quarta-feira, março 9

Uma Literatura muito especial...

Aviso Importante
Não fica reservado nenhum direito de propriedade literária ou artística do pauzinho. Pode ser pois reproduzido em qualquer parte e muito principalmente no Brasil. As contrafacções, porém, conhecem‑se facilmente. Hão‑de ser menos excitantes e mais sensaboronas. Pertencendo à escola ultra‑avançada em questões de propriedade, os editores aconselham às pessoas que puderem apanhar este livro por qualquer meio, compra, achado ou empréstimo (exceptua‑se a palmação) que lhe chamem seu para todos os efeitos e o não restituam para efeito algum.


Aos Caturras

«Vão gritar muito contra o pauzinho. Dirão que é imoral, que não tem graça e há‑de até parecer‑lhes perigoso. E contudo serão eles próprios, os pudicos, os castos, que hão‑de comprar o livro e lê‑lo de uma assentada. Não fizeram outro tanto a um romance — magnificamente belo na forma e na essência — que se publicou há pouco? Gritaram porém menos, unicamente porque na página 320 a luxúria desenvolta e livre se achava encoberta nas galas opulentas de um estilo soberbo, e porque mais adiante foram substituídas as três letras finais da palavra puta por umas discretas reticências. Talvez também contribuísse para lhes abrandar os ímpetos os reclames continuados que anunciaram a publicação deste e as reservas extremas com que aquele é dado à estampa. Já se sabe que não metemos em conta o mérito de um e a insignificância do outro. Quem se importa com isso! Por descargo de consciência, diremos, todavia, que o fim do pauzinho não é perverter, mas divertir. Composto para ser lido por homens, não vimos inconveniente em chamar as coisas pelo seu próprio nome, porque, afinal, digam o que quiserem, a porra há‑de ser sempre porra, muito embora lhe inventem nomes mais ou menos sonoros. E se ele for parar às mãos de alguma menina que, por excesso de ingenuidade, se apegue a ele como as velhas ao seu Santo António? Não será culpa nossa. Nós escondemo‑lo bem, elas que façam outro tanto: guardem‑no onde puderem e… regalem‑se com ele!»

Os editores


Título: O Pauzinho do Matrimónio. Almanaque Perpétuo
Autor: desconhecido
Ilustrador: Rafael Bordalo Pinheiro
Posfácio: António Ventura
Coordenador da colecção: António Ventura
Revisão: Tinta‑da‑china
Capa e composição: Vera Tavares
1.ª edição: Março de 2011
isbn: 978-989-671-076-7
pvp: 9.90€

Como se dão clisteres

«Ele contava já dezasseis anos e ela catorze, mas eram duas crianças, no sentir e no discorrer. Orfanado em tenra idade, Ricardo fora recolhido e educado na casa de uma generosa parenta, D. Eulália, viúva, a quem ficara uma filha, mais nova dois anos que Ricardo. Ricardina se chamava ela. Inteligente e boa como ele, era tão formosa como inocente. Criados em comum, quase desde o berço, surpreendeu‑os a puberdade entre bonecas e cavalos de papelão. No jardim, esbofavam‑se correndo um atrás do outro, atirando migalhas aos peixes vermelhos do tanque, ou tentando forças em luta infantil, à sombra dos caramanchões. Às vezes, fatigados de lutar e correr, adormeciam nos bancos do jardim, e era preciso que D. Eulália os despertasse para o jantar, maravilhada de tanta inocência e ventura. Chegaram as vésperas do Carnaval. Ricardo e Ricardina acordavam sempre a planear as partidas que mutuamente se fariam durante o dia e adormeciam pensando nos folguedos do dia seguinte. Um dia, Ricardina madrugou mais que Ricardo e entrou‑lhe no quarto, pé ante pé. Observou que Ricardo ainda dormia e não lhe ocorreu partida mais engraçada do que descobrir completamente o seu amigo, para que ele, acordando, soubesse que era Ricardina quem pregava as melhores partidas. Efectivamente, aproximando‑se do travesseiro, Ricardina ergueu cautelosamente a roupa da cama; mas ainda Ricardo não estava completamente descoberto, quando Ricardina, observando‑lhe quase todo o corpo, soltou um grito abafado, à vista do estranho espectáculo que a seus olhos se deparava pela primeira vez, e desapareceu por um corredor escuro. [...]»

Título: Entre Lençóis. Episódios Inocentes
para Educação e Recreio de Pessoas Casadoiras
Autor: Cândido de Figueiredo (sob pseud. Guilhermino)
Coordenador da colecção: António Ventura
Revisão: Tinta­‑da­‑china
Capa e composição: Tinta­‑da­‑china
1.ª edição: Março de 2011
isbn: 978-989-671-077-4
pvp: 9.90€

A Abrir

«Quantas dúzias de vezes se tem ventilado este assunto? Difícil, se não impossível, se torna dizê‑lo ao certo, pois que sem conto já são. No entanto é sempre novo, sempre palpitante, sempre da actualidade, pois que o vício nunca teve tempo ou idade, é sempre novo, sempre moderno. Vão morrendo as sacerdotisas já muito usadas como a Antónia Moreno, a Monteverde, as mais altamente cotadas; a Lavradeira e outras do vício baixo, se por acaso há altura numa coisa que começa e acaba sempre da mesma forma, seja no bordel da clássica meia porta, ou naquela a que dá ingresso a escada atapetada e as salas alcatifadas. Tanto ulula o vício num desconjuntado leito de ferro, que geme e chora a sua desdita ao mais pequeno solavanco,» como na cama à Luís XV, acobertado pela brancura nívea dos cortinados que, quem sabe, feitos às vezes para encobrir a nudez que um sonho indiscreto deixa profanar dum corpo de virgem, acabam por tapar, não o corpo da mulher que se vende, mas a vergonha do homem que a compra!... Já lá vai o tempo em que nesses templos de amor se queimavam não nuvens de incenso, mas montões de notas, aos pés das suas sacerdotisas; em que do vício se fazia um luxo caro, em que um sorriso, uma pequena carícia, um leve beijo, custava às vezes uma fortuna! Hoje não. O vício de hoje não tem a mesma subtileza daquele que há anos atrás tantos leões da moda arruinou, em que para bem amar era preciso bem jogar; nesse tempo quem com mais sangue frio deixava escorregar pelo pano verde das mesas de jogo, que sempre havia nesses templos, das 11 da noite até sol fora, era aquele que mais probabilidades tinha da vitória. O dinheiro ganho pela banca às algibeiras delas ia parar; não eram elas quem o pediam, isso era banal, eram eles que lho davam, perdendo‑o. A cocote chic de outro tempo não pedia nunca, ganhava sempre, ou numa nega forte da roleta, ou numa dama de porta quando carregado era o ás que não vinha senão tarde e a más horas. [...]»

Título: O Vício em LisboaAntigo e Moderno
Autor: Fernando Schwalbach
Coordenador da colecção: António Ventura
Posfácio: António Ventura
Revisão: Tinta‑da‑china
Capa e composição: Tinta‑da‑china
1.ª edição: Março de 2011
isbn: 978‑989‑671‑078‑1
pvp: 9.90€



Colecção Livros Licenciosos:
edições tinta-da-china

Um comentário:

Anônimo disse...

parabéns as capas são brilhantes
carlos rito