terça-feira, maio 12

Uma palavra vale mais.



[…]
- Já chegaste à parte em que ele canta?
- Não!?... – Mas rapidamente se recorda. – Ah, sim!
- Viste que bem que ele canta, com aquela voz rouca, mas ao mesmo tempo melodiosa? Não estava à espera que ele cantasse tão bem. E como toca! Arrepia só de o ouvir. É um amor lindo, não é? E como dança ela? Viste que bem? Formam um lindo casal?
- Sim, sim, lindo casal, mas não acho que ele cante assim tão bem.
- Não chegaste ao final, pois não?
- Não, ainda não.
- Vais ver que o final é imprevisível… Ela acaba por o deixar.
- Oh, coitado!
- Sim, mas ele tinha-a enganado. Vais ver o mal que ele se porta. Bonito e tão simpático que ele parecia.
- Sim, parece muito simpático, mas não o acho assim tão bonito.
- E a paisagem onde vivem, aquelas montanhas verdejantes e quase inabitadas, o azul do céu imaculado, as casas banhadas pela luz dourada do sol e o perfume a lenha queimada que sai pelas chaminés?
- Não tinha reparado nisso.
- E que maravilhosos são os vestidos delas, cheias de cores garridas e alegres. Sabes, naquele tempo viviam mesmo assim. É super realista, não é? O autor não põe nem tira nada. Estás a gostar?
- Mais ou menos, mas ainda não acabei de ver o filme. Talvez o acabe de ver hoje à noite, se tiver tempo.
- O filme!?... mas… eu estou a falar do livro.  

Jaime Bulhosa

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