terça-feira, julho 5

Narciso



«Quando Narciso morreu, conta Oscar Wilde, todas as flores da margem, desoladas, pediram ao rio algumas gotas de água para chorar.

- Ah – disse o rio –, nem que todas a minhas gotas de água fossem lágrimas me bastariam para chorar a morte de Narciso. Porque o amava.

- Impossível não o amar! – disseram então as flores –. Era tão belo!

- Era belo? – pergunta rio.

- Quem melhor do que tu para o saber? – disseram as flores –. Ele todos os dias se debruçava na margem e contemplava nas tuas águas a sua beleza.

- Mas não era por isso que eu o amava – disse o rio.

- Então porque era?

- Porque, quando ele se debruçava, eu podia ver a beleza das minhas águas nos seus olhos.»

4 comentários:

ana disse...

:)

Areia às Ondas disse...

Belíssimo, denso, apesar da simplicidade. Profundo mas alcansável. Numa palavra, genial, apesar de humano.

Natália disse...

que lindo! :)

Anônimo disse...

Otimo, gosto muito da historia de narciso, pois nos dias de hoje é oque mais se ve..ninguem olha para o procimo e sim para si mesmo.