quarta-feira, junho 30

Ma Dalton


- Quanto custa este livro?
- 20 euros.
- Mas este livro valia 16 euros o ano passado.
- Não, minha senhora, sempre foi a 20 euros.
A cliente com uma voz muito calma, insiste:
- Eu não estou doida, diga lá, o preço é 16 euros, não é?
- Não, minha senhora, deve estar a confundir com a edição importada, essa sim, custava 16 euros.
- O que é que me está a querer dizer, que a minha memória está fraca? Não vou aceitar. Você não tem o direito. Você é um impertinente que me está a chamar velha tonta e o único tonto aqui é você, ouviu!...
Enquanto diz mais alguns impropérios, tira da mala de mão uma pistola que aponta ao livreiro, coloca um sorriso nos lábios e num tom de voz muito amável, pergunta novamente:
- Quanto custa este livro?
- 16 euros, minha senhora, sem nenhuma sombra de dúvida.
Responde o livreiro de braços no ar e tilintando as pernas por todos os lados.

Pode-se conseguir mais com uma palavra amável e uma pistola, do que só com uma palavra amável.

Al Capone
-
Jaime Bulhosa

Com a garganta entalada


Relata-se no livro Raridades da Natureza e da Arte, de Pedro Norberto de Aucourt e Padilha, editado no ano de 1759 que «a senhora condessa do Redondo Mãe muitos anos viveu com a goela totalmente tapada para poder comer, e só ao meio-dia, que lha abria com instrumento de ferro o Cirurgião da Câmara de Sua Majestade António Soares, é que podia receber alimento. Desta, e de outras queixas igualmente extravagantes (e todas mal empregadas no seu merecimento e virtudes) sarou de repente com o susto do terramoto de 1755.» É mais ou menos assim que eu me sinto, desde ontem à noite, como se tivesse qualquer coisa entalada na garganta, chamada Queiroz. E não é Eça.

Jaime Bulhosa

Hoje às 18h30

Literatura Catalã

As Vozes do Rio Pamano, Jaume Cabré, Edições Tinta-da-China, tradução de Jorge Fallorca

Com a presença de Jorge Fallorca (tradutor) e Sebastià Bennasar (jornalista e escritor)

terça-feira, junho 29

Na Síria

«Esta crónica inconsequente foi iniciada antes da guerra. Depois foi posta de lado. Mas agora, após quatro anos de guerra, dei por mim a pensar cada vez mais naqueles dias passados na Síria, e por fim senti-me impelida a tirar os meus apontamentos e os meus toscos diários para fora e a completar aquilo que começara e pusera de lado. Pois parece-me que é bom recordar que esses dias e esses lugares existiram, e que neste preciso instante a minha pequena colina de calêndulas está em flor, e que os velhos de barbas brancas que se arrastam atrás dos burros talvez nem saibam que existe uma guerra.»

Foi no deserto sírio, no intervalo dos cacos, que Agatha Christie escreveu muitos dos seus crimes. Na Síria é a memória de como foi inteiramente feliz ali. Os Árabes gostavam quando ela chegava. Tudo a fazia rir.

Alexandra Lucas Coelho, Prefácio

edição: tinta-da-china

título: Na Síria

autor: Agatha Cristie

tradução: Margarita Piriquito

coordenação da colecção: Carlos Vaz Marques

formato: 14,5x20cm (encadernado)

n.º pág.: 283

isbn: 9789896710459

pvp: 17.90 €

segunda-feira, junho 28

Catalunha em pó

A próxima sessão de Catalunha em pó, realizar-se-á na quarta-feira, 30 de Junho, às 18h30 e não dia 29, como estava anunciado.

O Apogeu de Miss Jean Brodie

Miss Jean Brodie é uma professora singular. Romântica, heróica, cómica e trágica, as suas ideias são avançadas, entrando em conflito com as convenções estabelecidas. E quando decide transformar um grupo de jovens raparigas sob a sua tutela na nata da nata da escola Marcia Blaine, às quais inculca as suas ideias morais e estéticas com o propósito de lhes evitar um futuro de rotina e vulgaridade, ninguém consegue prever o que acontecerá.

Em troca da sua lealdade incondicional, o grupo Brodie é iniciado num mundo de jogos adultos e intrigas que nunca irá esquecer.


título: O Apogeu de Miss Jean Brodie
autora: Muriel Spark
tradução: Margarida Periquito
revisão: Helder Guégues
edição: Ahab, 2010
(inclui um ensaio de James Woods, sobre a obra)
pvp: 15.95€


