra literária, jornalística e fotográfica, deixando antever um percurso excepcional que, no entanto, seria tragicamente interrompido pela sua morte precoce. Em «Auto-retratos do Mundo», Emília Tavares e Sónia Serrano, comissárias da exposição no Museu Berardo que deu origem a este livro, fazem justiça aos méritos e eclectismo da escritora, apresentando a sua vida e obra, bem como o seu vasto espólio fotográfico. Os textos das organizadoras, de Gonçalo Vilas-Boas e de Alexandra Lucas Coelho contextualizam a obra de Schwarzenbach na história, na política e na cultura do período entre as guerras, procurando também esclarecer a ligação entre literatura, jornalismo e fotografia através das viagens realizadas pela Europa, Médio Oriente, África e América do Norte.O álbum inclui ainda um texto inédito de Annemarie Schwarzenbach sobre a ascensão do nazismo na Europa
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tema: Álbum Fotobiografia
edição: Museu Colecção Berardo
1.ª edição: Fevereiro de 2010
n.º de páginas: 248
formato: 21x27.5 cm
isbn: 9789896710262
pvp: 32.55€


Relembramos outro livro de Annemarie Schwarzenbach, Morte na Pérsia

quarta-feira, fevereiro 24

As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy





«O livro é a história maravilhosamente ilustrada e bem contada de um distribuidor de pizzas chamado Eurico e das suas aventuras numa Lisboa infestada de monstros. A sua moto é roubada (e o seu trabalho a distribuir pizzas depende dela!), o que o obriga a recorrer aos serviços de Dog "Investigador do Oculto" Mendonça. A eles junta-se Pazuul, uma menina que não é o que parece, e a cabeça de uma Gárgula que fala pelos cotovelos. Entretanto, as crianças de Lisboa estão a ser raptadas durante a noite! Sob as ruas da cidade, o pior de todos os monstros está a trabalhar arduamente para levar a cabo o seu plano maléfico. Quem será ele? Bem, suponho que vão ter mesmo de ler para descobrir...»

John Landis, «Prefácio»

edição: tinta-da-china
texto: Filipe Melo
ilustrações: Juan Cavia
tema: Banda Desenhada
prefácio: John Landis
1.ª edição: Fevereiro de 2010
n.º de páginas: 120
formato: 16.5x24 cm
isbn: 9789896710279
pvp: 16.90€

