
Junto à secção de gastronomia, oiço a seguinte conversa entre dois clientes:
- Não sou vegetariano porque adoro animais.
- E eu sou vegetariano porque detesto plantas.

Junto à secção de gastronomia, oiço a seguinte conversa entre dois clientes:
- Não sou vegetariano porque adoro animais.
- E eu sou vegetariano porque detesto plantas.

edição: Asa
título: Sunset Park
autor: Paul Auster
tradução: José Vieira de Lima
formato: 14x21cm (capa mole)
n.º Pág.: 230
isbn:9789892310206
pvp: 16.00€


Poisa no balcão um montão de livros de auto-ajuda, pensamento positivo e autoconfiança. Dirige ao livreiro um sorriso, no entanto, fá-lo com esforço, embora sincero. As suas mãos tremem e o seu semblante é o retrato da depressão.
- Quando nos sentimos em baixo agarramo-nos a qualquer coisa que nos dê algum conforto, não é?
-Nem queira saber… desde que comecei a ler este tipo de livros já emagreci dez quilos, comecei a beber e a minha mulher deixou-me.
O livreiro, incrédulo, aplaude:
- Quer dizer, então… que estes livros resultam mesmo!?...

Com 78 anos de idade, o narrador e personagem principal deste novo livro de Daniel Sampaio é um dia confrontado com uma situação comum a muitos homens da sua idade - o casamento de um neto. Convidado para a festa, feliz por não ter sido esquecido, parte para uma longa viagem mental nas profundidades da sua memória. Começa por esse neto, Afonso, que o fez sentir velho pela primeira vez, aos 60 anos; aqui recupera a memória de Luísa, a colega na escola onde ambos ensinavam e partilhavam projectos e sonhos profissionais; recua até aos 40 anos, à figura de Mariana, sua mulher e companheira de sempre, mas que por esta altura da vida o confronta com a fragilidade das relações humanas, a começar pelo amor; e enfim, chega aos 20 anos, à adolescência e à juventude, onde tudo começa, para o bem e para o mal
edição: Caminho
título: Memórias do Futuro
autor: Daniel Sampaio
formato: 13,5x21cm (capa mole)
n.º pág.: 174
isbn: 978972121385
pvp: 15.00€
edição: D.Quixote
título: Divórcio em Buda
autor: Sándar Márai
tradução: Ernesto Rodrigues
formato: 15,5x23,5cm (capa mole)
n.º pág.: 184
isbn: 978972204133
pvp: 14.00€

Não sou religioso. Também não sou ateu. Fico-me por aquilo a que poderão chamar, se quiserem, um disparate. Ou seja, defino-me como um agnóstico de pendor ateísta. A ideia de morte, da inevitabilidade, de que também eu um dia vou morrer, assusta-me, como penso que acontece à maior parte das pessoas. Contudo, nada como a experiência, o acumular dos anos, a “sabedoria”, a literatura, para serenar o “espírito” sobre esse inexorável momento. Tenho, acho, através da leitura, do conhecimento daqueles que já foram e nos deixaram o seu pensamento, avançado imenso nas conclusões possíveis sobre este assunto. Das duas uma: ou direi no meu último sopro de vida, no fechar definitivo das minhas pálpebras, o que Auguste Rodin disse - «Que pena, agora que eu começava a entender alguma coisa sobre isto»; ou, direi, simplesmente, como Robert Brooke disse - «Olá!».
Jaime Bulhosa
Hoje, às 18h30: Apresentação do livro Bearn ou a Sala das Bonecas, de Llorenç Villalonga, edição Teorema, com a presença das tradutoras Helena Tanqueiro e Anna Cortlis. Mais uma sessão do ciclo sobre literatura catalã Catalunha em Pó.

