Haverá alguma coisa mais irritante do que ver outro fazer, espantosamente melhor, aquilo que nós fazemos?
Livreiro anónimo
Haverá alguma coisa mais irritante do que ver outro fazer, espantosamente melhor, aquilo que nós fazemos?
Livreiro anónimo

A Grã-Bretanha está mergulhada na recessão. Um jovem académico de Oxford com tendências de esquerda e a namorada gozam férias durante a época baixa na ilha de Antígua. Aí, cruzam-se com um milionário russo chamado Dima, dono de uma península e de um relógio de ouro cravejado de diamantes, que tem uma estranha tatuagem no polegar direito. Desafiados por ele para uma partida de ténis, os jovens amantes ver-se-ão lançados numa tortuosa viagem que os levará a Paris, a uma casa nos Alpes suíços e aos obscuros claustros da City de Londres, onde serão confrontados com a perversa aliança desta com os Serviços Secretos britânicos.
edição: Dom Quixote
título: Um Traidor dos Nossos
autor: John le Carré
tradução: J. Teixeira de Aguilar
formato: 15,5x23,5cm (capa mole)
n.º pág.: 407
isbn: 9789722043595
pvp: 17.95 €
Diz um bom cliente, em tom de desabafo, ao mesmo tempo que coloca no balcão mais um monte de livros:
- Sabe, quanto mais leio menos convicções tenho.
- Não diga isso...
- Garanto-lhe. Não sei porque compro e leio tantos livros.
- Não diga isso...
- Deixei de ter convicções. Olhe, é como dizia o filosofo: «Apenas tem convicções aquele que nada aprofundou».
- Não diga isso...
- Não só o digo, como afirmo: «Felizes aqueles que são ignorantes».
- Estranho…
- O que tem de estranho?
- Nada… apenas estava a pensar alto no que me acabou de dizer.
- Como assim? Pergunta o cliente curioso.
- Não deve ser nada de importante… No entanto, a ser verdade o que diz, não acha que se veria por aí muito mais gente feliz?
Jaime Bulhosa

(clique na imagem para aumentar)
A Livraria Pó dos livros e a Sextante Editora têm o prazer para vos convidar para o lançamento do livro Pagadores de Crises, de José Goulão, com apresentação a cargo de Miguel Portas e Carvalho da Silva. A sessão decorrerá hoje, dia 26 de Novembro, pelas 18h30.
Uma amiga, ontem, pediu-me para lhe aconselhar um livro de Dostoiévski. Sugeri-lhe o Crime e Castigo. Ela perguntou-me:
- Porquê esse?

Peter e Rebecca Harris, na casa dos quarenta e a viver em Manhattan, aproximam-se do apogeu das suas carreiras em arte: ele, negociante; ela, editora numa boa revista da especialidade. Com um moderno e espaçoso apartamento, uma filha adulta a estudar na universidade em Boston e amigos inteligentes e animados, levam um invejável estilo de vida urbano contemporâneo e parecem ter todas as razões para serem felizes. Mas é então que o irmão de Rebecca surge
edição: Gradiva
título: Ao Cair da Noite
autor: MIchael Cunningham
tradução: Ana Falcão Bastos
formato: 15,5x22cm (capa mole)
n. pág.: 307
isbn: 9769896363969
pvp: 14.50€

Entra um cliente na livraria. Quase não se lhe ouvem os passos, era como se ele caminhasse sobre as águas. Vestia uma espécie de túnica branca, suja, tinha barba e cabelo comprido. O livreiro, de imediato, julga-o um mendigo ou um louco:
- Faça favor.
-Tem o livro da qual eu sou a personagem principal?
O livreiro, não fazendo a mínima ideia de quem tinha à sua frente, responde:
- Não me leve a mal, mas não estou a conseguir identificá-lo, embora o seu rosto não me seja estranho. Pode indicar-me a que obra se refere?
O cliente, erguendo o sobrolho, numa expressão típica de quem se mostra surpreendido, diz:
- Refiro-me, evidentemente, à Bíblia.
O livreiro sorri. Habituado a clientes bizarros, não se atrapalha e afirma.
- Quer dizer então, que o senhor é o próprio Messias!
- Sim, meu filho.
- E quem foi que lhe disse isso?
- Ele. Deus em pessoa.
- O quê!?... Eu disse-lhe isso.