sexta-feira, junho 25

George Steiner Em The New Yorker



Nesta colectânea de ensaios publicados em The New Yorker, a amplitude e a profundidade dos conhecimentos de George Steiner são, uma vez mais, evidentes, revelando a sua aptidão excepcional para identificar importantes figuras esquecidas da História, como Albert Speer, arquitecto e ministro do armamento de Hitler que passou quase vinte anos na prisão de Spandau, e uma enorme capacidade de reavaliação e questionamento, como a anãlise pertinente e original que faz da obra 1984, de George Orwell.
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Os ensaios de Steiner são proezas de síntese, interpretação, inteligência e versatilidade, abarcando um amplo espectro: Grahamm Greene, Borges, Webern, Thomas Bernahrd, o xadrex, Céline, Cioran, Canetti, Brecht, Anthony Blunt (historiador de arte britânico e espião soviético), e muitos outros. O volume encontra-se organizado tematicamente: história e política, escrita e escritores, pensadores e estudos de vidas.
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título: George Steiner em The New Yorker
autor: George Steiner / Robert Boyers (org.)
tradução:Joana Pedroso Correia e Miguel Serras Pereira
edição: Gradiva, 2010
isbn: 9789896163716
pvp: 21.00€

quinta-feira, junho 24

Escolhe tu

- Vasco, já para cama!
- Tá bem, mas primeiro tens que me ler uma história.
- Escolhe lá a história para eu ler.
- Não pai, escolhe tu.
- Está bem. Esta?
- Não, essa não!
- Então, esta?
- Não, essa também não.
- Esta é muita gira e é do meu tempo.
- Não, essa tem uns desenhos muito mal feitos.
- Não são mal feitos, são antigos.
- Não pai, escolhe outra.
- Ai! Já estou a ficar farto, escolhe tu.
- Não, escolhe tu!
- Esta?
- Está bem… pronto! Pode ser essa.
Depois de ler a história, e de luz apagada.
- Pai!
- Sim...
- Adoro quando és tu que escolhes o livro para ler.

Jaime Bulhosa

Os Filhos do Nosso Bairro


Originalmente publicado em árabe em 1959, sob a forma de folhetins no jornal Al-Ahram do Cairo, o romance Os Filhos do Nosso Bairro teve a oposição severa das autoridades religiosas e a sua publicação já sob a forma de livro foi proibida no Egipto. Hoje, editado pela primeira vez em Portugal e traduzido directamente do árabe, as maravilhosas histórias que o compõem encantarão os leitores. Os Filhos do Nosso Bairro é um romance constituído por pequenas histórias sobre as vidas dos descendentes de um egípcio, Gabalawi, e dos seus filhos que vivem no bairro que vai crescendo e rodeando a sua mansão. Cada uma das cinco histórias se centra no surgimento de um "salvador" que vem remir os habitantes do bairro de governantes criminosos perversos, dando origem a uma época de paz e prosperidade. No entanto, após a morte de cada um destes notáveis salvadores, os habitantes do bairro regridem inevitavelmente para uma vida governada pela ganância e pela ânsia de poder que os conduz de novo à criminalidade. Mahfouz tece uma narrativa encantadora que acompanha várias gerações através dos seus triunfos e sofrimentos, explorando a importância da esperança, da espiritualidade, da justiça e da noção de história de um povo face à opressão.


edição: Civilização
título: Os Filhos do nosso Bairro
autor: Naguib Mahfouz
tradução: Badr Hassanein
formato: 16,8x23,4cm
n. pág.: 430
isbn: 9789722630610
pvp: 18.50

quarta-feira, junho 23

Sugestão de leitura


A razão da sem-razão que à minha razão se faz de tal maneira enfraquece a minha razão. Que com razão me queixo da vossa formosura. […] Os altos céus que da vossa divindade divinamente com as estrelas vos fortificam e vos fazem merecedora do merecimento que merece a vossa grandeza.

Feliciano de Silva

Nota: Foi ao ler coisas como esta que a maior personagem da literatura de sempre ficou maluquinha.

História da Humanidade


Há uns meses, estive no Egipto, na cidade do Cairo, junto da grande pirâmide de Gize, e tive o privilégio de ouvir e estar, com um dos mais respeitados egiptólogos portugueses. Outro dia, calhando em conversa com a minha sobrinha, a propósito de um trabalho escolar para a disciplina de Educação Visual, cujo tema era a pirâmide de Gize, resolvi, como qualquer tio chato, repetir como um papagaio, a palestra que tinha ouvido do famoso egiptólogo:

«[…] a mais antiga e única das sete maravilhas do mundo antigo, ainda intacta é a maior das mais de 80 pirâmides que existem no Egipto, construída em honra do faraó Quéops, por volta de 2560 a.C. Situada nos limites do Cairo, na margem ocidental do Nilo, e flanqueda pelas ligeiramente mais pequenas pirâmides de Quéfren e de Miquerinos, contém cerca de 2,3 milhões de blocos de pedra calcária compacta, alguns com mais de três toneladas de peso. Cada lado mede, na base, 230 metros e, apesar da erosão e outros danos terem reduzido a sua altura original em cerca de 10 metros (actualmente mede 135 metros), a pirâmide foi, até ao século XIX, a estrutura mais alta do mundo. O esforço envolvido na construção das pirâmides – foi dito a Heródoto que estiveram envolvidos mais de 100 mil homens e que muitos deles morreram sem perceber bem para quê –, tem intrigado os estudiosos desde então, sobre o verdadeiro significado e utilidade das pirâmides. Os egiptólogos tem dito que as pirâmides do Egipto são imensamente grandes, imensamente antigas e, como é do consenso geral, extremamente inúteis. O que interessava não era a pirâmide, mas construir a pirâmide.»