Uma enciclopédia ficcional composta de pequenas biografias de autores pan-americanos imaginários. Estes nazis literários - fascistas, fanáticos e reaccionários - são retratados numa galeria de medíocres alienados, snobes, oportunistas, narcisistas e criminosos. Numa entrevista, Roberto Bolaño referiu-se aos seus autores nazis na América como uma metáfora do mundo das letras, às vezes heróico, outras desprezível. E, na verdade, ainda que inventados, estes escritores são personagens de histórias, essas sim reais, de grandes nomes da Literatura das américas.
edição: Quetzal
título: A Literatura Nazi Nas Américas
autor: Roberto Bolaño
tradução: Cristina Rodriguez e Artur Guerra
formato: 23,5x15cm (capa mole)
n.º pág.: 224
isbn: 9789725649091
pvp: 15.95€

O problema da estupidez é que ela por si só pode não deixar de ser funcional.
Rodolfo Herique Cerbaro
Conta-se que um conhecido astrofísico e poeta francês, Michel Cassé, colocou a seguinte questão científica: «Sabendo que uma torrada cai sempre do lado da manteiga e que os gatos caem sempre em cima das quatro patas, perante estas duas verdades fundamentais, que se passará com um gato untado de manteiga?» Até ontem esta questão nunca tinha tido resposta.
Pensei eu… tenho um gato, tenho manteiga, tenho torradas e vivo num sétimo andar...
Jaime Bulhosa



Qual é coisa qual é ela?
Não é ave nem mulher,
E de ambas tem o nome;
Voa sem ninguém a ver,
Tem com Deus grande poder,
E nos brados se conhece;
Quando esta ave vem,
As outras desaparecem.
Resposta: Ave Maria
Nota: conheço esta adivinha desde muito pequenino, se não me engano, vinha no livro da minha primeira classe e, até hoje, não a entendi. Alguém é capaz de ma explicar?
Jaime Bulhosa

Consta que a mais jovem escritora a ganhar um lugar no panteão da grande literatura inglesa foi Daisy Ashford, que escreveu The Young Visiters, or, Mister Salteena’s Plan, com apenas nove anos de idade. O livro foi apresentado pelo criador de Peter Pan, J.M. Barrie, em 1919 (apropriado).
O romancista inglês a publicar um primeiro romance com a idade mais avançada foi William de Morgan. Sofrendo de depressão, Morgan foi aconselhado pelo seu médico a escrever ficção como terapia. Daqui resultou o romance Joseph Vance (1906), escrito aos 67 anos de idade. Teve um enorme sucesso e seguiram-se outros. A terapia foi, evidentemente, Prozac literário.
Henry-Pierre Roché era um jornalista francês respeitado, bem como negociante e coleccionador de arte. Mas ficou, principalmente, conhecido por ter escrito o romance Jules et Jim, em 1953, o qual seria, mais tarde, adaptado para o cinema pelo cineasta François Truffaut. O romance autobiográfico foi editado quando Roché contava já 74 anos de idade.
Entre nós, poderia mencionar alguns nomes de romancistas tardios, como por exemplo José Saramago. Contudo, prefiro lembrar que existem vários outros candidatos, para também inscrever o seu nome como o romancista português estreante com a idade mais provecta. Não é por nada, é que são várias as personalidades da nossa elite cultural que andam, há anos, a anunciar o seu primeiro romance.
Jaime Bulhosa
edição: Sextante
título: A assombrosa viagem de Pompónio Flato
autor: Eduardo Mendoza
tradução: António Pescada
formato: 15x23,5cm (capa mole)
n.ºpág.:151
isbn: 9789896760274
pvp: 13.90€

- Eu desejava um livro para raparigas, tipo um diário de uma jovem que transmitisse valores morais, religiosos e bons costumes. Um livro que fosse um exemplo de vida para as miúdas a quem eu dou catequese?
O livreiro pensando um bom bocado para não meter água.
- Que tal o Diário de Uma Princesa?
A cliente um pouco desconfiada, interroga:
- Essa princesa é das boazinhas ou é daqueles que têm uma vida completamente leviana?
- Ó minha senhora, esteja descansada. As levianas não têm tempo para escrever diários.

