sexta-feira, outubro 29

Cadeia alimentar


Junto à secção de gastronomia, oiço a seguinte conversa entre dois clientes:

- Não sou vegetariano porque adoro animais.

- E eu sou vegetariano porque detesto plantas.

Sunset Park


Durante os meses sombrios do colapso económico de 2008, quatro jovens ocupam ilegalmente uma casa abandonada em Sunset Park, um bairro perigoso de Brooklyn. Bing, o cabecilha, toca bateria e dirige o Hospital das Coisas Escangalhadas, onde conserta relíquias de um passado mais próspero. Ellen, uma artista melancólica, é assaltada por visões eróticas. Alice está a fazer uma tese sobre a forma como a cultura popular encarava o sexo no pós-guerra. Miles vive consumido por uma culpa que o leva a cortar todos os laços familiares. Em comum têm a busca por coerência, beleza e contacto humano.
São quatro vidas que Paul Auster entrelaça em tantas outras para criar uma complexa teia de relações humanas, num romance sobre a América contemporânea e os seus fantasmas.

edição: Asa

título: Sunset Park

autor: Paul Auster

tradução: José Vieira de Lima

formato: 14x21cm (capa mole)

n.º Pág.: 230

isbn:9789892310206

pvp: 16.00€

quinta-feira, outubro 28

Nerdciclopédia I



Eu acredito que existem
15,747,724,136,275,002,577,605,653,961,181,555,468,964,717,914,527,116,709,366,231,425,076,185,631,031,296 protões no universo e o mesmo número de electrões.

Sir Arthur Eddington, (astrofísico 1882-1944)

Nota: sinto-me agora esclarecido, elucidado.

Auto-ajuda


Poisa no balcão um montão de livros de auto-ajuda, pensamento positivo e autoconfiança. Dirige ao livreiro um sorriso, no entanto, fá-lo com esforço, embora sincero. As suas mãos tremem e o seu semblante é o retrato da depressão.

O livreiro, gordo e bonacheirão, genuinamente imbuído de simpatia, interpela o cliente:

- Quando nos sentimos em baixo agarramo-nos a qualquer coisa que nos dê algum conforto, não é?

-Nem queira saber… desde que comecei a ler este tipo de livros já emagreci dez quilos, comecei a beber e a minha mulher deixou-me.

O livreiro, incrédulo, aplaude:

- Quer dizer, então… que estes livros resultam mesmo!?...

Memórias do Futuro


Com 78 anos de idade, o narrador e personagem principal deste novo livro de Daniel Sampaio é um dia confrontado com uma situação comum a muitos homens da sua idade - o casamento de um neto. Convidado para a festa, feliz por não ter sido esquecido, parte para uma longa viagem mental nas profundidades da sua memória. Começa por esse neto, Afonso, que o fez sentir velho pela primeira vez, aos 60 anos; aqui recupera a memória de Luísa, a colega na escola onde ambos ensinavam e partilhavam projectos e sonhos profissionais; recua até aos 40 anos, à figura de Mariana, sua mulher e companheira de sempre, mas que por esta altura da vida o confronta com a fragilidade das relações humanas, a começar pelo amor; e enfim, chega aos 20 anos, à adolescência e à juventude, onde tudo começa, para o bem e para o mal

edição: Caminho

título: Memórias do Futuro

autor: Daniel Sampaio

formato: 13,5x21cm (capa mole)

n.º pág.: 174

isbn: 978972121385

pvp: 15.00€

quarta-feira, outubro 27

Divórcio em Buda


O último expediente chegado à mesa de trabalho de Kristóf Kömives, juiz na Budapeste de entre guerras, é o divórcio dos Greiner. Mais um caso, não fosse o nome de solteira da mulher, Anna Fazekas, fazer o magistrado perder a sua imutável serenidade.

Imre Greiner e Kristóf haviam sido colegas de escola, mas é a lembrança de Anna que é mais intensa para o juiz: a evocação de instantes fugazes passados com ela são o suficiente para perturbar, depois de tantos anos, o aparente sossego da sua respeitável vida burguesa. E quando Greiner se apresenta em sua casa com a notícia do suicídio da mulher, Kristóf não consegue resistir ao turbilhão de pensamentos que inunda o seu espírito. No decurso de uma noite, Kristóf assumirá o duplo papel de acusado e testemunha da confissão de Greiner, que, à medida que conta a história do seu casamento com Anna, porá em evidência o abismo que separa os dois homens.