terça-feira, fevereiro 23

Atendimento personalizado

- Bom dia, fala a Sandra, em que é que lhe posso ser útil?
- Bom dia, é da livraria…?
- É sim, bom dia, fala a Sandra, posso saber com quem tenho o prazer de estar a falar?
- Precisava de saber a vossa morada por favor.
- Mas posso saber com quem estou a falar?...
- Não precisa de saber o meu nome... Só preciso de saber a vossa morada...
- É pra poder tratar o senhor pelo nome, com um tratamento mais personalizado...
-A única informação de que preciso é a vossa morada, para mandar uma carta. É uma informação pública, não precisa de saber quem eu sou para me dizer a vossa morada...
- É só pra poder tratar o senhor pelo nome, com um tratamento mais personalizado...
- Isto é uma gravação?...
- Não, eu já disse ao senhor que fala a Sandra...
- O Hal* também tinha um nome, mas isso não o impedia de... Não interessa. O que lhe estou a dizer é que não precisa de saber o meu nome e mesmo que lhe diga o meu nome isso não torna o atendimento mais personalizado. Se nós tivéssemos de facto uma relação pessoal, seria razoável dizer-lhe o meu nome, porque você me iria reconhecer. Como não nos conhecemos, não é o facto de eu lhe dizer o meu nome que vai personalizar a nossa relação. Além de que eu não quero personalizar a minha relação consigo e algo me diz que você também não. Percebe? O facto de me perguntar o meu nome só quer dizer que você está a olhar para um monitor onde está escrito que me deve perguntar o nome ou alguma coisa do género. O que não só não é pessoal, como é até bastante impessoal e até um bocadinho desagradável...
- Eu acho que não estou a ser desagradável para o senhor... Se o senhor não quiser dizer o nome, não tem de dizer o nome, mas é só para poder tratar o senhor pelo nome e se não me disser o nome não o posso tratar pelo nome...
- É evidente que não pode...
- É só o que eu estou a dizer ao senhor... Eu disse ao senhor o meu nome...
- Sim eu sei. Sandra. Mas isto não é um baile de debutantes, não precisamos de nos apresentar uns aos outros antes de fazer uma pergunta.
- ... Eu acho que estou a ser correcta com o senhor... Eu estou só a perguntar ao senhor o nome do senhor porque...
- Para o tratamento personalizado, já sei... (suspiro) José Vítor Malheiros!...
- Bom dia, senhor Zé, em que posso ajudá-lo?
-Tem a certeza de que isto não é uma gravação? Eu...
- Não é uma gravação, senhor Zé, eu estou a falar com o senhor a perguntar em que posso ser útil ao senhor, senhor Zé...
- ... Só queria saber a vossa morada.
- Em que localidade, senhor Zé?
- A morada da vossa sede. Suponho que é em Lisboa, mas não sei se é.
- Mas nós temos muitas moradas e sem me dizer a cidade...
- Lisboa!
- Temos muitas moradas em Lisboa. Tem preferência pela rua, senhor Zé?
- Tenho. A rua onde está a vossa sede. Quero mandar uma carta!
- Posso saber se é um assunto relativo a...
- ... Ouça, Sandra. Acho que já percebi esta questão do tratamento personalizado... Em vez de estarmos aqui a falar ao telefone, porque é que não nos encontramos pessoalmente? Isso ia ser muito personalizado. Aí eu podia explicar-lhe pessoalmente porque é que quero escrever a carta, podíamos discutir a epistolografia no século XVIII e, quem sabe, com o tempo, à medida que nos fôssemos conhecendo melhor, talvez conseguisse convencê-la a dar-me a morada. Não digo no primeiro encontro, porque estas coisas às vezes levam o seu tempo, mas talvez no segundo ou terceiro... O que me diz, Sandra?...
- ... Eu só estou a perguntar ao senhor Zé... e acho que estou a ser correcta com o senhor Zé... eu não disse ao senhor Zé que não dava a morada ao senhor Zé...
- Claro que não disse. Aliás, ainda não me disse nada. Mas o que acha do meu convite? Acha que se pode escapar amanhã para nos encontrarmos? Eu podia levar um cravo na lapela para me reconhecer... ou acha muito marcado politicamente? Uma gabardine! Posso levar uma gabardine! Já ninguém usa gabardine. Ou um chapéu de coco. Ia ser fácil reconhecer-me. Acha que podia levar a morada escrita numa folhinha de papel e, se simpatizasse comigo...

- A morada da sede é...

* HAL 9000 é uma personagem ficcional da série Odisseia no Espaço, de Arthur C. Clark, e foi imortalizado pela adaptação cinematográfica feita por Stanley Kubrick do primeiro volume da mesma, 2001: A Space Odyssey, de 1968.

Nota: Este texto foi encontrado, por acaso, numa página da Internet sem referência à origem, nem ao autor.

Derrocada


Derrocada é o segundo volume da Trilogia do Mal, de Ricardo Menéndez Salmón, iniciada com a obra A Ofensa, que a Porto Editora já publicou. Uma terrível ameaça recai sobre Promenadia, uma pacata cidade costeira. O Mal irrompe sob a forma de um assassino em série, que seduz vítimas e verdugos, actores e espectadores, transformando-se na sombra da comunidade. Os pilares de uma sociedade de escassos valores são infectados pela chaga do Terror - um prenúncio da derrocada - a que ninguém, nem mesmo Manila, o cismático polícia encarregado da investigação dos vários crimes, fica imune. Quem é vítima e quem é carrasco? Um homem perverso que não tem nada a perder; duas famílias que crêem ter perdido tudo; três jovens que encontram na violência uma forma de expulsar o tédio. Em Derrocada, a única justiça é o horror, a única vocação é a atracção pelo Mal. Depois do êxito de A Ofensa, considerado um dos grandes livros espanhóis de 2007, Ricardo Menéndez Salmón regressa com um romance perturbante que o confirma como um dos grandes nomes da jovem literatura espanhola.


