quinta-feira, abril 7

Quiproquós II


O problema da existência do mal no mundo (moral ou natural) tem servido aos partidários do ateísmo, como um dos argumentos que "provam" a não existência de Deus. Algumas das suas premissas são deste género:

1 – Se Deus existe, então, Ele é omnisciente, omnipotente e perfeitamente bom.

2 – Se Deus fosse omnisciente, omnipotente e perfeitamente bom, então, o mundo não conteria mal.

3 – O mundo contém mal.

4 – Logo, Deus não existe.

Os teístas, por seu lado, deparam-se exactamente com o mesmo problema, isto é, como explicar a coexistência do mal, com um Deus infinitamente bom. Para isso usaram argumentos como: o livre arbítrio não poderia existir sem a possibilidade do mal; os seres humanos não podem entender Deus; o mal não é mais do que a privação de Deus; o mal é o resultado de um mundo caído e corrupto.

Seja como for, o tema é demasiado complexo para ser explanado em poucas linhas. Tem gerado, e continuará a gerar, muita polémica, debate e imensa literatura. No entanto, considerei interessante expor, por mera curiosidade, cinco exemplos de “assassinatos” perpetrados por Deus:


1- A população inteira do mundo, excepto Noé e seus familiares. (Génesis 6, 7)

Transgressão: Violência, corrupção e maldade generalizada.

Método de Execução: Afogamento.


2 – A população inteira de Sodoma e Gomorra, excepto Ló, sua mulher e sua filhas. (Génesis 19)

Transgressão: maldade generalizada e falta de respeito pela divindade.

Método de Excução: Chuva de fogo e enxofre.


3 – Mulher de Ló (Génesis 19)

Transgressão: Olhou para trás.

Método de execução: Transformada numa estátua de sal.


4 – Todos os recém-nascidos do Egipto (Exodus 14)

Transgressão: O Egipto foi cruel com os judeus.

Método de Excução: Desconhecido.


5 – Faraó do Egipto e o seu exército. ( Exodus 12)

Transgreção: Perseguição aos judeus.

Método de Execução: Afogamento.


Jaime Bulhosa

(um agnóstico livre destes problemas)

6 comentários:

Cláudia disse...

Longe de ser problemas ou, soluções, são aspirações.

Apenas que do cessar a vida, nasce o inconformismo dos que não aceitam terem prazo de validade. Sendo esta, a maior das verdades para com o eterno.

Aos de resposta à vida, ser o inexistente de uma verdade, nem se dá discussão.
É como discutir livros com analfabetos.

Provar a inexistência é outra contradição, senão, um absurdo!
Como alguém com sã consciência, debate algo, que para si não existe? Se o discorrer nasce do conhecimento senão da causa, e não do desconhecimento.
Eis a questão de Deus: Como discutir com alguém, o que este desconhece?

fallorca disse...

Ah, é para assustares os infelizes, ok

j-a.machado@sapo.pt disse...

A Fé é também um acto de vontade. E uma tendência inapta que, só por si, nos atira para a transcendencia.
Repare o curioso da sua exposição:
a) - Não fou além do Antigo Testamento.
b) - Não saiu, por isso, do Cristianismo.
c) - O teísmo está espalhado pelo mundo inteiro, por todas as culturas, o que, assim, parece ignorar.

d) - O Novo Testamento parece não existir, insisto, quando é nele que se contem todos os ensinamentos do mundo cristão ocidental - resumidos na Ressurreição, isto é o triunfo da vida sobre a morte, e na salvação que Deus quer para a Humanidade.
Cumprmts

Patrícia disse...

Ler a Bíblia literalmente é como ler os Lusíadas literalmente: é muito bonito e poético, mas sabemos que nada daquilo é possível, sabemos que não aconteceu.
Adamastor não existiu, serve apenas para representar as dificuldades da viagem dos navegadores portugueses. Do mesmo modo, o dilúvio não existiu, serve apenas para representar as dificuldades de uma vida de corrupção, guerra, ganância, etc.
Isto ensina-se às crianças pequenas na catequese. Falar da Bíblia ignorando este dado elementar é como falar de literatura sem saber ler.

Cláudia disse...

Até as cebolas são Divinas!
Havia quem admirava belos pratos, saboreava a diversidade dos temperos, e gostava do sabor das cebolas. Idealizando a própria culinária, aventurou-se e foi para cozinha. Eis que ao cortar cebolas, vieram às lágrimas, então ao que amava lançara-lhe a maldição, Eis que cebolas, nunca mais. Pois este nem soubera que as mesmas, sem trabalho algum, até com cascas se jogadas na brasa viva, arderiam e lhe trariam um sabor inesquecível semelhante ao néctar.
E Deus, poderia estar nas cebolas...

Anônimo disse...

Um dito "agnóstico" não poria isto no blogue da sua livraria. Nem enumerava respeitosamente as teorias defendidas pelos ateus e de seguida passava pelos argumentos opostos com maior desprezo. Logo de seguida, passa uma listagem mal entendida contra os argumentos dos últimos. Se calhar devia pensar mesmo se não tem algum ressentimento quanto ao que alguns acreditam, se calhar é ateu e não agnóstico. Repito, só se calhar.