Assim, tendo como pano de fundo o estalar iminente da guerra mais devastadora que a Humanidade conheceu, a morte da mulher que ambos amaram dá-lhes a oportunidade de reflectir sobre vivências e sentimentos que nunca foram capazes de partilhar com ninguém, e redimir em parte, talvez, os erros que os levaram à situação actual.

edição: D.Quixote

título: Divórcio em Buda

autor: Sándar Márai

tradução: Ernesto Rodrigues

formato: 15,5x23,5cm (capa mole)

n.º pág.: 184

isbn: 978972204133

pvp: 14.00€

segunda-feira, outubro 25

Últimas ou primeiras palavras


Não sou religioso. Também não sou ateu. Fico-me por aquilo a que poderão chamar, se quiserem, um disparate, ou seja, defino-me como um agnóstico de pendor ateísta. A ideia de morte, da inevitabilidade, de que também eu um dia vou morrer, assusta-me, como penso que acontece à maior parte das pessoas. Contudo, nada como a experiência, o acumular dos anos, a “sabedoria”, a literatura, para serenar o “espírito” sobre esse inexorável momento. Tenho, acho, através da leitura, do conhecimento daqueles que já foram e nos deixaram o seu pensamento, avançado imenso nas conclusões possíveis sobre este assunto. Das duas uma: ou direi no meu último sopro de vida, no fechar definitivo das minhas pálpebras, o que Auguste Rodin disse - «Que pena, agora que eu começava a entender alguma coisa sobre isto»; ou, direi, simplesmente, como Robert Brooke disse - «Olá!».
Jaime Bulhosa

Catalunha em Pó

Hoje, às 18h30: Apresentação do livro Bearn ou a Sala das Bonecas, de Llorenç Villalonga, edição Teorema, com a presença das tradutoras Helena Tanqueiro e Anna Cortlis. Mais uma sessão do ciclo sobre literatura catalã Catalunha em Pó.

A Literatura Nazi Nas Américas

Uma enciclopédia ficcional composta de pequenas biografias de autores pan-americanos imaginários. Estes nazis literários - fascistas, fanáticos e reaccionários - são retratados numa galeria de medíocres alienados, snobes, oportunistas, narcisistas e criminosos. Numa entrevista, Roberto Bolaño referiu-se aos seus autores nazis na América como uma metáfora do mundo das letras, às vezes heróico, outras desprezível. E, na verdade, ainda que inventados, estes escritores são personagens de histórias, essas sim reais, de grandes nomes da Literatura das américas.

edição: Quetzal

título: A Literatura Nazi Nas Américas

autor: Roberto Bolaño

tradução: Cristina Rodriguez e Artur Guerra

formato: 23,5x15cm (capa mole)

n.º pág.: 224

isbn: 9789725649091

pvp: 15.95€

quinta-feira, outubro 21

Imbeciclopédia XVII




O problema da estupidez é que ela por si só pode não deixar de ser funcional.

Rodolfo Herique Cerbaro



Conta-se que um conhecido astrofísico e poeta francês, Michel Cassé, colocou a seguinte questão científica: «Sabendo que uma torrada cai sempre do lado da manteiga e que os gatos caem sempre em cima das quatro patas, perante estas duas verdades fundamentais, que se passará com um gato untado de manteiga?» Até ontem esta questão nunca tinha tido resposta.

Pensei eu… tenho um gato, tenho manteiga, tenho torradas e vivo num sétimo andar...


Jaime Bulhosa

Uma Viagem à Índia


Uma arrojadíssima obra literária a que é impossível ser indiferente. Gonçalo M. Tavares, um dos mais conceituados escritores portugueses da actualidade, propõe uma Epopeia portuguesa para o séc. XXI. Com o melhor da argúcia, lucidez e ironia a que Gonçalo M. Tavares já nos habituou, Uma Viagem à Índia relata-nos a viagem existencial de um homem -um herói, Bloom -, um português que «procurará o impossível: encontrar a sabedoria enquanto foge; fugir enquanto aprende.»

edição: Caminho
título: Uma Viagem à Índia
autor: Gonçalo M. Tavares
prefácio de Eduardo Lourenço
formato: 14,5x21,5cm (capa dura)
n.º pág.: 455
isbn: 978-972-21-2130-9
pvp: 25.00€