Ricardo Menéndez Salmón Licenciado em Filosofia pela Universidade de Oviedo (Gijón, 1971) era já autor de uma obra diversificada quando, em 2007, com a publicação de A Ofensa, se transformou numa das referêcias da nova literatura espanhola. Derrocada veio a lume em 2008, seguindo-se-lhe, em 2009, El corrector, que a Porto Editora irá também traduzir para português.

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Edição: Porto Editora
Autor Ricardo Menéndez Salmón
Tradução: Helena Pitta
N.º Pág.: 175
Isbn: 978972045119
Pvp: 13.90 €

segunda-feira, fevereiro 22

Letra "I"


- Tem A Morte de Ivan Iliitch ?

O livreiro novato depois de fazer uma busca por autor na letra”I”, responde:

- Infelizmente não temos nada desse autor.

O cliente apercebendo-se da gafe.

- Ai sim… Que pena. Veja lá então se tem algum livro do Tolstói?

Passado uns segundos o livreiro pasmado:

- É curioso!?... Desse temos vários e não vai acreditar! Um deles é sobre a morte do primeiro.


O Outono em Pequim


Ao contrário do que o título possa indicar, esta história não se passa no Outono nem em Pequim, mas no imaginário deserto da Exopotâmia, onde um estranho Sol emite raios negros e um grupo de pessoas bastante original tenta construir uma estação de comboios com vias-férreas que levam a lado nenhum.
Num cenário onde reinam o ilógico, o absurdo e o improvável, Vian, misturando um fantástico humor com uma desigual quantidade de náusea, introduz várias personagens excêntricas, tais como os melhores amigos Ana e Ângelo, ambos engenheiros, e Rochela, que se apaixona pelo primeiro, e se torna sua amante, enquanto Ângelo está loucamente apaixonado por ela. Além deste trio, deparamos ainda com o doutor Manjamanga, o arqueólogo Atanágoras Porfirogénito e Pipa, o dono do hotel, entre outros – todos eles num lugar que se assemelha a Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, onde existe um matiz negro e tudo é possível, excepto a felicidade.
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Edição: Dom Quixote
Autor: Boris Vian
Tradução: Luísa Neto Jorge
Isbn: 9789722039819
n.º pág.:285
Pvp: 16.00€

sábado, fevereiro 20

sem título

Se um escritor reconhecido vende 2000 livros é mais fácil que encontre alguém que tenha ganho o totoloto do que um leitor. Se esse escritor for poeta... então eu como livreiro devo estar a falar para o boneco. Mas espero, aspiro que aqueles que me possam estar ler ao menos tenham lido um livro.

Livreiro anónimo

sexta-feira, fevereiro 19

Perplexidades


Calcula-se que existam cerca de 600 mil palavras na língua portuguesa, mas este número não é estático. Todos os dias são criadas novas palavras e outras desaparecem por falta de uso. Por isso, fico sempre perplexo e sem saber o que responder quando alguém me pede:

- Queria um dicionário, mas um que seja completo.


Jaime Bulhosa

quinta-feira, fevereiro 18

A última palavra


Há pessoas que para esconder a sua ignorância desenvolvem uma capacidade de resposta assinalável. Eu conheci um livreiro que achava que metade do mundo andava a enganar a outra metade e fazia questão de ter sempre a última palavra.

- Por favor, eu queria Le Requiem, de Jean Cocteau?

Passado um momento.

- Aqui tem.

- Desculpe! Eu não pedi Le Requim, de Jean-Michele Cousteau.

- Desculpe mas pediu!

O cliente irritado.

- Não! Eu pedi o poeta, romancista, dramaturgo e artista Jean Cocteau, não o Oceanógrafo.

- E eu tenho culpa que você tenha uma péssima pronúncia.


Jaime Bulhosa

quarta-feira, fevereiro 17

Clientes especiais III


Há vinte e poucos anos, o centro comercial das Amoreiras era o maior e mais famoso centro comercial da cidade de Lisboa. Durante os fins-de-semana, faziam-se autênticas romarias, vindas em excursão de todo o país apenas para o visitar.