edição: Caminho
título: Obra Poética
autor: Shophia de Mello Breyner Andresen
formato: 16.5x24cm (capa dura)
n.º Pág.: 920
isbn: 9789722121491
pvp: 49.90 €




Julgo-me pela sensação obrigatória de autocrítica. No início sinto que me compreendo perfeitamente. Então digo: ninguém me conhece melhor do que eu, e fico apaziguado. Depois começo a andar às voltas com a minha própria consciência e, de seguida, sou apanhado num turbilhão de sentimentos contraditórios que me afundam, dividem em dois e me tornam ambíguo. Logo de seguida, lembro-me do provérbio: para podermos julgar alguém, é necessário, antes, colocarmo-nos no seu lugar. Mas quando nos colocamos no lugar do outro, neste caso de nós próprios, sentimos exactamente o mesmo que o outro sente. Tornando, assim, o julgamento impossível. Ora, é precisamente essa incapacidade de me colocar no lugar do outro eu que me impossibilita de autocriticar-me. E volto a apaziguar-me, até recomeçar tudo novamente.
Jaime bulhosa

O Sonho do Celta baseia-se na vida do irlandês Roger Casement, cônsul britânico no Congo belga, em inícios do século XX, que durante duas décadas denunciou as atrocidades do regime de Leopoldo II. Este homem, amigo de Joseph Conrad (e que o guiou numa viagem pelo Rio Congo, revelando-lhe uma realidade mais tarde retratada no romance Coração das Trevas), teve uma vida extraordinária, plena de aventura. Acérrimo defensor dos direitos humanos - como também o comprovam os relatórios que redigiu durante a estadia na Amazónia peruana - militou activamente, no fim da sua vida, o nacionalismo irlandês, acabando condenado à morte por traição e executado.
edição: Quetzal
título: O Sonho do Celta
autor: Mario Vargas Lhosa
tradução: Cristina rodriguez
formato: 15x23,5cm (capa mole)
n. pág.: 438
isbn: 9789725649190
pvp: 18.95€

As pessoas são como os livros, têm exactamente os mesmos inimigos, isto é, o seu próprio conteúdo.
Nota: Devo ter lido isto algures, não me perguntem onde, nem quando.
Jaime Bulhosa

O mais revolucionário dos escritores japoneses.
Edição: Clube do Autor
Título O Navio dos Homens
Autor: Takiji Kobayashi
Tradução: Maria João Freire de Andrade
Formato: 16x23,5cm (capa mole)
n.º Pág.: 162
isbn: 9789898452023
pvp: 14.95€

Ler esta passagem, de um texto de um escritor italiano, fez arrepiar todos os pelos do meu corpo. Penso: será esta a nossa própria condição?

Edição: tinta-da-china
Título: Viva México
Autor: Alexandra Lucas Coelho
Formato: 14,5x20cm (capa dura)
n.º pág.: 369
isbn: 9789896710538
pvp: 17.90€