Convite


A Imprensa de Ciências Sociais e a Pó dos livros convidam para a sessão de lançamento do livro O Campo Vem à Cidade: Agricultura Biológica, Mercado e Consumo Sustentável, de Mónica Truninger.
A obra será apresentada pelo Professor José Portela (CETRAUD-UTAD) e pelo Dr. António Capoulas (AGROBIO).
A sessão terá lugar hoje, dia 21 de Outubro, pelas 18h30, na Pó dos livros, Av. Marquês de Tomar, 89-A, em Lisboa.




quarta-feira, outubro 20

Imbeciclopédia XVI


Qual é coisa qual é ela?

Não é ave nem mulher,

E de ambas tem o nome;

Voa sem ninguém a ver,

Tem com Deus grande poder,

E nos brados se conhece;

Quando esta ave vem,

As outras desaparecem.

Resposta: Ave Maria

Nota: conheço esta adivinha desde muito pequenino, se não me engano, vinha no livro da minha primeira classe e, até hoje, não a entendi. Alguém é capaz de ma explicar?

Jaime Bulhosa

A Última Noite em Twisted River


Em 1954, no pavilhão de refeições da serração de um acampamento de lenhadores, no Norte do New Hampshire, um ansioso rapaz de doze anos confunde a namorada do chefe da polícia local com um urso. Tanto o rapaz de doze anos como o pai são forçados a fugir de Coos County para Boston, Vermont e Toronto, perseguidos pelo implacável polícia. O seu único protector é um lenhador libertino, antigo condutor de toros, que se torna amigo deles. Numa história que abrange cinco décadas, A Última Noite em Twisted River retrata o último meio século nos Estados Unidos. Desde a primeira frase do romance até ao último capítulo, A Última Noite em Twisted River foi escrito com autenticidade histórica e emocional. O que mais o distingue é a voz inconfundível do autor - a voz inimitável de um exímio contador de histórias

edição: Civilização
título: A Última Noite em Twisted River
autor: John Irving
tradução: Fátima Vieira
formato: 15,5x23,5cm
n.º pág.: 654
isbn: 9789722632591
pvp:22.00€

segunda-feira, outubro 18

O primeiro romance

Consta que a mais jovem escritora a ganhar um lugar no panteão da grande literatura inglesa foi Daisy Ashford, que escreveu The Young Visiters, or, Mister Salteena’s Plan, com apenas nove anos de idade. O livro foi apresentado pelo criador de Peter Pan, J.M. Barrie, em 1919 (apropriado).

O romancista inglês a publicar um primeiro romance com a idade mais avançada foi William de Morgan. Sofrendo de depressão, Morgan foi aconselhado pelo seu médico a escrever ficção como terapia. Daqui resultou o romance Joseph Vance (1906), escrito aos 67 anos de idade. Teve um enorme sucesso e seguiram-se outros. A terapia foi, evidentemente, Prozac literário.

Henry-Pierre Roché era um jornalista francês respeitado, bem como negociante e coleccionador de arte. Mas ficou, principalmente, conhecido por ter escrito o romance Jules et Jim, em 1953, o qual seria, mais tarde, adaptado para o cinema pelo cineasta François Truffaut. O romance autobiográfico foi editado quando Roché contava já 74 anos de idade.

Entre nós, poderia mencionar alguns nomes de romancistas tardios, como por exemplo José Saramago. Contudo, prefiro lembrar que existem vários outros candidatos, para também inscrever o seu nome como o romancista português estreante com a idade mais provecta. Não é por nada, é que são várias as personalidades da nossa elite cultural que andam, há anos, a anunciar o seu primeiro romance.