- Bom dia. Eu queria um livro para ler!
- Sim…
Silêncio.
Depois de alguns segundos embaraçosos, o livreiro franze o cenho e diz:
- Qual é mesmo o livro que deseja?
- Sei lá! Você é que é o livreiro, não sou eu.
- Sem dúvida, uma boa piada!
- Nunca ouvi falar... Mas se você diz que é bom, eu levo.
- Não!... Referia-me simplesmente ao facto de ter dito: «Você é que é o livreiro.»
- Ah!... Não percebi, quer explicar melhor?
- Deixe estar, não tem importância. Quer, portanto, que eu lhe escolha um livro para ler?
- Isso!
- Sabe, não é fácil, eu não o conheço, não sei o que já leu e o que gosta de ler.
- Não seja por isso. Muito prazer, o meu nome é José, venho de uma aldeia perto de Santarém, tenho 75 anos e até aos 74 fui analfabeto. Se tiver a amabilidade de me aconselhar um livro, esse será o primeiro de muitos que ainda pretendo ler. - Disse o cliente, orgulhoso de si mesmo. E com razão.

Nota: Espero sinceramente que o senhor José tenha lido muitos mais e bons livros. Como curiosidade, o livro aconselhado foi O Velho e o Mar, de Hemingway. Para quem nunca leu o livro, e embora não pareça, o enredo tem muito que ver com esta pequena estória. O Velho de Hemingway, depois de uma extraordinária perseverança, levou para casa uma colossal espinha de peixe, mas valeu a pena.

Jaime Bulhosa

Entre os Assassinatos


Este é novo romance do autor de O Tigre Branco, o aplaudido Booker Prize de 2008. A obra desenvolve-se como um um guia de viagem a uma cidade imaginária, Kittur, situada na costa sudoeste da Índia, a meio caminho entre Goa e Calecute, durante o período de sete anos que decorreu entre os assassinatos de Indira Gandhi e do seu filho Rajiv. São catorze histórias que se sobrepõem formando um mapa vivo da cidade, decorrendo cada uma em diferentes zonas de Kittur. Aravind Adiga retoma muitos dos temas presentes em O Tigre Branco, mas recorre agora a múltiplos narradores diferentes. Uma obra que o conduz à descoberta fascinante da Índia actual.
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Edição: Presença
Autor: Arvind Adiga
n.º pág.: 305
isbn: 9789722342933
pvp: 16.50 €

sexta-feira, fevereiro 12

10 grandes livros em poucas páginas, tempo e dinheiro



- Arte de Persuadir, Pascal

- A Morte de Ivan Iliitch, Tolstói

- Estrangeiro, Camus

- Gilgamesh, A.A.V.V

- Zadig ou do Destino, Voltaire

- Preceitos para uso pessoal doméstico e outros textos, Jonathan Swift

- Cartas Persas, Montesquieu

- Utopia, Thomas More

- Príncipe, Maquiavel

-Hamlet, Shakespeare


Jaime Bulhosa

Aviso: importante


A Pó dos Livros, à semelhança dos anos anteriores, como todas as livrarias e as demais lojas de comércio, não podia deixar passar em branco a efeméride do dia 14 de Fevereiro: o Dia dos Namorados. Lamentamos decepcionar-vos, mas não faremos montras alusivas ao facto. Mas, em compensação, porque não discriminamos ninguém, amanhã dia 13 de Fevereiro, celebraremos: o Dia dos Encalhados. Claro que também não faremos montras alusivas ao facto. No entanto, a quem for encalhado por vontade própria ou por meras sucessões de azar e quiser vir à Pó dos Livros comprar um livrinho para oferecer a si próprio, nós teremos todo o prazer em oferecer-lhe um destes artísticos leques que, apesar de ser Inverno, sempre servirão para afastar os maus espíritos.


