quarta-feira, junho 29

O que tem dentro?


- A vida está difícil e eu quero ler qualquer coisa divertida, alegre, alguma coisa, como dizer… daqueles livros que nos fazem levantar o ânimo.

Claro está que quando recomendo um desses livros, muito divertidos, inevitavelmente me fazem a pergunta:

- E de que se trata?

Tenho respondido a esta pergunta, ao longo de vários anos, de maneiras muito diversas. Por exemplo:

Em épocas de vacas magras e doido por conseguir vender um livro, respondo: Trata-se de uma toxicodependente que conhece um pederasta e que no meio dos horrores da guerra se salvam um ao outro graças ao amor, isto é, conto o argumento e normalmente tenho sucesso. Contudo, independentemente da época e quando não estou muito compreensivo para com os clientes, se lhes digo que se trata de um velho que enlouquece e que se empenha em ser o herói dos livros que leu, mascarando-se de cavaleiro, colocando uma tigela na cabeça, saindo para a rua montado numa pileca velha, é fatal dizerem-me que não estão interessados em velhos loucos. No entanto, é exactamente disso que trata, o Dom Quixote.

Em épocas de vacas gordas não necessito de contar nada.

Nos momentos em que me sinto um pedagogo, digo: os romances não valem pelos temas que abordam mas pela capacidade que o autor tem em criar um mundo verosímil no qual nos inclui durante trezentas páginas e donde, quem sabe, não sairemos nunca. Mas esta pode ser uma explicação insuficiente e pouco clara. Os romances valem sobretudo pela forma como estão narrados e não pelo que narram. A ficção pode ser verdade ou mentira dependendo do talento do narrador. Os romances não valem pela sua historieta mas pelas virtudes do narrador. O que interessa é descobrir a riqueza do relator e não daquilo que é relatado. Nenhuma história é válida se não estiver bem narrada.

livreiro anónimo

O Seu Lado Clandestino


A história de Che - um rapaz criado em Nova Iorque sob protecção da avó, filho precoce de um casal de activistas radicais, estudantes em Harvard, em finais dos anos 60. Desejando ansiosamente a companhia dos pais, conhecidos pela sua vida na clandestinidade, e vendo-se privado do acesso à televisão e às notícias, o rapaz encontrará apoio nas palavras de um vizinho, um adolescente de cabelo comprido, que prevê: «Um dia eles vêm buscar-te, pá. Eles vão tirar-te daqui.»
Che passa ele próprio a viver clandestinamente - escondendo-se em estações de metro, fugindo de motéis de segunda categoria a meio da noite -, e vê-se arrastado para uma viagem que o levará a uma comunidade hippie, na selva tropical de Queensland, na Austrália. Aqui, lenta e corajosamente, irá encarar a sua vida e aprender que nada é aquilo que parece ser. Quem é a sua mãe verdadeira? E aquele homem, seria mesmo o seu pai? Se as suspeitas se confirmarem, que deve ele fazer?

edição: Dom Quixote

título: O Seu Lado Clandestino

autor: Peter Carey

tradução: Susana Baeta

formato: 15,5x23,5 cm (capa mole)

n.º pág.: 267

isbn: 9789722044929

pvp: 15.00€

terça-feira, junho 28

O Homem do Turbante Verde


Numa altura em que o interesse pela narrativa curta se renova por todo o lado e depois da reedição muito esperada de Contos da Sétima Esfera, surge este perturbador O Homem do Turbante Verde.
Cenários evocadores dos nossos dias enlaçam-se com os destinos de uma juventude confrontada com perplexidades e dilemas de um tempo histórico ainda recente. Percursos aventurosos numa África irreal, toda feita de caprichos literários, vão de par com histórias sombrias, cheias de inquietação e susto. A ironia afável conjuga-se com a crueldade. Uma estranheza, ora inquietante ora divertida, acompanha o delírio mais inesperado. Uma linguagem que aposta na clareza, sem fazer quaisquer concessões ao facilitismo.