- Sabes, ao reflectir sobre isto, não pude deixar de fazer o paralelo, entre este momento histórico e todo o significado e finalidade da História da Humanidade. Percebes o que eu quero dizer, Carolina?

A minha sobrinha, depois de abrir a boca num grande bocejo, responde:

- Não tio! Só para o ano é que vou ter Filosofia.


Jaime Bulhosa

Brooklyn

Numa pequena vila irlandesa dos anos cinquenta, Eilis é uma das muitas pessoas da sua geração que não consegue arranjar trabalho. Quando surge uma oportunidade na América, é-lhe evidente que tem de partir. Jovem, sozinha e saudosa, Eilis começa uma nova vida em Brooklyn e a sua tristeza vai sendo gradualmente apaziguada. Quando notícias trágicas a obrigam a regressar à Irlanda, vê-se confrontada com uma escolha terrível: entre o amor e a felicidade na terra a que pertence e as promessas que tem de manter do outro lado do oceano. Uma história de partida e regresso, de amor e perda, da escolha entre a liberdade pessoal e o dever.


edição: Bertrand
título: Brooklyn
autor: Colm Tóibin
tradução: C.Santos
formato:16x23cm
pvp: 16.90€


segunda-feira, junho 21

Sobre ofertas, vales e outros brindes



Entra uma cliente, olha em volta, girando 180 graus a cabeça, não encontra o que procura e pergunta:
- Onde estão os livros com ofertas e brindes?
- Bem, na verdade, não tenho livros nessas condições, porque...
- Francamente!
E foi embora.

O livreiro franze o sobrolho e range os dentes maquiavelicamente, ao mesmo tempo que viaja no tempo, muitos anos para trás, antes mesmo da lenda de Gilgamesh:

Estava um homem a ser perseguido por um enorme animal, o qual, com contínua vigilância esperava a sua morte. O homem estava escondido na sua pequena gruta e, por uma fresta, espreitava o grande perigo. Entretanto, veio um estranho Ser que mais se parecia com um deus e que logo caçou o animal e o matou. Então, o homem, fazendo aos astros do universo sacrifício de uma mulher que não a sua, muito feia, agradeceu à sua nova divindade e logo saiu da gruta para celebrar a liberdade recuperada; no entanto, logo foi privado dela, juntamente com a vida, pelas terríveis garras do Ser. Os outros homens, perplexos com o que viam, imediatamente acharam que o Ser se tinha sentido ofendido com tão pobre oferenda.

Assim nasceu a religião, o temor a Deus, os sacrifícios das virgens, o machismo e as ofertas da treta.
-
Jaime Bulhosa

O Desfile de Primavera


Considerado o grande romance de Richard Yates, a par de "Revolutionary Road", "O Desfile da Primavera" conta a história de duas irmãs, Sarah e Emily Grimes. Conhecemo-las quando ainda são pequenas, com os pais recém-divorciados. Ao longo de quarenta anos, acompanhamos os caminhos que as tornam mulheres muito diferentes, embora ambas tentando lidar com um mesmo passado difícil. Sarah, a estável, a determinada, fica a viver em Long Island, num casamento infeliz, acabando por sucumbir ao seu desespero silencioso; Emily, a precoce, a independente, vai para Nova Iorque, percorre vários empregos sem interesse, dorme com vários homens, perde a carreira e perde-se no álcool. Neste sombrio e magistral romance, e com mestria que caracteriza toda a sua obra, Richard Yates reforça a ideia de que não existe aquilo a que se chama uma vida normal.


edição: Quetzal
título: O Desfile de Primavera
autor: Richard Yates
tradução: Nuno Guerreiro Josué
formato: 15x23cm
n.º pág.: 245
isbn: 9789725648865
pvp:14.95 €

sábado, junho 19

A livraria Trama


A livraria Trama encerra hoje portas, com a realização de uma festa, pelas 21h30. A Pó dos Livros deseja, sinceramente, que se concretize a vontade dos proprietários em reabrir noutro local. Já agora, aproveitamos, para desmentir categoricamente o boato, sobre a livraria Pó dos Livros, sugerido nesta notícia do Jornal i.


O mundo


Em epígrafe ao seu livro Le Monde et le pantalondition augmentée 1989), Samuel Beckett coloca este diálogo:

Cliente: Deus fez o mundo em seis dias e você não é capaz de me fazer umas calças em seis meses.

Alfaiate: mas, meu caro senhor, veja o mundo e veja as suas calças.

sexta-feira, junho 18

Imbeciclopédia VIII


Acredito que existem pelo menos duas coisas que são infinitas, o universo e a estupidez humana, e em relação à primeira tenho algumas dúvidas.