Assinado: A Gerência



quinta-feira, fevereiro 11

A Rua da Estrada



A Rua da Estrada emerge sobre os escombros da dupla perda da “cidade” e do “campo”. Da cidade, ficou a representação comum de uma sociedade plural e intensa num território densamente construído e com limites definidos, um "interior” confinado, rodeado pelos espaços ditos naturais, da floresta ou da agricultura. Do lado de fora, guarda-se a imagem de um espaço rural, habitado por visões do mundo fechadas sobre si e sobre poderosas identidades. Nada mais falso. As transformações dos campos são tão radicais como as transformações das cidades. Hoje a urbanização progride de a um ritmo avassalador e já não está exclusivamente dependente da aglomeração e da proximidade física. As infraestruturas percorrem territórios imensos que tornam possível um sem número de padrões de localização. Construções e formas de organização social. O urbano é um "exterior” desconfinado e instável, por contraposição à imagem da cidade amuralhada.
A Rua da Estrada é a imagem perfeita desta metamorfose. Mais do que lugar, ela emerge como resultado da relação, do movimento. O fluxo intenso que a percorre e o seu melhor trunfo e a sua própria justificação. Sem fluxo não há troca nem relação. Génese primordial da velha cidade. Dizia alguém explicando as manobras de sedução que praticava para tornar o seu negócio visível para quem vai na estrada: O problema é fazê-los parar.

Álvaro Domingues (Melgaço, 1959), geógrafo, formou-se na Faculdade de letras da Universidade do Porto em 1981. É professor da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto.
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Edição: Dafne
Autor: Álvaro Domingues
n.ºpág.: 257
Fotografias: Álvaro Domingues
Isbn:9789898217066
pvp: 17.00€

Livreiro armado em esperto


- Bom dia.

- Bom dia. Posso ajudar?

- A minha mãe pediu-me para saber se tem um livro sobre… Ai! Como se chama?...

- Sim!?...

- Esqueci-me.

- Vá lá um pequeno esforço.

- Sei que não é português e é um livro bué da pesado.

- Quer dizer de uma escrita densa?

- Não, não! É mesmo um tijolo.

- Um tijolo!?...

- Já sei! É Ronaldo Bologna.

- Ah, ah! Esse não temos, mas creio que a sua mãe ficará satisfeita com 2666, de Roberto Bolaño.

- Não, não está a perceber! É mesmo sobre o maestro brasileiro Ronaldo Bologna.

Ronaldo Bologna é natural de São Paulo, Brasil. Realizou seus primeiros estudos musicais com Savino de Benedictis, H. J. Koellreutter, Alfred Richter e Roberto Schnorrenberg. Completou os estudos em Freiburg im Breisgau e Berlim, sob a orientação de Carl Ueter e Herbert Ahlendorf, e em Buenos Aires com Hans Swarowski. Iniciou sua carreira como músico de orquestra no Teatro Municipal de São Paulo. Estreou como regente em 1965 com grande sucesso de público e crítica. Desde então, tem-se apresentado regularmente como regente convidado das principais orquestras brasileiras e de vários outros países. Trabalhou com solistas como Jean-Pierre Rampal, Ingrid Haebler, Narciso Yepes, Graziella Sciutti e outros. Realizou várias primeiras audições de obras de compositores brasileiros, a primeira execução por um grupo nacional do Pierrot Lunaire de Schönberg, e levou ao conhecimento do nosso público obras importantes como Metamorfoses, de Richard Strauss e Variações sobre um tema de Frank Bridge, de Benjamin Britten, entre outras.


Jaime Bulhosa

Os Objectos Chamam-nos


Juan José Millás actua neste livro como um mestre das distâncias curtas. Cada um destes textos, breves como um clarão, ilumina um segredo, revela um mistério, provoca uma pergunta. Todos, sob essa escrita rigorosa e veloz, escondem uma surpresa. Inimitável mistura de humor, pânico, ironia, nessa atmosfera entre realista e onírica que caracteriza a escrita de Millás. O misterioso espreita-nos ao virar da esquina, no interior de nós próprios. Mulheres grandes que sonham com homens diminutos. Manequins que transpiram. Frangos que vão do mercado para casa, mas que jamais aparecem na mesa. Mentiras que se transformam em realidades inexplicáveis. Fósforos velhos que iluminam salas antigas. Pequenos mal-entendidos que dão lugar a perguntas fundamentais. Delírios sensatos. Bom senso delirante… Este é o mundo de Juan José Millás.
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Edição: Planeta
Autor: Juan José Millás
N.º Pág.: 235
Isbn: 9789896570569
Pvp: 17.50€