Jaime Bulhosa

A assombrosa viagem de Pompónio Flato


No século I da nossa era, Pompónio Flato viaja pelos confins do Império Romano em busca de águas com efeitos prodigiosos. O acaso e a precariedade da sua sorte levam-no a Nazaré, onde vai ser executado o carpinteiro da aldeia, acusado do assassinato brutal de um rico cidadão. Contra a sua vontade, Pompónio vê-se imerso na investigação do crime, contratado por um extraordinário cliente: o filho do carpinteiro, criança cândida e singular, convencida da inocência do pai. Cruzando os géneros histórico, policial, hagiográfico e a paródia de todos eles, eis a obra mais insólita e surpreendente de Eduardo Mendoza, e também uma das mais ferozmente divertidas.

edição: Sextante

título: A assombrosa viagem de Pompónio Flato

autor: Eduardo Mendoza

tradução: António Pescada

formato: 15x23,5cm (capa mole)

n.ºpág.:151

isbn: 9789896760274

pvp: 13.90€

quinta-feira, outubro 14

Diários de princesas

- Eu desejava um livro para raparigas, tipo um diário de uma jovem que transmitisse valores morais, religiosos e bons costumes. Um livro que fosse um exemplo de vida para as miúdas a quem eu dou catequese?

O livreiro pensando um bom bocado para não meter água.

- Que tal o Diário de Uma Princesa?

A cliente um pouco desconfiada, interroga:

- Essa princesa é das boazinhas ou é daqueles que têm uma vida completamente leviana?

- Ó minha senhora, esteja descansada. As levianas não têm tempo para escrever diários.

A Dama de Espadas


Aleksandr Sergeyevich Pushkin, nasceu em Moscovo, na Rússia em 1799. Escritor da era Romântica, considerado por muitos como o maior poeta russo, fundou a moderna literatura russa.

Publicou o seu primeiro poema aos 15 anos. Gradualmente comprometido com a reforma social foi-se assumindo como o porta-voz dos literários radicais. Em 1820 entrou em choque com o governo e foi exilado para Sul do país. Sobre forte vigilância da censura e proibido de viajar e de publicar, escrever a sua peça mais famosa, Boris Godunov, publicada apenas uns anos depois. Em 1837, afundado em dívidas e com os rumores de um caso da sua mulher, Natalya Goncharova, com George D’anthés, desafia este para um duelo. Pushkin é ferido com gravidade e viria a morrer dois dias depois. Em 1937 a cidade de Tsarskoe Selo altera o seu nome para Pushkin, em sua honra.

edição: Estrofe & Versos

título: A Dama de Espadas

autor; Aleksandr S. Pushkin

tradução: do russo por Mónica Cozacenco

formato: 10x15cm

n.pág.: 65

isbn: 9789898292384

pvp: 5.00€

quarta-feira, outubro 13

Hoje na Pó dos livros: As TREZE*, o Lesbianismo e a Primeira República

(para aumentar clique sobre a imagem)
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"Ao assumir na lei e nas instituições sociais a família nuclear burguesa, patriarcal e heterossexual, e o ideário do "homem novo" ao serviço da sociedade, a Primeira República foi o período em que, na sociedade portuguesa, a homossexualidade deixou de ser apenas pecado e passou a ser assim também doença e crime. Olhadas de uma nova forma, as relações afectivas e sexuais entre pessoas do mesmo sexo, passaram a ser combatidas de nova forma com o fim de serem extirpadas da sociedade. Assim, os comportamentos homossexuais passam a ser estigmatizados, omitidos e atirados para a não existência e em particular o lesbianismo assume novos contornos de invisibilidade."
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*O GRUPO DAS TREZE surgiu em 1911 e pretendia combater a ignorância e as superstições, o obscurantismo, o dogmatismo religioso e o conservadorismo que afectavam a sociedade portuguesa e impediam a emancipação das mulheres.

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Para celebrar os 100 anos da Implantação da República e lembrar as mulheres republicanas que se destacaram na luta pelo fim da monarquia e pela proliferação dos valores da liberdade, igualdade e fraternidade, como foram o Grupo das Treze, a UMAR desenvolve encontros, tertúlias, acções de rua, durante todo o ano, no dia 13 de cada mês, tal como o Grupo das Treze o fez, de 1911 a 1913.

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As TREZE*, o Lesbianismo e a Primeira RepúblicaTertúlia com SÃO JOSÉ ALMEIDA e MANUELA GÓIS - 13 de Outubro, 18h30, Livraria Pó dos Livros Iniciativa da UMAR http://www.umarfeminismos.org/

terça-feira, outubro 12

Com algum atraso

Devemos ser o último (caso raro) blogue da especialidade a noticiar que o vencedor do Prémio Nobel da Literatura deste ano foi Mário Vargas Llosa. No entanto, existe uma razão singela para tal facto ter acontecido: é que me sinto pouco confortável a falar dos feitos da família.

