quarta-feira, janeiro 5

Porque gostam os cães de cheirar o cu uns aos outros


«Este animal odeia os pobres, porque eles comem maus alimentos, e ama os ricos, porque têm boas iguarias e muita carne. E o esterco dos animais retém sempre a virtude da sua origem, como mostram as fezes…

Ora os cães têm um faro tão subtil que com o nariz sentem a virtude que ficou nessas fezes; e é tão verdade que se as encontram no caminho as cheiram, e farejam dentro delas virtude de carne ou de outra coisa levam-nas, e senão deixam-nas; e tornando ao quesito digo que conhecem mediante esses odores se o outro cão é bem alimentado, e respeitam-no, porque consideram que ele tem dono rico e poderoso, e se não sentem tal odor com virtude, consideram que esse cão vale pouco e tem pobre e triste dono, e por isso mordem esses cães como fariam ao seu dono.»

Leonardo da Vinci

Um comentário:

Cristina Torrão disse...

Bem, bem, aqui se prova que mesmo os génios são produtos do seu tempo. Não há dúvida de que Leonardo da Vinci foi um dos maiores génios da Humanidade, mas este texto carrega com o peso dos séculos. Hoje sabemos que não é verdade o que lá está escrito.

Os cães são incapazes de dizer quem é rico e quem é pobre, o seu conceito de "boa comida" não coincide com o nosso. Um cadáver em decomposição, por exemplo, é capaz de lhes cheirar melhor do que um bife fresco e suculento.

Eles cheiram-se para melhor se conhecerem, obtêm assim informações como o sexo e a idade, por exemplo. E para saberem por onde cada um anda, pois se passarem num sítio em que esteve o cão que cheiraram ontem pela primeira vez, sabem que esse animal por ali passou e há quanto tempo.

Isto são só alguns exemplos. E eles mordem quando sentem agressividade, o que não tem tanto a ver com o cheiro, mas mais com a mímica.