Albert Einstein

As coisas que lemos:

De todos os seres vivos, deste planeta, o homem é o maior dos imbecis. No início dos anos 90, o cientista Tim Benton visitou um atol inabitado chamado Dulce Island, a mais remota das ilhas Pitcairn, 4970 milhas a leste da Austrália. Na praia, encontrou as seguintes 954 peças de entulho: 268 pedaços de plástico inidentificáveis; 171 garrafas de vidro; 74 tampas de garrafa; 71 garrafas de plástico; 67 bóias pequenas; 60 fragmentos de bóia; 46 bóias grandes; 44 pedaços de corda: 29 pedaços de tubo de plástico; 25 sapatos; 18 frascos; 14 grades; 8 lâminas de cobre; 7 latas de aerossol; 7 latas de bebidas e de produtos alimentares; 6 lâmpadas fluorescentes; 6 lâmpadas incandescentes; 4 latas de óleo; 3 isqueiros; 2 tampas de caneta; 2 cabeças de boneca; 2 luvas; 1 inalador para a asma; 1 capacete de protecção da construção civil; 1 bola de futebol (furada); 1 seringa de cola; 1 pneu de camião; 1 cabide de plástico; 1 palmilha de plástico; 1 peça de jogo; 1 lata pequena de gasolina; 1 coador de chá; 1 empada de carne enlatada; 1 soldadinho de brincar; 1 livro de banho baleia e meio avião de brincar.

José Saramago 1922-2010


Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria é só um dia mais.

José Saramago

quinta-feira, junho 17

A Trama


(clique na imagem)


«A Trama vai encerrar, deixando vazio o 25B da Rua de São Filipe Nery. E apesar de coisas destas serem notícias tristes, a Trama vai ‘celebrar’ o encerramento, no sábado, com uma festa de entrada livre (mas com consumo mínimo de um livro, o que parece muito lógico). Depois das más notícias, ficam as boas: a Trama não vai desaparecer e está a preparar-se para regressar em breve, noutro local e de outro modo. É estarem atentos. E fazerem figas.»

(Notícia: Cadeirão Voltaire)

Uma arte perdida

- Psst! Psst!

Diz um cliente, fazendo um movimento com o dedo indicador, como quem diz: chegue aqui!

- Sim, faça favor.

O cliente falando muito rápido e baixinho:

- Tem o livro co… car… ta?

- Desculpe, mas não o ouvi.

O livreiro aproximando mais o ouvido da origem do som e o cliente subindo um pouco o tom de voz:

- Se tem o livro Como C… na Mat?

- Mais uma vez peço desculpa, mas não percebi o que disse.

O cliente enchendo-se de coragem:

- Se tem o livro COMO CAGAR NA MATA – uma abordagem ecológica de uma arte perdida?

O livreiro completamente estupefacto:

- Só pode estar a gozar comigo!?...

- Não, não… por amor de Deus! Só não sei é se o livro está traduzido.


Jaime Bulhosa

Portugal e a Grande Guerra 1914-1918


Em termos simples, podemos dizer que a 1ª Guerra Mundial é um componente do período longo de conflitos globais do século XX (1914-1945), que marca a transição da hegemonia inglesa para a americana. No período posterior às Guerras Napoleónicas (depois de 1815) criou-se um sistema unipolar de hegemonia britânica, que vigorou até ao último quartel do século XIX. A Inglaterra era o coração da revolução industrial que transformava o mundo, e Londres era o centro financeiro, económico, militar e tecnológico do planeta. No último quartel do século XIX esta situação começa a mudar rapidamente, por efeito daquilo a que muitos autores chamam 3ª revolução industrial, marcada pelo desenvolvimento da electricidade, dos combustíveis líquidos, do motor de explosão e da indústria química. A Inglaterra, que era a primeira economia mundial em 1860, passava já para terceiro lugar em 1905, numa transição entre uma economia mundial com um só poder de primeira ordem (a Inglaterra), para outra com três (Estados Unidos da América, Alemanha e Inglaterra). Do mesmo modo, houve importantes ajustamentos nos poderes de segunda ordem, com economias como a da França e da Itália em queda e outras, como a da Rússia e do Japão, em pujante desenvolvimento. É esta vaga de fundo que está na origem da revisão dos valores da vivência internacional e de graves crises de alteração do equilíbrio global e regional.

edição: QuidNovi 2010 -.- autor: Carlos matos Gomes e Aniceto Afonso -.- n.º pág.: 512 -.- isbn: 9789896281830 -.- pvp: 39.95€

quarta-feira, junho 16

Fobofobia (8)

Um homem e uma mulher apaixonam-se à primeira vista. Até aqui, tudo normal. Nos primeiros dias de uma promissora relação, em que tudo ainda é apenas descoberta e novidade, o homem decide confessar-lhe que sofre de sarmassofobia (1). Ela, por seu lado, confessa-lhe que sofre de partenofobia (2). No entanto, continua a querer casar com ele, porque assim resolveria de vez a sua anuptafobia (3). Ele lamenta desapontá-la, mas infelizmente não pode casar com ela, porque, ao mesmo tempo, sofre de gamofobia (4) e de socerafobia (5). E, muito provavelmente, a sua sarmassofobia (1) deriva da filematofobia (6). Se não fosse isso, casaria com ela de bom grado, apesar de sofrer também de caligenofobia (7). Mas isso, no caso dela, não teria qualquer importância.