quarta-feira, fevereiro 10

Bookshop

O monge


- Já li Homero, Platão, Dante, Milton, Shakespeare, Camões, Pascal, Montesquieu, Voltaire, Dickens, Balzac, Zola, Dostoiévsky, Tolstói, Kafka, Pessoa, Sartre, Foucault, Roth, sei lá, e tantos outros, mas continuo um ignorante.
- Isso é impossível!...
- A sério. Quanto mais leio menos sei!

Quando o velho monge espanhol, enclausurado no seu quarto do mosteiro despojado e nu de qualquer conforto, depois de ter levado a vida mais santa e regrada que se pode imaginar, pressentindo o chamamento da morte, se coloca de joelhos e reza - «Senhor, em termos de humildade, venha quem vier que eu não temo ninguém.» -, logo ouve uma voz a perguntar-lhe, vinda das paredes ao lado (aquilo que julga ser a voz do Eterno): «Porque presumes tu com tanta vaidade que nessa matéria és melhor que os outros?»


Livreiro anónimo lidando mal com a falsa modéstia.

terça-feira, fevereiro 9

Fisiologia do Gosto


Encarada por muitos como a bíblia dos epicuristas e gastrónomos, Fisiologia do Gosto, de Brillat-Savarin, é uma obra clássica, inusitada e repleta de “deliciosos” aforismos, que aplica contornos científicos ao acto de bem comer. Publicada originalmente em 1825, a dois meses da morte do seu autor.

Sobre o Autor:
Jean Anthelme Brillat-Savarin (1755 – 1826) foi um dos mais famosos epicuristas e gastrónomos franceses de todos os tempos. Nasceu na cidade de Belley, Ain, e dedicou-se nos primeiros anos da sua vida ao estudo do direito, química e medicina, em Dijon, tendo chegado a praticar advocacia na sua cidade natal. Em 1789, aquando do rebentar da Revolução Francesa, foi nomeado deputado da Assembleia Nacional Constituinte, onde adquiriu alguma fama, particularmente devido à sua defesa pública da pena capital. Adoptaria o apelido “Savarin” após a morte de uma tia sua, que lhe deixara toda a sua fortuna sob a condição que adoptasse o seu último nome.
Numa fase posterior da Revolução, a sua cabeça ficou a prémio, e Brillat-Savarin procurou asilo político na Suíça. Mais tarde, mudou-se para a Holanda, e depois para os Estados Unidos, onde permaneceu durante três anos, dando aulas de Francês e de violino.
Regressou a França em 1797 e obteve a magistratura, exercendo até ao fim da sua vida como juiz do Supremo Tribunal. Publicou várias obras de direito e economia, mas a sua obra mais conhecida foi mesmo “Fisiologia do Gosto” (Physiologie do Goût), lançada em Dezembro de 1825, dois meses antes da sua morte.
Considerado por muitos como “o pai da dieta baixa em hidrocarbonetos”, Brillat-Savarin é o autor de frases famosas como “Diz-me o que comes, dir-te-ei quem és” e “a descoberta de uma nova receita faz mais pela felicidade do género humano do que a descoberta de uma estrela”.
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Edição: Relógio D'Água
Autor: Brillat-Savarin
N.Pág.: 221
Isbn: 9789896411497
Pvp: 15.00€

quinta-feira, fevereiro 4

As cinco regras de um bom leitor


1- Aceitar que a leitura é o único caminho para a sabedoria.
2- Ler pelo menos um poema, um conto ou uma página de um livro por dia.
3- Comprar pelo menos um livro por semana.
4- Passar um dia inteiro a ler, sem fazer mais nada, uma vez por mês.
5- Vir pelo menos uma vez na vida à Pó dos Livros (se tiver condições físicas e financeiras).