LEV TOLSTÓI
CONFISSÃO
(Prefácio para uma obra não publicada)
Tradução, comentário e notas: Nina Guerra e Filipe Guerra
Em russo no original: Íspoved
1
Fui baptizado e educado na crença cristã ortodoxa. Ensinaram-me esta crença tanto na infância, como durante toda a minha adolescência e juventude. Porém, quando aos dezoito anos abandonei o segundo ano do curso universitário[1], já não acreditava em nada do que me tinham ensinado.
A julgar por algumas recordações, nem sequer tive uma fé a sério, nunca, apenas confiança naquilo que me ensinavam e naquilo que os adultos à minha volta professavam; contudo, era uma confiança muito instável.
Lembro-me de que, pelos meus onze anos aproximadamente, um rapaz de nome Volódenka M.[2] — há muito falecido —, aluno do liceu, nos visitou num domingo e nos anunciou como última novidade uma descoberta feita no liceu. A descoberta consistia
Recordo ainda que, quando Dmítri, o meu irmão mais velho, estudante universitário, de repente e com o arrebatamento próprio dele, se entregou à fé, começando a assistir a todos os ofícios, a cumprir as abstinências, a levar uma vida pura e moral, todos nós, inclusive os adultos, não deixávamos de o ridicularizar e alcunhámo-lo, sabia-se lá porquê, de Noé. Lembro-me de que Mússin-Púchkin[3], que naquela altura superintendia a Universidade de Kazan, nos convidou para um baile em sua casa e tentou persuadir o meu irmão, que se recusava a ir, alegando com ironia que o próprio David dançara diante da Arca[4]. Quanto a mim, solidarizava-me com essas brincadeiras dos adultos e tirava delas a conclusão de que era preciso aprender a catequese, era preciso ir à igreja, mas não valia a pena levar tudo isso demasiado a sério. Recordo também que, ainda muito jovem, li Voltaire e que os seus sarcasmos não só não me indignavam, mas divertiam-me muito.
O meu afastamento da fé sucedeu da mesma forma que acontecia e continua a acontecer actualmente entre as pessoas do nosso tipo de educação. Ao que me parece, na maioria dos casos, ocorre da forma seguinte: as pessoas vivem como toda a gente, sendo que toda a gente vive na base de princípios que não só nada têm em comum com a doutrina religiosa, mas são, ainda por cima, contrários a esta; a doutrina religiosa não participa da vida, e nunca nos sucede lidar com ela nas relações com as outras pessoas nem nos serve de aconselhamento na nossa própria vida; digamos que esta doutrina se professa algures longe da vida e independentemente da vida. Entramos em contacto com ela enquanto fenómeno exterior, apenas, de modo algum ligado à vida.
Nunca é nem foi possível, hoje como no passado, perceber-se apenas pela maneira de viver de uma pessoa se ela é crente ou não. Se existe uma diferença entre aqueles que, com toda a evidência, professam a crença cristã ortodoxa e aqueles que a negam, tal diferença não é a favor dos primeiros. Tanto hoje como no passado, o claro reconhecimento e profissão da crença ortodoxa nota-se na maioria das vezes entre as pessoas mais broncas, cruéis e imorais, mas que se consideram muito importantes. Ora, a inteligência, a honestidade, a bondade e a moral encontram-se, na maioria dos casos, entre as pessoas que se reconhecem descrentes.
Nas escolas ensinam a catequese e mandam os alunos à igreja; exigem que os funcionários públicos apresentem provas de terem comungado. Mas o homem do nosso círculo, se já não estuda nem está no serviço público, nos nossos tempos, e ainda mais antigamente, pode muito bem passar décadas sem alguma vez se lembrar de que vive entre cristãos e, ele próprio, ser considerado adepto do cristianismo ortodoxo.
Logo, tanto agora como antigamente, a doutrina religiosa aceite por confiança e seguida sob uma pressão exterior, vai minguando, a pouco e pouco, sob a influência dos conhecimentos e da experiência da vida contrários à doutrina, e o homem, muitas vezes, vive anos e anos imaginando que a doutrina religiosa que lhe foi comunicada na infância está intacta nele, quando já não existe sequer a sombra dela.
O senhor S.[5], homem inteligente e bom, contou-me como deixara de ter fé. Tinha vinte e seis anos. Andava ele de caçada e ao fim do dia, quando se deitava para a pernoita, começou a dizer a oração nocturna que, por velho hábito, rezava desde a infância. O seu irmão mais velho, que o acompanhava na caça, estava deitado no feno a olhar para ele. Quando S. acabou a reza e foi deitar-se, o irmão disse-lhe: «Então, ainda costumas fazê-lo?»