edição: Caminho

título: O Homem do Turbante Verde

autor: Mário de Carvalho

formato: 13,5x21cm (capa mole)

n.º pág.: 187

isbn: 9789722124089

pvp: 14.50€

quarta-feira, junho 22

O Véu Pintado


Kitty sente-se prisioneira de um casamento infeliz e de um estilo de vida que está longe de ser aquele que sonhou para si. Sem que tivesse obtido a notoriedade social que desejava e afastada do seu país e da família devido à profissão do marido - bacteriologista destacado para Hong Kong -, a jovem acaba por encontrar algum consolo numa relação extraconjugal. Mas a traição acaba por ser descoberta pelo marido, que leva a cabo uma estranha e terrível vingança... Através do despertar espiritual da adorável e fútil Kitty, Somerset Maugham pinta um retrato vívido da presença britânica na China e apresenta-nos uma galeria de personagens inesquecíveis. O Véu Pintado foi por três vezes adaptado para o cinema: em 1934, num filme protagonizado por Greta Garbo; em 1957, com Bill Travers e Eleanor Parker; e em 2006, num filme realizado por John Curran, com Edward Norton e Naomi Watts nos principais papéis.

edição: Asa

título O Véu Pintado

autor: Somerset Maugham

tradução: Ana Maria Chaves

formato: 15,523.5cm (capa mole)

n.º pág.: 293

isbn: 9789892313191

pvp: 13.00€

terça-feira, junho 21

Convite



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Catch 22


Passado em Itália durante a II Guerra Mundial, conta a história de um comandante de bombardeiros, um herói incomparável e matreiro, que está furioso porque milhares de pessoas que não conhece de lado nenhum querem matá-lo. Mas o seu verdadeiro problema não é o inimigo - é o seu próprio exército, que está sempre a aumentar o número de missões de voo que os homens têm de cumprir para completarem a sua comissão de serviço. Porém, se tenta arranjar uma desculpa para ser dispensado das perigosas missões que lhe são atribuídas, viola a Catch-22, o Artigo 22, uma norma burocrática hilariante mas ao mesmo tempo sinistra: um homem é dado como doido se continuar a participar voluntariamente em perigosos voos de combate, mas se apresentar um pedido formal de dispensa é declarado mentalmente são e como tal é-lhe negada a dispensa.
Com o recurso à sátira, ao humor negro, e aparentando uma lógica irrefutável, o livro argumenta que a guerra é uma loucura, que os militares são loucos e, muito provavelmente, que a vida moderna é também uma loucura.

edição: Dom Quixote

título: Catch-22

autor: Joseph Heller

tradução: Eduardo Saló

formato: 15.5x23,5cm

n.º pág.: 541

isbn: 9789722046596

pvp: 18.90€

quinta-feira, junho 16

Mulheres na 1.ª República


Esta obra, significativamente intitulada Mulheres na 1ª República. Percursos, Conquistas e Derrotas, constitui um contributo assinalável para o conhecimento do início do caminho da contemporaneidade percorrido pelas mulheres. Vitoriosas ou não estiveram lá e marcaram com a sua presença situações bem diversificadas. Sem que tenha a pretensão de ser exaustiva, esta obra foca um certo número de situações consideradas exemplares de uma sociedade em mutação e do lugar que as mulheres aí pretendiam ocupar. Por estas caracte¬rísticas, considera¬-se um ponto de partida para novos estudos sobre a história das mulheres, e com eles, sobre a história da sociedade em geral em que a sua dignidade humana e cidadania cívica e política devem ocupar o lugar a que têm jus.

edição: Colibri
título: Mulheres na 1.ª República
autor: A.A.V.V.
n.º pág.: 378
isbn: 9789896890889
pvp: 17.00€

terça-feira, junho 14

Fome


A acção de «Fome», um romance marcante e considerado um clássico da literatura mundial, decorre nos finais do século XIX. O narrador, um jovem escritor, um homem solitário, deambula pelas ruas de Kristiania (actual Oslo) numa miséria extrema, enregelado pelo frio e tolhido pela fome. Essa miséria em que vive provoca-lhe momentos de delírio e violentas variações de humor. Mas cedo nos apercebemos de que a “fome” desse sonhador não é apenas física. Há a procura de uma identidade e de um reconhecimento dentro das suas próprias alucinações.

edição: Cavalo de Ferro

título: Fome

autor: Knut Hamsun

tradução: Liliete Martins

formato: 15x22,5cm (capa Mole)

n.º pág.: 247

isbn: 978989623092X

pvp: 16.00€

quarta-feira, junho 8

Geniociclopédia III


Nota: o relato não revelado das conversações entre a troika e Portugal.

