quarta-feira, novembro 2

Maquiavel e a Dama

Diálogo entre o Duque César Bórgia e Maquiavel. Excerto do livro Maquiavel e a Dama, de W. Somerset Maugham, 1946. Um dos melhores livros que li recentemente:


«Achei que era demasiado inteligente para se contentar em ficar o resto da vida numa posição de subordinado – Observou o Duque.
- Aprendi em Aristóteles que a melhor sabedoria é cultivar o áureo meio-termo.
- É possível que não tenha nenhuma ambição?
- Longe disso, Excelência – sorriu Maquiavel. A minha ambição é servir o meu Estado da melhor maneira possível.
- É exactamente isso que nunca lhe permitirão fazer. Sabe melhor do que ninguém que, numa república, talento é coisa suspeita. Um homem atinge altas posições porque a sua mediocridade o impede de constituir uma ameaça para os companheiros. Eis por que uma democracia é governada não pelos homens mais competentes, mas por aqueles cuja insignificância não desperta a apreensão de ninguém. Sabe quais são os cancros que roem o coração de uma democracia?
Olhou para Maquiavel como se esperasse por uma resposta: mas o florentino não disse palavra.
- A inveja e o medo. As mesquinhas criaturas que estão no poder têm inveja dos colegas e, para impedir que estes ganhem reputação, evitarão que eles tomem medidas das quais possam depender a segurança e a prosperidade do Estado; e ficam cheios de temores por saber que à sua volta se acham outros que não hesitarão nem diante de mentiras nem de logros para passar por cima deles. E qual é o resultado de tudo isso? O resultado é que vivem mais temerosos de cometer erros do que ansiosos de fazer o bem. Dizem que o lobo não come lobo; quem quer que tenha inventado esse provérbio nunca viveu sob um governo democrático.»

Jaime Bulhosa

Um comentário:

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