E não disseram mais nada. Desde esse dia, S. deixou de rezar e de ir à igreja. Há trinta anos que não reza, não comunga nem vai à igreja. Não é porque estivesse a par das convicções do irmão e as partilhasse, nem porque, no fundo da alma, decidisse alguma coisa, mas apenas porque a palavra dita pelo irmão foi como que o empurrão com um dedo na parede prestes a cair sob o seu próprio peso; essa palavra foi o sinal de que no lugar onde acreditava haver fé já só estava um vazio e de que, por isso, as palavras que pronunciava, os sinais da cruz e as reverências que fazia durante a oração eram actos completamente privados de sentido. Ao tomar consciência dessa falta de sentido, não podia continuar a executá-los.
Era isto que acontecia e é isto que está a acontecer, acho eu, a um grande número de pessoas. Falo das pessoas com a nossa educação, das pessoas sinceras consigo próprias, e não daquelas que tornam o próprio objecto da fé um meio de conseguirem objectivos pontuais, quaisquer que sejam. (São estas pessoas que constituem os mais rematados descrentes, porque se a fé for para elas um meio de conseguirem quaisquer objectivos práticos, essa fé, pura e simplesmente, não é fé nenhuma.) Voltando às pessoas da nossa educação, direi que se encontram numa situação em que a luz dos conhecimentos e da vida já derreteu nelas a edificação artificial; e então, ou elas já tomaram consciência disso e libertaram o lugar, ou então ainda não se deram conta desse facto.
A doutrina da fé que me foi transmitida desde a infância desapareceu em mim da mesma maneira que nos outros, com a única diferença de que, por ter começado a ler e a pensar muito cedo, a rejeição da doutrina por minha parte se tornou consciente também muito cedo. Desde os meus dezasseis anos que deixei de rezar e, por minha própria vontade, de ir à igreja e de comungar. Deixei de acreditar no que me foi transmitido na infância, mas tinha fé em qualquer coisa. Não poderia dizer de maneira alguma em que, precisamente, tinha eu fé. Tinha fé também em Deus, ou antes, não negava Deus, mas que Deus? — não o saberia dizer; também não negava Cristo e o seu ensinamento, mas também não saberia dizer em que consistia o seu ensinamento.
Agora, recordando aqueles tempos, vejo claramente que a minha fé — aquilo que, além dos instintos animalescos, movia a minha vida —, a minha única fé daqueles tempos era a do aperfeiçoamento. Contudo, não saberia dizer em que consistia o aperfeiçoamento e qual era o objectivo dele. Tentava aperfeiçoar-me intelectualmente — aprendia tudo o que me era possível e o que me sugeria a vida; tentava aperfeiçoar a minha vontade — elaborava regras para mim próprio, procurando segui-las; aperfeiçoava-me fisicamente, apurando a força, a destreza e, por meio de todo o género de provações, criando hábitos de resistência e de paciência. E considerava tudo isso um aperfeiçoamento. O princípio de tudo era, obviamente, o aperfeiçoamento moral, mas não tardava a substituí-lo pelo aperfeiçoamento em geral, ou seja, pelo desejo de ser melhor, não perante mim ou perante Deus, mas de ser melhor perante os outros homens. Então, esta aspiração de ser melhor perante os outros foi rapidamente suplantada pelo desejo de ser mais forte do que eles, quero dizer: mais famoso, mais importante, mais rico.
COMENTÁRIO
O ensaio autobiográfico Confissão foi escrito por Lev Tolstói, essencialmente, em finais de 1879, foi refeito pelo autor no início de Julho de 1881 e concluído em 1882. Foi publicado pela primeira vez em Genebra, em 1884. Na verdade, este ensaio é um fragmento de uma obra que Tolstói começou a escrever em Outubro de 1879 e na qual expõe os seus conceitos filosóficos e religiosos; tinha de preceder a apresentação ao leitor das obras O Estudo da Teologia Dogmática (1879-1880, 1884) e A Junção e a Tradução dos Quatro Evangelhos (1880-1881).
O problema do sentido da vida, um sentido que a morte inevitável não elimina, foi importante para Tolstói muito antes da redacção deste ensaio. A procura da solução deste problema era naturalmente condicionada pela ideia da união das pessoas, na base dos princípios eternos da moral: ao primeiro plano sai a questão da discrepância entre o ideal da moral e a ética prática das pessoas.