«Um pobre homem dirigiu-se à porta de um grande senhor e quando o guarda lhe perguntou o que queria, disse que tinha chegado um irmão do fidalgo que precisava muito de lhe falar. O guarda, havendo transmitido a mensagem, recebeu ordens de dar entrada a esse irmão. Este, chegado à presença do grande senhor, demonstrou-lhe que, sendo todos descendentes do grande pai Adão, era seu irmão, e que as riquezas estavam mal repartidas, e pedia-lhe que o tirasse de tão grande miséria, porque mal podia viver de esmolas. Então o senhor respondeu que era bem lícito tal pedido, chamou o tesoureiro e mandou-o dar-lhe um soldo. O pobre ficou muito surpreso e disse que não era isso que pedia ao irmão. Então o senhor disse que tinha muitíssimos irmãos assim e que se fosse a dar muito a cada um acabaria por ficar sem nada, e que esse soldo era suficiente para a divisão dos bens. E com tal argumentação deu por encerrada a partilha da herança.»

(fábula do Séc. XV)

À conversa com o "Livreiro Velho"

«Há entrevistas que seguem direitinhas, a gente pergunta, o entrevistado responde, e tudo corre demasiado bem. São entrevistas chatas, quase sempre, mesmo quando isso se consegue disfarçar no texto final. Depois há outras em que tudo é inesperado e em que as nossas perguntas perdem o alinhamento, dançando ao ritmo da conversa e sugerindo outras perguntas, muito mais interessantes porque muito mais espontâneas, fruto daquilo que deve ser uma boa conversa. São as mais interessantes. E depois há entrevistas que são um desafio, porque as perguntas que fazemos são ultrapassadas pelas perguntas que nos fazem e não há alinhamento que se salve. Não sei se são as mais interessantes para o leitor, mas são as que não esquecemos. Foi assim com Manuel Medeiros, o Livreiro Velho, que me recebeu na Culsete, em Setúbal, com a hospitalidade que só os que sabem que as livrarias são casas podem praticar. O resultado está aqui

(retirado do blogue Cadeirão Voltaire, mantido pela jornalista Sara Figueiredo Costa)

terça-feira, junho 7

Adeus

Nota: Um dos mais belos poemas que me deram a ler.

Jaime Bulhosa



Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,

e o que nos ficou não chega

para afastar o frio de quatro paredes.

Gastámos tudo menos o silêncio.

Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,

gastámos as mãos à força de as apertarmos,

gastámos o relógio e as pedras das esquinas

em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro

nada.

Antigamente tínhamos tanto para dar um ao

outro;

era como se todas as coisas fossem minhas:

quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes

verdes.

E eu acreditava,

porque ao teu lado

todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,

era no tempo em que o teu corpo era um

Aquário,

era no tempo em que os meus olhos

eram realmente peixes verdes.

Hoje são apenas os meus olhos.

É pouco, mas é verdade,

uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.

Quando agora digo: meu amor,

já não se passa absolutamente nada.

E no entanto, antes das palavras gastas,

tenho a certeza

de que todas as coisas estremeciam

só de murmurar o teu nome

no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.

Dentro de ti

não há nada que me peça água.

O passado é inútil como um trapo.

E já te disse: as palavras estão gastas.


Adeus.


Eugénio de Andrade

Edição: Modo de Ler

Título: Poesia

Uma relíquia


Temos disponível um exemplar em segunda mão do livro Ulisses, de James Joyce, editado pelos Livros do Brasil, com notas e tradução de João Palma-Ferreira.

«A 16 de Junho de 1904, Leopold Bloom, um judeu irlandês, sai de casa para comprar os rins que a mulher adora comer ao pequeno-almoço, ir à Posta Restante buscar as cartas de amor da amante, cumprir as suas obrigações de angariador de publicidade e assistir ao enterro de um velho conhecido no cemitério.

O Sr. Bloom, como Ulisses através dos mares, vai ser arrastado através de Dublin numa odisseia trivial e aventureira. A ilha dos Lotófagos, a gruta de Polifemo e a caverna de Circe tomam aqui nomes de praças de Dublin, de bares e de bordéis irlandeses; Nausicaa, Penélope, Telémaco e os pretendentes são empregadas de bares, uma cantora, um jovem professor de História falador e boémio, um velho empresário corrupto ou ébrios eloquentes. Será apenas na madrugada seguinte, bem comido e melhor bebido, que Leopold Bloom regressará a casa — Ítaca, após ter sido expulso de um bar por um sujeito intratável, depois também de ter apanhado no bordel uma bebedeira memorável que termina num pandemónio fabuloso e repercorrido, titubeante, a história da vida de um pobre diabo judeu irlandês, enganado pela mulher e que corre atrás de qualquer saia que lhe passa perto.
Terá pelo caminho refeito todo o percurso da História, paródica e sublime, a história de tudo o que a Humanidade inventou para atravessar a terra: línguas, culturas, metafísicas, filosofias, teologias, erotismos, ritos, brincadeiras, preces, magias, sem esquecer o "whisky", o vinho tinto e os rins fritos em manteiga, sem esquecer também os prodígios da palavra humana, única alavanca de Arquimedes que poderia, sem ponto de apoio, levantar o mundo.
Considerada, unanimemente, uma das mais importantes e controversas criações literárias da literatura mundial, Ulisses criou formas inusitadas de expressão, inaugurou uma nova linguagem, inventou voz e estilo, e, por muito tempo, devido às suas transgressões literárias, permaneceu censurado.»