Aleksandr Sergeyevich Pushkin, nasceu em Moscovo, na Rússia em 1799. Escritor da era Romântica, considerado por muitos como o maior poeta russo, fundou a moderna literatura russa.
Publicou o seu primeiro poema aos 15 anos. Gradualmente comprometido com a reforma social foi-se assumindo como o porta-voz dos literários radicais. Em 1820 entrou em choque com o governo e foi exilado para Sul do país. Sobre forte vigilância da censura e proibido de viajar e de publicar, escrever a sua peça mais famosa, Boris Godunov, publicada apenas uns anos depois. Em 1837, afundado em dívidas e com os rumores de um caso da sua mulher, Natalya Goncharova, com George D’anthés, desafia este para um duelo. Pushkin é ferido com gravidade e viria a morrer dois dias depois. Em
edição: Estrofe & Versos
título: A Dama de Espadas
autor; Aleksandr S. Pushkin
tradução: do russo por Mónica Cozacenco
formato: 10x15cm
n.pág.: 65
isbn: 9789898292384
pvp: 5.00€
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Devemos ser o último (caso raro) blogue da especialidade a noticiar que o vencedor do Prémio Nobel da Literatura deste ano foi Mário Vargas Llosa. No entanto, existe uma razão singela para tal facto ter acontecido: é que me sinto pouco confortável a falar dos feitos da família.
Conversa telefónica com uma tia da província:
- Está lá!
- Estou sim.
- Tens que falar mais alto que eu não oiço bem.
- ESTOU SIM.
- É a tua tia, aqui da aldeia.
- SIM TIA, PASSA-SE ALGUMA COISA?
- Nada filho. Era só para te fazer uma pergunta.
- PERGUNTE TIA, ESTEJA À VONTADE.
- Ó filho, acabei agora mesmo de ouvir na TVI que um tal Mário Bulhosa ganhou um prémio muito importante do Nubel dos Livros. Ouve lá filho! Como tu trabalhas numa papelaria, deves saber: ele é alguma coisa à família?
Jaime Bulhosa
edição: Jonathan Cape London 2010
É já um gesto comum tirar os óculos do estojo, soprar directamente para as lentes e limpá-los no lençol da cama. Porque que é aí que eu leio, na cama, na maior parte das vezes, talvez porque sou preguiçoso, desculpem, mas não existe melhor local para preguiçar. De seguida coloco-os no nariz e prendo-os por detrás das orelhas e inicio, agora, uma nítida leitura. De vez em quando eles escorregam e deslizam, até à ponta do nariz, eu deixo-os estar, mais uma vez por preguiça ou por simples inércia. Limito-me a movimentar um pouco a cabeça de forma a focar novamente a página. Depois passa um dos miúdos e diz: «Estás sempre a ler!» Outro: «Ó pai, pareces mesmo um avô com esses óculos». Mais tarde alguém que passa e que não é criança diz: «Esses óculos dão-te personalidade, credibilidade, gosto!» Eu retiro os óculos do nariz. Dobrando-os, marco o sítio do livro onde ia, olho profundamente, franzindo muito os olhos para o nada e penso: a sabedoria vem quase sempre com a desilusão.
Jaime Bulhosa


«A mais indiscutível virtude de Kafka é a invenção de situações intoleráveis. Para a impressão perdurável bastam-lhe uns breves apontamentos. A elaboração, em Kafka, é menos admirável que a invenção. Homens, há apenas um em toda a sua obra: o homo domesticus - tão judeu e tão alemão -, desejoso de encontrar um lugar, nem que seja o mais humilde, numa qualquer ordem; no universo, num ministério, num asilo de lunáticos, na prisão. O argumento e o ambiente são o essencial; não as evoluções da fábula nem a penetração psicológica. Daí a primazia dos seus contos sobre os seus romances; daí o direito de afirmar que esta compilação de narrativas nos dá integralmente a medida de um tão singular escritor.»
Jorge Luis Borges
Edição: Editorial Presença
Título: O Abutre
Autor: Kafka
Tradução: Editorial Presença
Formato: 12x22,5cm (capa mole)
N.º pág.: 107
Isbn: 9789722344302
Pvp: 12.90€