A noção de virtude humana ia mudando historicamente. Às quatro virtudes da Grécia Antiga — a sabedoria, a coragem, a justiça e a moderação — a ética cristã opôs a fé, a esperança e o amor, condicionando todas as outras aspirações ao bem. Contudo, tanto no mundo antigo como no moderno, estavam ligadas ao conceito de virtude as qualidades morais do indivíduo. Também continuava imutável o problema das noções deturpadas da virtude, aparentemente opostas ao vício, mas iguais a este na sua essência.
Tolstói relacionava a deturpação das noções da virtude com a comunidade social das pessoas que denominava como «a classe culta», ligando a verdadeira virtude com o mundo dos camponeses, com o povo trabalhador russo, com o qual «se fundiu», de acordo com as suas palavras.
Esta antítese ético-social, formada no início do caminho artístico de Tolstói, predeterminou o futuro esclarecimento por parte do escritor das fontes da auto-educação espiritual e a interpretação do «verdadeiro» cristianismo como uma doutrina humanista, comum a toda a humanidade pelo seu fundamento ético inicial.
A eliminação das discrepâncias entre o existente e o devido foi colocada por Tolstói na dependência directa do esforço interior do indivíduo, apresentando, deste modo, o aperfeiçoamento moral como o princípio essencial no caminho de superar o mal e chegar ao bem. O processo desta superação era entendido por ele como a mudança da compreensão do mundo, como a atitude do homem para com o mundo.
O caminho para a nova compreensão do mundo é apresentado em Confissão como uma série de estados de espírito sucessivos, que culmina na obtenção da fé. A fé é definida por Tolstói como a força da vida, como o conhecimento do seu sentido. O ponto de partida neste caminho baseia-se no reconhecimento de que tudo o que existe é racional, dirigido pelas tentações, motivado pelo desejo do bem comum, mas compreendido de modo deturpado, e justificado pela opinião geral. No texto de Confissão, estão ligadas com este período inicial as «saídas» do epicurismo e da ignorância.
O estado de espírito, para cuja descrição Tolstói passa a seguir, não começa com a revolta da razão, mas sim com a do coração, com a sensação de uma doença espiritual e o surgimento das contradições interiores. Daqui provém um brusco enfraquecimento das tentações. O movimento nesta parte do caminho é acompanhado pelas «paragens» da vida, pela alternância de «ressurreições» e «agonias», pela bipartição. A crise de «paragem» ligada com a negação da vida é explicada como o reconhecimento da irracionalidade de tudo o que existe, com a afirmação da vaidade das tentações e com a consciencialização da vida como mentira, o mal e o absurdo. Precisamente nesta fase acontece a consciencialização da visão da vida já rejeitada, igualando-a simbolicamente à tentação da «doçura».
A consciência da dificuldade não apenas da passagem de uma compreensão da vida para outra, mas também do movimento progressivo dentro de cada uma destas atitudes condicionou a concentração de Tolstói, escritor e publicista, nos anos entre 1860 e 1870, na investigação da fase da evolução espiritual do homem, precedente à obtenção da fé.
O género confissão, na obra de Tolstói, não foi algo de inesperado. Durante toda a vida sentiu necessidade de auto-análise e de confissão. Existem no seu diário, escrito durante sessenta anos, nas suas cartas, em esboços filosóficos não acabados dos anos de 1860-1870 e, finalmente, em toda a sua obra literária.
[1] Em 1844, Tolstói entrou na faculdade de Estudos Orientais da Universidade de Kazan; passado um ano passou a estudar na faculdade de Direito. Abandonou a universidade em 1847.
[2] Vladímir Miliútin (1826-1855), mais tarde professor de Direito na Universidade de São Petersburgo. Literato e cientista talentoso. Suicidou-se aos vinte e nove anos, por causa dos problemas pessoais.
[3] Mikhail Mússin-Púchkin (1795-1862).
[4] A Arca da Aliança, do Senhor ou de Deus, como é denominada na Bíblia. A referência à dança consta do II livro de Samuel, 6, 14: «E David saltava com todas as suas forças diante do Senhor: e estava David cingido de um éfod de linho.» Sobre a dança de David junto à Arca de Aliança, durante a transferência desta para Jerusalém, ver também: Segundo Livro dos Reis, 6: 16, 21.
[5] Serguei Tolstói, irmão de Lev Tolstói. Na verdade, as palavras do irmão mais velho foram: «Ainda continuas a fazer esse namázi?» (Obras Completas, Moscovo, 1928-1958, t. 23, p. 489)

