sábado, abril 23

Santa rivalidade?



Terão sido ciúmes? A verdade é que o São Pedro não quis colaborar com a festa do dia Internacional do Livro, que é também o dia de São Jorge, e como os livros não são impermeáveis, com a chuva e o vento que toda a manhã teimaram em nos fazer companhia, a Pó dos livros teve que levantar arraial.


No entanto, com o céu azul que agora vai espreitando entre as nuvens, se for para os lados do jardim de São Pedro de Alcântara, não deixe de ir visitar os nossos amigos da Associação Catalunya Apresenta, que lá continuam a festejar o seu Sant Jordi, sem livros, mas com rosas e muita simpatia.


Isabel Nogueira

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No dia 23 de Abril celebra-se um dos dias mais esperados pelos catalães, o dia de Sant Jordi, ou São Jorge em português.
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O facto de esta festividade coincidir com o Dia Internacional do Livro fez com que se espalhasse a tradição de vender livros e rosas na rua. E rosas porquê? A lenda de São Jorge é a história de uma aldeia onde um dragão tinha aterrorizados os seus moradores. Para tentar travar os danos, a aldeia determinou que cada dia um dos seus habitantes seria oferecido ao dragão para saciar a sua fome. Como ninguém se ofereceu, a escolha foi por sorteio. A decisão deu resultado e com um habitante por dia o dragão enchia bem o seu estômago. No entanto, num dos dias do sorteio calhou à princesa. Os habitantes ficaram espantados, mas o rei disse que não havia excepções e que a sua filha devia ser a próxima presa. Enquanto ia ter com o dragão, a princesa encontrou Sant Jordi, um cavaleiro que acabaria por derrotar o dragão e salvar a princesa. Do sangue do animal nasceria uma roseira de onde Sant Jordi cortou uma rosa para oferecer à sua amada. É por isso que na Catalunha o 23 de Abril é também o dia dos namorados.
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Este dia também coincide com a data da morte dos escritores Miguel de Cervantes, William Shakespeare, Jules Barbey d’Aurevilly e Josep Pla.
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Para além disso, São Jorge, ou Sant Jordi, é o santo padroeiro de Portugal e da Catalunha (para além da Inglaterra). Este facto é a desculpa perfeita para exportar esta tradição para mais além das fronteiras. E ainda mais se serve para popularizar a venda de livros na rua, incentivar a leitura e, porque não, trazer para Lisboa a tradição da rosa.

Um comentário:

Moura Aveirense disse...

Adoro essa tradição da Catalunha :)