Nota: Temos a sensação de que já lemos estas regras nalgum livro.

História da Morte

A morte é um assunto de interesse permanente em todas as culturas do mundo. O próprio acto de morrer e os rituais que o rodeiam são extremamente variados e projectam uma luz fascinante sobre as culturas de que fazem parte. Douglas J. Davies, internacionalmente conhecido como um dos maiores especialistas neste campo da história, aborda alguns dos aspectos mais significativos da morte - o acto da própria morte em si, o luto, os funerais, as interpretações artísticas da morte, os memoriais, o medo da morte e os desastres/tragédias - e analisa-os numa abrangente história acerca das diferentes atitudes do homem perante a morte.
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Edição: Teorema
Título: História da Morte
Autor: Douglas J. Davies
N.ºpág. 255
Isbn: 9789726957812
Pvp:17.00€

quarta-feira, fevereiro 3

Livreiro a sério é mesmo...


De sorriso na cara, dirige-se ao balcão e pergunta:
- É você o Jaime Bulhosa que escreve no blogue da livraria?
- Sim, sou eu.
- Ah! Então sempre quero ver se o Jaime é mesmo um livreiro a sério. Diga-me lá se sabe de que obra é esta frase:
«Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia»?
- ...???
- Hamlet, de William Shakespeare.
Como habitualmente ouvi a resposta vinda, de imediato, do meu lado direito.
- Obrigado Carlos

Jaime Bulhosa

Lisboa Revolucionária 1908-1975

Agora em edição de bolso Lisboa Revolucionária 1908 - 1975, de Fernando Rosas, editado pela tinta-da-china.

«O livro tem como objecto de estudo a Lisboa Revolucionária do século XX, particularmente os primeiros 30 anos do século passado, tendo ainda uma incursão pelo "abalo telúrico" de 1974/75, para utilizar uma expressão com que o autor se costuma referir a este período. Uma das originalidades do livro, e um dos aspectos mais inovadores em termos da apresentação desta investigação histórica, é que o autor parte dos vários cenários de Lisboa, onde ocorreram os principais eventos que iriam determinar os acontecimentos insurreccionais, traçando uma espécie de geografia dos vários confrontos.O autor passeia-nos por Lisboa, revisitando o palco dos conflitos avançando do Tejo e da zona ribeirinha para Norte. Percorremos ruas, como a Rua do Arsenal, que emprestou o seu chão ao landau que transportava o rei já morto, as ruas de Alcântara atormentadas por cargas policiais sucessivas, ruas solidárias que ostentavam a rebeldia crónica dos seus habitantes cedendo-lhes a alma, o traçado e o quartel em momentos vários de insurreições pressentidas.O Terreiro do Paço perfila-se nestes espaços insurrectos como o tabuleiro do xadrez de todos os poderes, com os peões a avançarem em xeque-mate, acompanhado do Arsenal da Marinha e da Praça do Município, com o seu pelourinho a servir de testemunha à proclamação da República no quinto dia do longínquo Outubro de 1910.Estratégico, o Castelo de São Jorge tomou várias posições, ora estando do lado dos poderes, ora insubordinando-se e passando, generoso, para o reviralho.A Baixa Pombalina e o Chiado queirosiano, que preparam a entrada para o Largo do Carmo, confessam-se cenários envolventes de bravatas, refúgios, intentonas, rendições e revoluções, memórias de ouro da cidade, em que pontifica vívido e concreto o 25 de Abril.O eixo do Rossio, Restauradores e Avenida da Liberdade constitui-se como uma ampla área de circulação entre o Terreiro do Paço e a Rotunda. Este espaço assistiu por várias vezes ao vaivém amotinado de insurgentes vários.A Rotunda congregou desde sempre apetites tácticos que subiram ao Parque e a Campolide. Aí se jogou de forma cirúrgica o fim da Monarquia e aí pontificou anos mais tarde Sidónio Pais a tentear novos caminhos. Este território passou muitas vezes de poiso de caçadores a arena de caçados, com ataques vindos da extensão que abrange o Largo do Rato, Rua da Escola Politécnica, São Pedro de Alcântara e Rua de S. Bento.Os pontos nevrálgicos da cidade não acabam aqui, e o autor passeia-nos ainda nas Avenidas Novas e, finalmente, leva-nos a Monsanto.Tudo isto com o Tejo a observar-nos, também ele espaço amotinado de memórias líquidas.Eis uma das grandes revelações deste livro: transformar os espaços da cidade já vivida em personagens reais, dando-lhes alma e voz, ostentando no peito, como medalhas, os acontecimentos que mudaram, fizeram e desfizeram a marcha dos dias a abarrotar de História.»


