quinta-feira, maio 5

Excuse me, where can I find a bookshop?


Um dia de sol primaveril e do cimo do Jardim de São Pedro de Alcântara, o Castelo de São Jorge, a Sé de Lisboa e o casario contrastavam com o azul do rio Tejo. Os turistas aproveitavam as férias da Páscoa do ano de 2031 para visitar a cidade de Lisboa. A cidade estava linda como sempre, muita gente nas ruas e nas esplanadas dos cafés a aproveitar o sol.

Lisboa não tinha mudado muito desde o ano de 2011. Também eu passeava pela baixa com o meu neto, quando fui interpelado por um turista britânico que me perguntou:

- Excuse me, where can I find a bookshop?

Baixei a cabeça, olhei para o chão e respondi envergonhado, no meu mau inglês:

- Can not! There are no bookshops in Lisbon.

- And a Bookfair?

- Can not! There are no Bookfairs in Lisbon.

Este é um cenário possível de encontrar em Lisboa e noutras cidades de Portugal de 2031. Se as políticas culturais se mantiverem, se o desrespeito total pelas leis do preço fixo continuar, como acontece na Feira do Livro de Lisboa, onde um livreiro pode encontrar livros, com menos de dezoito meses de edição, duas vezes mais baratos do que encomendando directamente ao editor. Em tempos de crise, já se sabe: «É O SALVE-SE QUEM PUDER!» Não me interessa discutir arquitectura de pavilhões, nem túneis, não me interessa discutir literatura light, oligopólios e o consequente desaparecimento das médias e pequenas editoras. Não me interessa discutir a percepção criada nos leitores de que os livros são baratos ou até mesmo gratuitos, à conta de políticas comerciais do lucro imediato. Não me interessam datas de início e fim de feira. Gostaria apenas, de um dia, poder vir a passear com os meus netos e entrar numa livraria, ou numa Feira do Livro como o meu pai fazia comigo.


Jaime Bulhosa

2 comentários:

Cláudia Tomazi - Brasil disse...

Sinceramente não sei de onde vocês, tiram tanto pessimismo com relação ao livros...
Outro dia, em entrevista Sr. Jaime Bulhosa, cercava-se de veredictos às novas tecnologias, quando estas, estão como ferramentas, inclusive aos serviços de vendas e divulgação e de quão notado ser o livro o que mais tem circulado na net em termos de suporte ao Business Intelligence pessoal. Provando, que em toda história editorial nunca, publicou-se tanto como agora, inclusive vencendo perspectivas, que em tempos acena para o papel em termos de sustentabilidade de recurso, superando o paradigma ambiental pelos créditos de carbono, um teste tão importante e imprescindível que dá resistência à existência de livros, que estão longe de agonizar por espaço. Apenas em suma, ão de convir que o respaldo de editoras, escritores e imprensa, gente que sempre fará a diferença quando o mundo cerca-se de palavras, é pela possibilidade da ética construtiva e lucidez para formação, enquanto humanidade.
Daí... Penso, quanto mais responsabilidade e credibilidade assumi o Codex, firmado como primeira edição de informação, nascimento que especifica e determina o saber, mais garantia de sua permanência, aliás diga-se dos grandes nomes da história que resistem ao tempo, ao todo e sempre notáveis.
Senhores, bem vindos ao embate das verdades enquanto idéias, versus o extrato virtual. O campo de batalha é o pensamento humano numa guerra de confortos, entre a disposição e a preguiça mental.

Anônimo disse...

Lendo o comentário anterior, apetece-me guardar ás sete chaves alguns (ainda que poucos) livros que possuo...
A língua portuguesa assim tratada e os livros editados em português, até merecem desaparecer, bem assim como as livrarias que tudo isso suportam...
Haja Deus!