Contos Carnívoros


Um botânico enamorado da sua planta carnívora. Um padre argentino que tem a faculdade de se desdobrar em corpos diferentes. Onze escritores mortos que o leitor nunca leu. Uma mulher-laranja que se deixa literalmente beber pelos seus amantes. Uma sociedade de estetas fascinados pelas marés negras. Uma tribo de índios da Amazónia que nenhum linguista compreende. E o extraordinário Pierre Gould, que ressurge incessantemente em diferentes trajes e disfarces…

edição: AHAB

título: Contos Carnívoros

autor: Bernard Quiriny

tradução: Miguel Serras Pereira

formato:14x21cm (capa mole)

n.º pág.: 233

isbn: 9789899722804

pvp: 20€

sexta-feira, junho 3

Imbecilcopédia XXVI

Dez espécies em que o macho cuida das crias:

Betta Slendens ^ - Cavalo marinho^ - Ema# - Falaropo # - Jaçana# - Megapódio Ocelado# - Peixe Palhaço^ - Sagui* - Sapo Flecha @ - Siamangue* - e eu*.

* Mamífero; # Ave; @ Anfíbio; ^ Peixe.


Jaime Bulhosa

Poesia e Prosa de Eugénio de Andrade


Dois volumes da obra de Eugénio de Andrade, com a chancela da Modo de Ler, chegaram às livrarias. Poesia Reunida e Prosa Reunida. Prefaciados, respectivamente, por Óscar Lopes e Luís Miguel Queirós, estes dois livros marcam o arranque da publicação da obra completa do autor de Afluentes do Silêncio. Mas não se esgota aqui o plano editorial da Modo de Ler. Cruz Santos, entre outros projectos, vai publicar, pela primeira vez, a Antologia da Moderna Poesia Portuguesa, "que Eugénio deixou pronta". Segundo o critério e o gosto do exigente antologiador, a moderna poesia portuguesa começa com Gomes Leal e estende-se a Sophia e Ramos Rosa. Uma outra antologia inédita, organizada pelo editor, guardada anos na gaveta, a chegar nos próximos tempos às livrarias, reúne poemas de Eugénio de Andrade sobre os meses e as estações do ano. O título foi o poeta que o escolheu, e é o seguinte: Os Meses, os Dias Um a Um. As novas edições, garante Cruz Santos, "mantêm o espírito da Inova, mas com um grafismo diferente". Nessa editora e em muitos outras grandes iniciativas, foi Armando Alves o responsável pelo grafismo. A partir de agora, na Moda de Ler, a linha gráfica está a cargo do designer Rui Mendonça. Nos últimos anos, refira-se, a obra do autor de Memórias da Alegria era publicada pela Fundação Eugénio de Andrade (FEA), que mais tarde fez uma parceria com as edições Quasi. Entretanto, a editora de Famalicão encerrou e a FEA, por falta de apoios, apresentou o pedido de extinção, em 2009, ao Governo.

quarta-feira, junho 1

Dia Mundial da Criança



Sinal dos tempos

O Vasco lê um livro que é como quem diz, vê os bonecos. A meio da leitura fecha o livro e deixa-o de lado.

- Então, não estás a gostar do livro?

- Não é isso pai, pus na pausa.

Nota: Seria tão bom que também eu o pudesse pôr na pausa e ficar com ele sempre criança.

Jaime Bulhosa

Laçamento do livro "Portugal à Coronhada"

(clique na imagem para aumentar)

O lançamento do livro Portugal à Coronhada, de Diego Palacios Cerezales, edição tinta-da-china, hoje pelas 19 horas, na Livraria Pó dos Livros. Apresentação de José Neves.