quinta-feira, julho 28

De férias


A minha colega pediu-me para ir depressa de férias. Passado estas semanas sem aparecer nem escrever neste blogue, ela por telefone repreende-me:

- Não te pedi que fosses depressa?

- Pediste-me. Mas não me disseste nada quanto ao regresso.


Jaime Bulhosa

terça-feira, julho 12

Diário Secreto do Pequeno Polegar


“Chamo-me Pequeno Polegar. Gosto de escrever e desenhar sobre as coisas que me acontecem. Esta é a minha história. Nunca a esquecerão".
A história do Pequeno Polegar magnificamente revisitada sob a forma de um diário secreto.
Mais uma obra-prima assinada por Rebecca Dautremer.

edição: Editora Educação Nacional

título: Diário Secreto do pequeno Polegar

autor: Philippe Lechermeier Ilustrado: Rebecca Dautremer

isbn: 9789726594871

pvp: 19.50€

quarta-feira, julho 6

Agência “rating” Moddy’s


Um estrangeiro muito rico e um português muito pobre tinham cada um o seu filho.

O estrangeiro muito rico levou o filho ao ponto mais alto da Serra da Estrela e mostrou-lhe com um gesto a portentosa paisagem em redor e disse-lhe:

- Olha, um dia todo este país será teu. Eu vou compra-lo amanhã ao preço de lixo.

O português muito pobre, levou o filho ao cimo da mesma serra, mostrou-lhe a paisagem em redor e disse-lhe, simplesmente:

- Olha. – Enquanto podes!

(inspirado numa uma fábula do Oriente)

terça-feira, julho 5

Narciso



«Quando Narciso morreu, conta Oscar Wilde, todas as flores da margem, desoladas, pediram ao rio algumas gotas de água para chorar.

- Ah – disse o rio –, nem que todas a minhas gotas de água fossem lágrimas me bastariam para chorar a morte de Narciso. Porque o amava.

- Impossível não o amar! – disseram então as flores –. Era tão belo!

- Era belo? – pergunta rio.

- Quem melhor do que tu para o saber? – disseram as flores –. Ele todos os dias se debruçava na margem e contemplava nas tuas águas a sua beleza.

- Mas não era por isso que eu o amava – disse o rio.

- Então porque era?

- Porque, quando ele se debruçava, eu podia ver a beleza das minhas águas nos seus olhos.»

As Luzes de Leonor


Um romance sinfónico sobre a Marquesa de Alorna, Leonor de Almeida Portugal, neta dos Marqueses de Távora, uma figura feminina ímpar na história literária e política de Portugal. A grande escritora Maria Teresa Horta, persegue-a e vigia-a nos momentos mais íntimos, atraída pela desmesura de Leonor, no seu permanente conflito entre a razão e a emoção. Acompanha-a no voo de uma paixão, que seduz os espíritos mais cultos da época, o chamado "século das luzes", e abre as portas ao romantismo em Portugal.

edição: D.Quixote

título: As Luzes de Leonor

autor: Maria Teresa Horta

n.º pág.: 1000

isbn: 9789722047510

pvp: 30.00€

sexta-feira, julho 1

No creo en brujas, pero que las hay, las hay.


A Galiza, de onde vêm as minhas origens paternas e onde passei a maior parte das férias da minha infância e juventude, é uma região de Espanha onde as tradições são profundamente influenciadas pela religião católica. Todavia, estas tradições misturam-se ainda, nos meios mais populares, com ritos e mitos pagãos de origem politeísta, oriundos talvez dos povos celtas que por ali viveram e deixaram a sua marca.
Desde pequeno que oiço contar histórias sobre meigas. Mulheres com poderes extraordinários e mágicos que fazem pactos com os demónios. A figura da meiga está muito enraizada na tradição popular galega e confunde-se com a figura da bruxa, mas diferencia-se desta última por nem sempre ter comportamentos maléficos. Elas são também conhecidas como curandeiras ou videntes e são, muitas vezes, procuradas pelas gentes das aldeias pelos seus poderes mágicos e curativos. Na Galiza, juntamente com as meigas, acredita-se na existência de muitos outros seres, mais fantásticos, de um mundo menos material, mais espiritual e invisível para a grande parte das pessoas. Estou a falar de fadas, dos espíritos dos mortos e dos trasnos, também conhecidos no Norte de Portugal como trasgos e mais vulgarmente denominados duendes ou gnomos.
Os trasnos não são seres malévolos. Dizem os mais velhos que são os espíritos das crianças que morreram sem serem baptizadas. Parece que gostam de viver nos jardins luxuriosos das casas do campo. Como recompensa de um jardim cuidado, zelam para que as sementes se transformem em plantas viçosas de flores coloridas, frutos maduros, grandes e untuosos. Mas, como todas as crianças, deliciam-se a pregar partidas aos habitantes vizinhos. Por vezes, entram de noite nas casas, movem os objectos de um lado para outro, fazendo uma terrível e assustadora barulheira.
A minha avó, que afirmava convictamente ser ela própria uma meiga, costumava, na sua velhice, falar sozinha. Sentava-se num lugar especial e mágico, aqui captado pela fotografia que ilustra este post. (Como curiosidade, se aumentarem a fotografia e olharem bem para o lado direito, mais ou menos a meio, entre a folhagem do pinheiro, poderão ver um pequeno trasno, com as suas orelhas em bico. Alguns conseguirão ver, outros não.) Dizia eu que a minha avó falava sozinha e, quando se lhe perguntava com quem estava a falar, ela respondia com um semblante rabugento e muito sério: «Falo con xente pequena

Na Pó dos livros, ultimamente, têm acontecido fenómenos estranhos. Sobretudo desde que regressei de umas curtas férias à Galiza. Os vizinhos têm-nos feito queixas. Dizem-nos que ouvem, durante a noite, sons de correria e risos de crianças, como se estivessem a brincar no recreio da escola. Nós próprios temos confirmado ocorrências misteriosas. Alguém ou alguma coisa anda a mexer nos livros. Certo é que, quando abrimos de manhã a livraria, damos com alguns livros espalhados no chão, marcados como tendo sido lidos. Terei trazido comigo, dentro da bagagem, inadvertidamente, alguns trasnos?
Se sim, os malvados gostam de boa literatura infantil.

Jaime Bulhosa

Nota: Se quiserem conhecer melhor este lugar mágico, sigam este link: (mi jardín, mi paraiso)