1- Sarmassofobia (fobia de fazer amor)
2- Partenofobia (de virgens)
3- Anuptafobia (de ficar solteira)
4- Gamofobia (de casamento)
5- Socerafobia (de Sogros)
6- Filemotofobia (de beijar)
7- Caligenofobia (de mulheres bonitas)
8- Fobofobia (de fobias)
-
Jaime Bulhosa

Dostoiévski, Andréev, Tolstói


A minuciosa burocracia, exaltada satiricamente, é o tema essencial da inacabada fantasia de O Crocodilo de Dostoiévski. Prefigurando Kafka, a situação gira sobre si mesma e vai revelando os caracteres. Pode ser considerada arbitrária a vizinhança, neste volume, de Andréev e de Dostoiévski. Deveria no entanto observar-se que os dois coincidem no ímpeto patético e na desconsolada visão de um mundo hostil. O Lázaro de Andréev, depois de passar pela morte, sente que aqui na terra tudo é inconsistente. e no seu olhar atroz parece estar escrito o fim. Nos dois textos precedentes, o elemento fantástico é claro desde o princípio. Em A Morte de Ivan Illitch, de Lev Tolstói, a revelação sobrenatural chega, inevitável e surpreendente, como a última experiência de uma alma.


Jorge Luis Borges


edição: Editorial Presença
título: Dostoiévski. Andréev, Toltói
autor: A.A.V.V.
tradução: Editorial Presença
formato: 12x22,5cm
n.ºpág.: 189
isbn:9789722343817
pvp: 13.80€

segunda-feira, junho 14

O Gerânio - Contos Dispersos


Nesta edição reúnem-se num único volume, e pela primeira vez, todos os contos que Flannery O’Connor foi publicando, de forma dispersa, em revistas literárias. Alvo de rasgados elogios e de múltiplos prémios, estes contos percorrem toda a carreira literária desta importante autora. Com esta publicação concluí-se a tradução integral para língua portuguesa da sua obra ficcional.

edição: Cavalo de Ferro

título: O Gerânio - Contos Dispersos

autor: Flannery O' Connor

tradução: Luís Coimbra

formato: 15x22,5cm

n.º pág.: 185

isbn: 978989623117X

pvp:15.80€

sexta-feira, junho 11

Dentro dos livros


Ao folhear um livro antigo encontrei entre as suas folhas um pequeno recorte de jornal. O artigo dava conta dos festejos de uma senhora idosa, da freguesia de Santa Madalena, concelho de Tomar. Em destaque, estava a seguinte frase:

Se chegar a ser velha, não quero ir para um lar.

Maria de Jesus no dia do seu 100.º aniversário.

Nota: Numa rápida pesquisa descobri que Maria de Jesus morreu com 115 anos de idade e era na altura a mulher mais velha do mundo.

Jaime Bulhosa

quarta-feira, junho 9

Wit - ensaios humorísticos

Este livro reúne um conjunto de textos a que chamamos “ensaios humorísticos”, designação que, tendo em conta a relativa má reputação do humor e dos humoristas pode, à primeira vista, constituir um oximoro. E, no entanto, é de ensaios humorísticos que falamos aqui – até porque, além de tudo o mais, Benchley foi uma espécie de enciclopedista do humor. A sua produção é tão vasta e variada que parece não ter sobrado nenhum tema no qual ele não tenha detido um olhar humorístico: quer os temas mais fáceis e acerca dos quais toda a gente tem opinião (como a morte, o amor, ou a guerra), quer os temas mais difíceis, e sobre os quais – não por acaso – os filósofos têm tido mais relutância em reflectir (como a febre dos fenos, as enguias ou as casas de banho). O seu amigo James Thurber diria que um dos maiores medos de qualquer humorista era passar três semanas a trabalhar numa ideia e depois descobrir que Benchley já tinha feito o mesmo mas melhor e mais depressa. […] Robert Benchley foi um humorista a quem os mestres chamavam mestre. Não é para todos.

do prefácio de Ricardo Araújo Pereira

edição: tinta-da-china -.- título: Wit - ensaios humorísticos -.- autor: Robert Benchley -.- tradução: Júlio Henriques -.- Coordenador da colecção: Ricardo Araújo Pereira -.- formato: 13,8x21cm (capa dura) -.- n.º pág.: 357 -.- isbn:9789896710309 -.- pvp: 22.90€

terça-feira, junho 8

À velocidade da luz


À velocidade de mais ou menos de 300 000 Km/s no vácuo, ou seja, à velocidade da luz, escrevo este post porque não tenho tempo para vos entreter de borla (coisa que habitualmente faço com todo o prazer). No entanto, deixo-vos por hoje, e como sempre, com uma interessantíssima informação literária:

Os famosos Cinco:

Júlio, David, Ana, Zé, Tim (o cão)


Jaime Bulhosa

Este é o Tempo dos Assassinos


Acrescenta-se às páginas de O Festim da Aranha para formar uma biologia de histórias encontradas – encontradas na extensão «beltenebra» de muitos anos de leituras.