Pan é, desde a sua publicação, um dos livros mais apreciados e amados de Knut Hamsun. Uma obra-prima da literatura, onde «a natureza fala na língua subtil e sonhadora de um breve e idílico Verão nórdico». Através dos papéis encontrados depois da sua morte, o tenente Glahn relata-nos a sua trágica paixão pela jovem Edwarda, num crescendo de exaltação que invade e se confunde com a paisagem envolvente, tornando-se difícil distinguir entre natureza e psique.
edição: Cavalo de Ferro
título: Pan
autor: Knut Hamsun
tradução: João Cruz e Mário Cruz
formato: 15x22,5cm (capa mole)
n.º pág.: 183
Isbn: 9769896231408
Pvp: 18.00€

Andei durante imenso tempo a ler ao meu filho mais novo, um livro que tinha como mensagem principal qualquer coisa como isto: A coisa que mais dói no mundo é a mentira.
- Olha filho, desculpa. Andei a mentir-te este tempo todo.
Jaime Bulhosa

Edição: Bruaá
Título: Popville
Texto: Joy Sorman
Ilustrações: Anouck Boisrobert e Louis Rigaud
Formato: 19,5x26cm (capa dura)
Isbn: 9789898166074
Pvp: 16.50€

edição: Porto Editora
título: Histórias Daqui e Dali
autor: Luis Sepúlveda
formato: 13x19.5cm
n.º pág.: 158
isbn: 9789720043122
pvp: 14.54€

Entra um cliente com uma aparência de exterioridade, como se estivesse meio perdido, desorientando, talvez por ter tanto livro à sua volta. Aproxima-se do balcão e, surpreendentemente, mantém-se em silêncio.
O livreiro espera. Na ausência de qualquer reacção por parte do cliente, não tem outro remédio senão fazer a pergunta de praxe:
- Bom dia, que livro deseja?
O cliente pensa, reflecte demoradamente e, finalmente, responde.
- Um livro sobre aquilo que de facto me interessa.
- E, posso perguntar-lhe o que lhe interessa?
- Tudo.

título: Luka e o Fogo da Vida
autor: Salman Rushdie
tradução: J. Teixeira de Aguilar
formato: 15.5x23,5cm
isbn: 9789722043335
pvp: 15.60 €
As memórias dos factos mais marcantes das nossas vidas são extensas. Mantém-se, por vezes, quase de forma indelével no nosso ser. Há livros que leio e cujas ideias se desvanecem da minha mente, tão fugazes como a imagem de um rosto de um qualquer transeunte inusitado, com quem me cruzo no passeio a caminho do trabalho. Porém, as memórias dos grandes livros, aqueles que nos cunham e timbram o carácter, são como rochas. Ou como aquelas pessoas, preciosas, que nos fixam sentimentos, criam laços; e essas memórias apenas se corroem, se atenuam, com muito tempo e longa distância.
Jaime Bulhosa

Retrato vibrante, terno e cheio de humor de um adolescente turbulento que tenta escapar às pressões dos conflitos familiares, da pobreza e da religião numa pequena cidade do Colorado durante a Grande Depressão, A Primavera Há-de Chegar, Bandini conta a história de um Inverno na vida de Arturo Bandini, o filho mais velho de uma família de imigrantes italianos. Com a sua descrição intensa e evocativa de amores trágicos, infortúnio e adolescência em alvoroço, o primeiro romance do quarteto Bandini é um livro de culto da moderna literatura norte-americana.
Edição: AHBA
Título: A primavera há-de Chegar, Bandini
Autor: John Fante
Tradução: Rui Pires Cabral
Formato: 13,5x21cm (capa mole)
n.º pág.: 223
isbn: 9789899634077
pvp: 17.95 €

Pensei em escrever um texto com uma ideia verdadeiramente original. Com uma daquelas ideias para ser partilhada no facebook por dezenas de pessoas, talvez mesmo centenas, porque não milhares. Porém, à medida que ia matutando na originalidade das ideias, deparo-me com a dolorosa decepção de todas elas já terem sido formuladas, algures, por alguém. Estou num impasse de inspiração…
Viva! Fez-se luz. A verdadeira originalidade não está em ter uma ideia original, mas sim pensá-la, novamente, originalmente. Genial.
Nota: A genialidade desta ideia foi inspirada por Goethe
Jaime Bulhosa

Edição: Quetzal 2010 (1.ª edição 1980)
Título: O Vice-Rei de Ajudá
Tradução: Carlos Leite
Formato: 15x23cm (capa mole)
n.º pág.:141
isbn: 9789725649053
pvp: 12.95€