Albérico Afonso Costa, ESE de Setúbal
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Autor: Fernando Rosas
Fotografias: Jorge Nogueira
Edição: tinta-da-china
N.º Pág. 224
Isbn: 9789728955458
Pvp: 10.90 €

terça-feira, fevereiro 2

Dumb readers, smart writers


Quando Dante Alighieri publicou A Divina Comédia, que inclui o poema alegórico O Inferno, muitos leitores aceitaram como sendo verdadeira a narrativa da descida de Dante ao Inferno. Quando a Utopia, de Thomas More, foi publicada pela primeira vez, ocasionou um agradável erro, mas infelizmente, como próprio título indica, uma pura esperançosa ilusão: a obra representa uma perfeita, mas visionária, república, algures numa ilha que alguns leitores acreditaram ter sido recentemente descoberta. Muitos anos após a primeira publicação de Viagens de Gulliver, persistiu-se na assunção de que os liliputianos e os gigantes da sátira de Jonathan Swift eram reais. Recentemente, ao ler uma passagem de um livro de qualidade duvidosa sobre a história das religiões – não me recordo qual era o título –, dei com uma pequena narrativa sobre uma suposta e muito antiga seita religiosa de origem judaico-cristã. A certa altura, depois de muito reflectirem, rezarem e interpretarem os textos sagrados, chegou-se à conclusão brilhante de que a praxis da seita devia assentar em quatro pilares essenciais, dos quais não se deviam desviar um milímetro que fosse. Segundo os membros dessa seita, os textos sagrados impediam-nos de questionar ou pôr em causa o que estava acima deles, evocar ou adorar o que estava abaixo deles, relembrar ou praticar o que estava por trás deles – numa evidente referência ao pecado original e concupiscências do passado; por fim, mas não menos importante, a quarta premissa consistia em não tentar adivinhar o que estava diante deles. O futuro unicamente a deus pertence. Após uns bons anos de paz e entendimento entre esta pequena comunidade, gerou-se a certa altura uma enorme discussão sobre qual deveria ser o caminho a seguir na futura organização da comunidade. Sem nunca terem ido a lado nenhum, provavelmente fartos uns dos outros e estando de acordo entre si, segundo os textos sagrados, relativamente ao facto de não poderem ir para cima, nem para baixo, nem para trás, nem tão pouco para frente, desentendem-se definitivamente sobre a omissão pecaminosa do eterno sobre o que estaria para sua esquerda ou para sua direita. Diz-se que foi assim que nasceram os partidos políticos.
Poderia referir outros exemplos, mas parece-me que estes são suficientes para demonstrar que a interpretação errónea que se faz do que se escreve ou dos livros é, na maior parte das vezes, culpa – como dizem os ingleses –, dos dumb readers e não dos smart writers.
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Jaime Bulhosa

segunda-feira, fevereiro 1

READ BOOKS

A Gente de Smiley


O telefonema que certa noite arranca da cama George Smiley, chefe interino do Circus, é uma súplica para que volte ao serviço activo. Mas, como em breve Smiley descobrirá, é para enterrar o caso que o chamam, e não para o solucionar. Um velho conhecido morto a tiro em Hampstead Heath, uma mulher de idade residente em Paris a quem foi prometido o regresso de uma filha que nunca verá, uma fotografia tirada num bordel de Hamburgo - e George Smiley, já na reforma, é de novo convocado para o serviço…
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Edição: Dom Quixote
Título: A Gente de Smiley
Autor: John Le Carré
Isbn:9789722038454
Pvp: 18.00€