Outro dia, alguém me entregava um manuscrito de um livro da autoria de uma familiar para que eu o lesse e lhe desse a minha (humilde) opinião. Tarefa que eu detesto fazer. Mesmo mostrando má cara e explicando à pessoa em causa que não sou nenhum crítico literário, apenas leitor que por acaso é livreiro, acabei por aceitar, por cansaço, perante tanta obstinação. Ao folhear o livro perguntei à portadora da obra se esta continha um preâmbulo que me pudesse facilitar o entendimento da mesma. Assustei-me, dei um verdadeiro pulo na cadeira, apanhado de surpresa, com o grito exacerbado, e estupidamente inadequado, como reacção à minha simples (julguei eu) pergunta.
- PREÂMBULO!?... Que horror! Sobre que porcarias o senhor julga que a minha filha escreve?
Arrancou o manuscrito da minha mão e foi-se embora furibunda.
Nota: Um preâmbulo (do latim Preambulus) é, no mesmo sentido que prefácio, «o que precede», embora geralmente seja escrito pelo autor e contenha informação sobre as suas intenções ao escrever o livro.
Por exemplo, como no preâmbulo deste livro: Estude estas regras e imite os ingleses, o resultado só pode ser um: se não for bem-sucedido a imitá-lo, torna-se ridículo; se for bem-sucedido, torna-se ainda mais ridículo.
Jaime Bulhosa

Com o seu admirável ritmo narrativo e clareza de escrita salpicada de humor, Mário Zambujal apresenta-nos Eva Teresa, garota de onze anos, e Filipe, rapaz de dezoito, que namora com a irmã, Rosália. Há uma grande empatia entre a pequena e o futuro cunhado, mas a vida afasta-os com a viagem da família para o Brasil. Eva torna-se mulher e Filipe acaba por se apaixonar por ela, levando-o a viajar ao seu encontro. Entre episódios imprevisíveis que enlaçam mistério e comicidade, ambos só se reencontram em Sintra onde iniciam um romance atribulado.
No seu estilo inconfundível, Mário Zambujal traz-nos uma obra em que se aliam a vontade de saborear cada passo da trama e o prazer da leitura.
edição: Clube do Autor
título: Dama de Espadas
autor: Mário Zambujal
formato: 16x23cm (capa mole)
n.º pág.: 218
isbn: 978-989-8452-04-7
pvp: 15.95€

Não há ideia mais estúpida que possamos ter do que arranjar um professor para nos fazer acreditar nela.
- Ando há quarenta anos a estudar com o maior Professor de O Poder da Mente. E hoje vou atravessar o rio Tejo, andando sobre as suas águas.
- Sim!?…
- Por isso, venho aqui comprar uma Bíblia, novinha em folha, para levar comigo nesta travessia.
O livreiro, muito surpreendido (preparando-se para chamar o 112 ), alerta a cliente numa tentativa desesperada de a chamar à razão:
- Desculpe, eu não tenho intenção de me intrometer, mas sabe da existência dos cacilheiros? É que eu não tenho bíblias impermeáveis.

Leonard Cohen, o consagrado músico, conta neste romance a história do jovem Lawrence Breavman. Filho único de uma família abastada, Lawrence procura fora de casa o que não consegue encontrar junto do pai doente e da mãe neurótica: amor e beleza. Na companhia de Krantz, o melhor amigo, explora ávidamente o mundo, que gira obsessivamente em torno de um único eixo: o sexo oposto. Na ânsia de abafar um passado deprimente e castrante que chegou ao fim com a morte do pai, é através das mulheres que Lawrence vai tacteando e conhecendo a vida, mesmo quando a carne e o desejo se transformam numa prisão tão sufocante como o passado. O seu jogo favorito Lawrence descobre-o
Edição: Alfaguara
Título: O Jogo Favorito
Autor: Leonard Cohen
Tradução: Alice rocha
Formato: 15x24cm (capa mole)
n.º pág.: 290
isbn: 9789896720476
pvp: 16.50€