O assassínio nas suas variações exercício da morte decidida sempre pela reflexão ou pelo ímpeto não dominado, mas a escolher o indivíduo; levado a tema (como o amor, a guerra ou a traição).

O assassino: indiferente às morais que justificam o castigo, ou a admitir-se vítima dos olhares vendados da Injustiça e da Fatalidade; a percorrer a história com as insolências do executor impune.

A morte; programada, desejada, e em muitos exemplos belamente imaginada – do Outro.

Variações sobre o assassínio encontradas e traduzidas por Aníbal Fernandes.


edição: Assirio & alvim -.- título: Este é o Tempo dos Assassinos -.- autor: A.A.V.V. -.- tradução: Aníbal Fernades -.- Selecção de textos: Aníbal Fernandes -.- formato: 13,5x20,5cm -.- n.º pág.: 346 -.- isbn: 9789723714548 -.- pvp: 18.00 €

segunda-feira, junho 7

Um dia difícil


- Por favor, eu queria aquele livro?...

- Olhe! Desculpe, mas eu estava primeiro e também quero esse livro.

- Desculpe, mas não estava!

- Estava sim senhor!

- Já lhe disse que NÃO ESTAVA!

- AI ISSO É QUE ESTAVA!

- Perdão… perdão… PERDÃO MEUS SENHORES!

Fez-se silêncio.

- Sou eu quem está a atender. Por isso, sou eu quem sabe quem estava primeiro.

- Então diga lá, quem estava primeiro?

Pergunta um dos clientes beligerantes.

- Bem, para dizer a verdade… estava de costas quando os senhores entraram.

- EU NÃO DISSE SEU ANORMAL!

- A QUEM É QUE CHAMOU ANORMAL! SEU IDIOTA!

- IDIOTA EU, EU?!... VOCÊ É QUE É UM...

O livreiro numa última tentativa desesperada:

- MEUS SENHORES, PAZ! ‘’


‘’ PAZ: Do castor lê-se que quando é perseguido, sabendo ser pela virtude dos seus medicinais testículos, e se já não puder fugir, detém-se e, para conseguir a paz com os caçadores, com os seus cortantes dentes arranca os testículos, e deixa-os ao inimigo.

Da Vinci, Leonardo, Bestiário, Fábulas e Outros Escritos, BI.026 (2007)

Jaime Bulhosa

Imbeciclopédia VII


Acredito que existem pelo menos duas coisas que são infinitas, o universo e a estupidez humana, e em relação à primeira tenho algumas dúvidas.

Albert Einstein


As coisas que lemos:


A Birmânia (hoje Mianmar) é um país onde a adivinhação é uma arte praticada por muita gente. Diz-se que os birmaneses, por se encontrarem geograficamente entre a China e a Índia, as duas grandes fontes dessa tradição, foram particularmente hábeis em combinar a sabedoria oculta desses vizinhos, fazendo com que os seus mestres, ainda hoje, tenham grandes «poderes».
Em tempos recentes, a astrologia e as práticas ocultas também foram determinantes para a vida de Ne Win (Chefe de Estado da Birmânia entre 1958-1988) e para a sobrevivência da sua ditadura militar. Como acontece com a maior parte dos povos asiáticos, também os birmaneses crêem que um facto não é inevitável e que o vaticínio de uma desgraça permite que ela seja evitada por quem devia ser atingido por ela. Não só granjeando boas acções, mas também fazendo com que aconteça qualquer coisa que aparentemente seja semelhante à desgraça prevista e que por isso satisfaz, digamos assim, as exigências do Destino. Ne Win foi um mestre dessa arte.
Uma vez, por exemplo, um dos astrólogos de confiança de Ne Win aconselhou-o a precaver-se contra um perigo grave: a direita revoltar-se-ia inesperadamente e ele seria deposto. Ne win, então, deu ordens para que de um dia para o outro se começasse a conduzir pela direita e não pela esquerda, como acontecia desde o tempo dos ingleses. Todo o país ficou baralhado, mas com esta «sublevação de direita» a profecia, à sua maneira, concretizou-se e ele evitou a revolta «autêntica». Em 1988 o mesmo astrólogo advertiu Ne Win de que o país estava à beira de uma grande catástrofe: as ruas da capital cobrir-se-iam de sangue e ele seria obrigado a fugir do país. Quando, pouco tempo depois, com o massacre de milhares de estudantes, as ruas de Rangum se cobriram efectivamente de sangue, Ne Win compreendeu que a segunda parte da profecia em breve se realizaria também e que precisava de encontrar uma escapatória. O próprio astrólogo lha sugeriu. Dado que em birmanês, de certo modo como em inglês, o verbo «fugir» é semelhante ao verbo «voar», o presidente não teria de «fugir» se, vestido como um dos grandes reis do passado, fosse capaz de «voar» até aos lugares mais remotos do país montado num cavalo branco. Fácil Ne Win pegou num cavalo de madeira (um cavalo de verdade seria perigoso), mandou pintá-lo de branco, meteu-o num avião, subiu-lhe para a garupa vestido como um rei dos antigos e voou até aos quatro cantos da Birmânia.
-
Nota: Por mais incrível que pareça, esta história é verdadeira.