Conversa telefónica com uma tia da província:

- Está lá!

- Estou sim.

- Tens que falar mais alto que eu não oiço bem.

- ESTOU SIM.

- É a tua tia, aqui da aldeia.

- SIM TIA, PASSA-SE ALGUMA COISA?

- Nada filho. Era só para te fazer uma pergunta.

- PERGUNTE TIA, ESTEJA À VONTADE.

- Ó filho, acabei agora mesmo de ouvir na TVI que um tal Mário Bulhosa ganhou um prémio muito importante do Nubel dos Livros. Ouve lá filho! Como tu trabalhas numa papelaria, deves saber: ele é alguma coisa à família?


Jaime Bulhosa

Nemesis

edição: Jonathan Cape London 2010
título: Nemesis
autor: Philip Roth
formato: 14x22cm (capa dura)
n.º pág.:280
isbn:9780224089531
pvp: 18.00€

segunda-feira, outubro 11

Já passei dos quarenta e ainda não li a "Guerra e Paz"

É já um gesto comum tirar os óculos do estojo, soprar directamente para as lentes e limpá-los no lençol da cama. Porque que é aí que eu leio, na cama, na maior parte das vezes, talvez porque sou preguiçoso, desculpem, mas não existe melhor local para preguiçar. De seguida coloco-os no nariz e prendo-os por detrás das orelhas e inicio, agora, uma nítida leitura. De vez em quando eles escorregam e deslizam, até à ponta do nariz, eu deixo-os estar, mais uma vez por preguiça ou por simples inércia. Limito-me a movimentar um pouco a cabeça de forma a focar novamente a página. Depois passa um dos miúdos e diz: «Estás sempre a ler!» Outro: «Ó pai, pareces mesmo um avô com esses óculos». Mais tarde alguém que passa e que não é criança diz: «Esses óculos dão-te personalidade, credibilidade, gosto!» Eu retiro os óculos do nariz. Dobrando-os, marco o sítio do livro onde ia, olho profundamente, franzindo muito os olhos para o nada e penso: a sabedoria vem quase sempre com a desilusão.

Jaime Bulhosa

O Abutre



«A mais indiscutível virtude de Kafka é a invenção de situações intoleráveis. Para a impressão perdurável bastam-lhe uns breves apontamentos. A elaboração, em Kafka, é menos admirável que a invenção. Homens, há apenas um em toda a sua obra: o homo domesticus - tão judeu e tão alemão -, desejoso de encontrar um lugar, nem que seja o mais humilde, numa qualquer ordem; no universo, num ministério, num asilo de lunáticos, na prisão. O argumento e o ambiente são o essencial; não as evoluções da fábula nem a penetração psicológica. Daí a primazia dos seus contos sobre os seus romances; daí o direito de afirmar que esta compilação de narrativas nos dá integralmente a medida de um tão singular escritor.»


Jorge Luis Borges

Edição: Editorial Presença

Título: O Abutre

Autor: Kafka

Tradução: Editorial Presença

Formato: 12x22,5cm (capa mole)

N.º pág.: 107

Isbn: 9789722344302

Pvp: 12.90€

sexta-feira, outubro 8

Preâmbulo


Outro dia, alguém me entregava um manuscrito de um livro da autoria de uma familiar para que eu o lesse e lhe desse a minha (humilde) opinião. Tarefa que eu detesto fazer. Mesmo mostrando má cara e explicando à pessoa em causa que não sou nenhum crítico literário, apenas leitor que por acaso é livreiro, acabei por aceitar, por cansaço, perante tanta obstinação. Ao folhear o livro perguntei à portadora da obra se esta continha um preâmbulo que me pudesse facilitar o entendimento da mesma. Assustei-me, dei um verdadeiro pulo na cadeira, apanhado de surpresa, com o grito exacerbado, e estupidamente inadequado, como reacção à minha simples (julguei eu) pergunta.

- PREÂMBULO!?... Que horror! Sobre que porcarias o senhor julga que a minha filha escreve?

Arrancou o manuscrito da minha mão e foi-se embora furibunda.

Nota: Um preâmbulo (do latim Preambulus) é, no mesmo sentido que prefácio, «o que precede», embora geralmente seja escrito pelo autor e contenha informação sobre as suas intenções ao escrever o livro.

