terça-feira, março 22

Mãos ao ar!

De manhã cedo, depois de acabar de abrir a porta da livraria, entra um cliente com um sorriso enorme na boca e diz:

- Bom dia! Eu vinha levantar o livro que encomendei no outro dia.

- Com certeza. Não se importa de me recordar o título do livro que encomendou?

- How to Rob a Bank Without a Gun, de George Jenney.

- Ah! Recordo-me perfeitamente. O título chamou-nos imediatamente a atenção e até comentamos, entre nós, o engraçado que era.

Passado uns segundos:

- Ora aqui tem o seu livro.

- Quanto lhe devo? - pergunta o cliente.

- São precisamente 60 euros, sabe é um livro raro.

Repentinamente o cliente muda de expressão facial, deixa cair o sorriso e num movimento brusco, saca do bolso do casaco uma enorme pistola.

- Mãos ao ar, isto é um assalto!

O livreiro não se intimida e desata numa gargalhada:

- Ah, ah, ah, ah, tem muita graça. Todavia, devo recordar-lhe que o meu caro amigo está equivocado, o livro que encomendou é sobre assaltos a bancos sem pistola e não a livrarias com pistola, ah, ah, ah, ah.

O assaltante, sem achar graça nenhuma, responde:

- Pois é, de facto tem razão. Mas acontece que ainda não li o livro. E sejamos sinceros, o preço que me está a pedir por ele é igualmente um roubo.

3 comentários:

Teresinha Oliveira disse...

Muito divertido e "quase" real. Os livros andam caríssimos, até mesmo os infantis. Pelo menos para mim, que sempre ando por aí com ele contado. Mas confesso, que muitas vezes tenho essa fantasia literária-assaltar uma livraria. O problemático seria transportar o produto do roubo-muito peso :•)

josé luís disse...

:))))

(gostei muito... e até lhe sugiro uma sequela: "how to rob a gun without a bank"...)

João Afonso Machado disse...

O único "comércio" de que seria capaz de viver era era o do alfarrabismo. Pela proximidade dos livros, pela raridade tantas edições... e pelo sossego desses lugares. Por isso propícios ao assalto.
Felizmente os maníacos dos livros manifestam-se geralmente de outro modo.
Os do dinheiro, mesmo com um livro valioso não iriam muito longe.
Talvez seja um "negócio" sem riscos. Uma ideia para os tempos da reforma.