Diálogo do Frango e da Franga


O Frango: Oh, meu Deus, minha galinha, estás tão triste; que tens? A Franga: Meu caro amigo, pergunta-me, antes, pelo que não tenho. Uma maldita criada tomou-me entre os joelhos, mergulhou-me uma longa agulha no cu, agarrou a minha matriz, enrolou-a à volta da agulha, arrancou-a e deu-a de comer ao gato. E eis-me incapaz de receber os favores do cantor lírico do dia e de pôr ovos. O Frango: Ai!, minha querida, eu perdi mais do que tu; fizeram-me uma operação duplamente cruel: nem tu nem eu voltaremos a ter consolação neste mundo; fizeram-vos frango e a mim franga. A única ideia que serenou o meu estado deplorável foi a que ouvi, há alguns dias, junto à minha capoeira, debatida entre dois abades italianos a quem tinha sido perpetrado o mesmo ultraje para que pudessem cantar diante do papa com uma voz mais cristalina.

edição: Estrofes & Versos -.- título: Diálogos do Frango e da Franga -.- autor: Voltaire -.- formato: 13x20 cm -.- n.º pág.: 152 -.- pvp: 12.00€

sexta-feira, junho 4

Timor - pedido de professora

Caros amigos,

Alguns sabem e outros nem por isso (e assim aqui vai a notícia) mas estou em Timor a dar aulas na UNTL (Universidade Nacional de Timor Leste) no âmbito de uma colaboração com a ESE do Porto. Aquilo que vos venho pedir é o seguinte: livros. Não vou dar a grande conversa que é para montar uma biblioteca ou seja o que for, porque não é. O que se passa é o seguinte… não sei muito bem como funcionam as instituições, nem fui mandatada para angariar seja o que for, mas o que é certo é que sou (somos!) muitas vezes abordados na rua por pessoas que desejariam aprender português mas não possuem um livro sequer e vão pedindo, o que é mto bom.O que é certo é que a minha biblioteca pessoal não suportaria tanta pressão e nem eu, nos míseros 50 quilos a que tive direito na viagem, pude trazer grande coisa para além dos livros de trabalho de que necessito.

(continuar a ler no blogue do Rui Tavares)

Imbeciclopédia VI

Acredito que existem pelo menos duas coisas que são infinitas, o universo e a estupidez humana, e da primeira tenho algumas dúvidas.

Albert Einstein



As coisas que lemos:

Os americanos de todas as idades, todas a condições e todas as tendências formam constantemente associações.

Alexis de Tocqueville, em Da Democracia na América (1840)

Nos Estados Unidos há cerca de 100 000 associações e clubes conhecidos; sete em cada dez americanos pertencem a pelo menos uma. Entre elas incluem-se:
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Benevolent and Loyal Order of Pessimists
Benevolente e Leal Ordem dos Pessimistas
Fundada em 1975.
Propósito: Para quê perder tempo a referi-lo?
Reúne anualmente a 15 de Abril, aniversário do naufrágio do Titanic. Recentemente, o seu presidente foi citado como tendo dito: «Estou pessimista em relação ao dia do Juízo Final.»
Abreviatura: BLOOP
Lema: Não importa o que seja, não conte com isso.

Procratisnators club of América
Clube de Procrastinadores da América.
Fundada em 1956
Propósito: Ainda não sabe bem e continua à espera de eleger o seu primeiro presidente. Protestou contra a Guerra de 1812 em 1967.
Abreviatura: Por decidir.
Lema: Estamos sempre atrás de si.

Society for Basic Irreproducible Reserach
Sociedade para a Pesquisa Elementar Irreproduzível
Fundada em 1956.
Propósito: Mitigar a vanguarda da pesquisa científica.
Publica estudos como «Calcular a Velocidade da Escuridão e a sua Possível Relevância para a Manutenção dos Relvados», «Utilização de procedimentos de Lipoaspiração-Placebo pelos Pacientes como Tratamento para Anorexia Nervosa«.

International Association of Profissional Bureaucrats
Associação Internacional dos Burocratas profissionais
Fundada em 1968
Propósito: Promove a excelência na inacção dinâmica, no diálogo orbital e na não reacção criativa.
Abreviatura: INAPROBU
Lema em caso de dúvida, resmungue.

Memórias de Adriano


Memórias de Adriano tem a forma de uma longa carta dirigida pelo velho imperador, já minado pela doença, ao jovem Marco Aurélio, que deve suceder-lhe no trono de Roma (século II d.C.). Pouco a pouco, através desta serena confissão ficamos a conhecer os episódios decisivos da vida deste homem notável. Vencedor do prémio Femina Varesco, este romance é seguramente um dos mais importantes de Marguerite Yourcenar e uma das obras de referência da literatura contemporânea.