Por exemplo, como no preâmbulo deste livro: Estude estas regras e imite os ingleses, o resultado só pode ser um: se não for bem-sucedido a imitá-lo, torna-se ridículo; se for bem-sucedido, torna-se ainda mais ridículo.

George Mikes, in How to Be an Alien, 1946


Jaime Bulhosa

Dama de Espadas


Com o seu admirável ritmo narrativo e clareza de escrita salpicada de humor, Mário Zambujal apresenta-nos Eva Teresa, garota de onze anos, e Filipe, rapaz de dezoito, que namora com a irmã, Rosália. Há uma grande empatia entre a pequena e o futuro cunhado, mas a vida afasta-os com a viagem da família para o Brasil. Eva torna-se mulher e Filipe acaba por se apaixonar por ela, levando-o a viajar ao seu encontro. Entre episódios imprevisíveis que enlaçam mistério e comicidade, ambos só se reencontram em Sintra onde iniciam um romance atribulado.
No seu estilo inconfundível, Mário Zambujal traz-nos uma obra em que se aliam a vontade de saborear cada passo da trama e o prazer da leitura.

edição: Clube do Autor

título: Dama de Espadas

autor: Mário Zambujal

formato: 16x23cm (capa mole)

n.º pág.: 218

isbn: 978-989-8452-04-7

pvp: 15.95€

quinta-feira, outubro 7

Imbeciclopédia XV


Não há ideia mais estúpida que possamos ter do que arranjar um professor para nos fazer acreditar nela.

H.L. Mencken

Entra uma cliente com ar de uma felicidade etérea.

- Ando há quarenta anos a estudar com o maior Professor de O Poder da Mente. E hoje vou atravessar o rio Tejo, andando sobre as suas águas.

- Sim!?…

- Por isso, venho aqui comprar uma Bíblia, novinha em folha, para levar comigo nesta travessia.

O livreiro, muito surpreendido (preparando-se para chamar o 112 ), alerta a cliente numa tentativa desesperada de a chamar à razão:

- Desculpe, eu não tenho intenção de me intrometer, mas sabe da existência dos cacilheiros? É que eu não tenho bíblias impermeáveis.

O Jogo Favorito


Leonard Cohen, o consagrado músico, conta neste romance a história do jovem Lawrence Breavman. Filho único de uma família abastada, Lawrence procura fora de casa o que não consegue encontrar junto do pai doente e da mãe neurótica: amor e beleza. Na companhia de Krantz, o melhor amigo, explora ávidamente o mundo, que gira obsessivamente em torno de um único eixo: o sexo oposto. Na ânsia de abafar um passado deprimente e castrante que chegou ao fim com a morte do pai, é através das mulheres que Lawrence vai tacteando e conhecendo a vida, mesmo quando a carne e o desejo se transformam numa prisão tão sufocante como o passado. O seu jogo favorito Lawrence descobre-o em Nova Iorque, onde se refugia depois de terminada a faculdade e de um êxito precoce como poeta. É aqui que conhece Shell, a mais linda das mulheres, com quem partilha o prazer das sedutoras palavras e dos íntimos silêncios. Descobre, por fim o amor completo, na plenitude inebriante do êxtase que oferece e dos sacrifícios que exige.

Edição: Alfaguara

Título: O Jogo Favorito

Autor: Leonard Cohen

Tradução: Alice rocha

Formato: 15x24cm (capa mole)

n.º pág.: 290

isbn: 9789896720476

pvp: 16.50€

segunda-feira, outubro 4

O que é a República?

Eu, meu senhor, não sei o que é a República, mas não pode deixar de ser uma coisa santa. Nunca na igreja senti um calafrio assim. Perdi então a cabeça, como todos os outros. Todos a perdemos. Atirámos então as barretinas ao ar. Gritámos então todos: Viva, viva, viva a República.
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Depoimento de um soldado implicado na revolta de 31 de Janeiro, durante o julgamento.
Manifesto dos emigrados da revolução republicana portuguesa de 31 de janeiro de 1891.
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in A Republicana - Agenda Prepétua, Colares Editora, 2010

sexta-feira, outubro 1

Ideias Perigosas Para Portugal

Hoje, às 18h30: lançamento do livro Ideias Perigosas para Portugal, edições tinta-da-china, com coordenação de João Caraça e Gustavo Cardoso, este livro será apresentado por Guilherme d'Oliveira Martins.