Excerto
« (…) alma terna e flutuante, companheira do meu corpo, de que foste hóspede, vais descer àqueles lugares pálidos, duros e nus onde terás que renunciar aos jogos de outrora. Contemplemos juntos, um instante ainda, as praias familiares, os objectos que certamente nunca mais veremos… Procuremos entrar na morte de olhos abertos…»


edição: Ulisseia (grupo babel)
título: Memórias de Adriano
autor: Margueritte Yourcenar
tradução: Maria Lamas
formato: 16x23cm (encadernado)
isbn: 9789725686270
pvp: 24.00€

quarta-feira, junho 2

Sonho de um livreiro feito de várias leituras


As figuras imaginárias têm mais relevo e verdade do que as reais.
Fernando Pessoa


Durante o último quartel do século XIX, viveu no vale entre as duas colinas mais antigas de Lisboa um livreiro adivinho. Não sabemos se era mais livreiro ou se era mais adivinho. Certo é que comercializava livros ao mesmo tempo que lia aos seus clientes o que já estava escrito lá em cima, como diria Jacques, o Fatalista. O livreiro adivinho era uma figura estranha, de rosto comprido onde assentava na perfeição um bigode e pêra de Dom Quixote, barriga de Sancho Pança e sorriso largo de Huckleberry Finn. Vestia normalmente uma espécie de túnica, igual à do fiel criado asiático do Conde de Monte Cristo. Usava o cabelo comprido muito escuro, apesar da idade, preso atrás das orelhas, e tinha pele morena, que, juntamente com os livros que sempre carregava consigo, compunham o quadro do bibliotecário de Arcimboldo.
O livreiro adivinho acreditava que fantasmas de escritores falavam com ele. Principalmente um velho poeta a quem dava o nome de La Pléiade*. Contava que, de noite, quando se encontrava sozinho na livraria, lhe apareciam os espíritos dos escritores que involuntariamente evocava enquanto lia os seus livros. Dizia que a escrita só por si de nada valia, mas, quando complementada com a leitura, tinha o poder de se transformar em magia. Durante toda a sua vida, jurou ter partilhado opiniões com Voltaire, Diderot, Flaubert, Stendhal, Chateaubriand. Falava com eles na única língua estrangeira que conhecia, o francês. Também lhe aparecia, de vez em quando, Shakespeare a falar inglês antigo, língua de que infelizmente nada percebia, mas que jurou para si mesmo, na próxima encarnação, dominar na perfeição. No entanto, gostava de ouvir Shakespeare, só por ouvir. Os espíritos destes grandes escritores não o incomodavam, pelo contrário, até porque destes encontros esotéricos resultavam, normalmente, debates acesos sobre o que considerava serem os mais importantes temas da humanidade, a Metafísica e a Escrita, tendo sido esta última inventada para satisfazer duas necessidades humanas essenciais: comunicar com os outros sem estarmos presentes, por um lado, e porque essa é a melhor forma de falar com os deuses, por outro.
Comenta-se entre os livreiros que morreu a 13 de Junho de 1888 e renasceu no mesmo dia, com o nome de Fernando Pessoa.



Jaime Bulhosa

terça-feira, junho 1

O Coração É Um Caçador Solitário




No Sul profundo dos Estados Unidos, em plena década da Grande Depressão, num cenário desolado, de pobreza, intolerância e isolamento, John Singer, um mudo, torna-se de súbito confidente de um grupo de personagens desenquadradas da sociedade. Todos procuram à sua maneira preencher o vazio deixado pelos sonhos perdidos - e todos, por algum motivo, acham que Singer os compreende. Mas Singer, impassível na sua mudez, não tenta alcançar nada senão a atenção de um amigo que não manifesta mais que indiferença… Uma obra expressiva e poderosa que permanece actual na sua projecção de uma realidade intrínseca à condição humana.


edição: Presença
título: O Coração é Um Caçador Solitário
autor: Carson McCullers
tradução: Marta Mendonça
formato: 14,5x23cm
n. pág.: 353
isbn: 9789722343398
pvp: 18.50€

Os livros não mexem


Uma vez pediram-me para contar uma lição de vida, aprendida a trabalhar em livrarias. Respondi que talvez tenha sido a de verificar que existem pessoas que praticam a ignorância de livre e espontânea vontade. Sempre me intrigou o caso de duas pessoas com a mesma profissão, vindas de meios sociais semelhantes, ambas com acesso privilegiado a uma biblioteca, em que uma lê e a outra não. Quando penso nisso, lembro-me sempre da fábula do sapo que morre de fome impossibilitado de se alimentar, quando à sua volta tem um monte de moscas mortas, prontinhas a comer. No entanto, é verdade que um sapo tem o cérebro superdesenvolvido para caçar moscas em movimento, mas, infelizmente, é incapaz de ver aquilo que não mexe.


Jaime Bulhosa

Dia Mundial da Criança


De manhã, a caminho da escola.

- Pai, sabes que hoje é o Dia Mundial da Criança?
- Sim, sei.
- Compras-me uma prenda?
- Não!
- Puxa, pai!
- Pronto, só se for um livro.
- Oh... é sempre a mesma coisa.

Nota: Onde foi que eu errei?

Jaime Bulhosa