Quarta-feira, Outubro 26
Incumprimento do crédito à habitação
Ferdydurke
Segunda-feira, Outubro 24
perder teorias


Fazer opinião
Sábado, Outubro 22
Ordenados em atraso na Bulhosa

Eu entendo que uma empresa possa estar a passar dificuldades, ainda para mais tratando-se de uma livraria, no meio desta imensa crise económica. Já não entendo, tão facilmente, porque é que a situação não foi devida e atempadamente explicada aos funcionários da Bulhosa. Desejo, sinceramente, que a situação se resolva rapidamente e da melhor maneira possível, tanto para os funcionários como para os proprietários.
Jaime Bulhosa
Quinta-feira, Outubro 20
Como deve funcionar o mundo
O Último Segredo

Curso de Auto-Edição
Estão abertas as pré-inscrições até ao dia 10 de Novembro de 2011 para o Curso de Auto Edição, Curso Prático Para a Criação De Publicações de Natureza Gráfica, a realizar no Centro de Investigação e de Estudos Arte e Multimédia (CIEAM), da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
Para se inscreverem nesta fase de selecção os candidatos deverão enviar a ficha de pré inscrição para o e-mail do CIEAM. As entrevistas de selecção com portfólio serão marcadas posteriormente e realizar-se-ão nos dias 14 e 15 de Novembro de 2011, entre as 18h30 e as 20h30. Data de comunicação da lista de participantes: 16 de Novembro. Datas de inscrição e pagamento: 16, 17 e 18 de Novembro. O curso terá início no dia 21 de Novembro de 2011 até 13 de Março de 2012, às Segundas e Terças feiras, no horário pós-laboral das 18h00 às 22h00, perfazendo um total de 120 horas de formação.
Para mais informações ver aqui.
Um Mundo Iluminado

Vivemos num mundo desprovido de heróis ou referências. O panteão dos deuses gregos é hoje uma curiosidade histórica, e o Deus omnipresente da Idade Média já não nos comanda as acções. Onde encontrar, então, um sentido para as nossas escolhas? Para a nossa existência?
Hubert Dreyfus e Sean Dorrance Kelly procuraram respostas nos grandes clássicos da literatura ocidental. De Homero a David Foster Wallace, os autores propõe-nos uma releitura das obras-primas onde se enraíza a nossa cultura. Em pinceladas breves e incisivas, revisitam Melville e a maníaca perseguição a Moby Dick, descem ao inferno de Dante, revêem Descartes ou Kant. E redescobrem um antídoto para o niilismo contemporâneo, para o nosso inflexível individualismo. Um Mundo Iluminado é uma obra desconcertante, de dois académicos que ousam descer da cátedra para reflectir sobre o modo como vivemos. E que nos devolvem o sentido da procura (e a procura de sentido), que são os desígnios da filosofia.
edição: Lua de Papel
título: Um Mundo Iluminado
autor: Hubert Dreyfus & Sean Dorrance Kelly
tradução: Grancisco Gonçalves
n.º pág.: 285
isbn: 9789892315874
pvp:15.90€
Quarta-feira, Outubro 19
Comércio de bairro

Não é verdade, que cada livraria de bairro ou de província que tenha que encerrar, por ser incapaz de aguentar a crise económica ou acompanhar os baixos preços das grandes superfícies, representa uma perda para o abastecimento espiritual e cultural dessa zona?
Nos últimos meses têm-nos chegado notícias preocupantes, sobre o encerramento contínuo de livrarias independentes
Obrigado.
Terça-feira, Outubro 18
Geniociclopédia V
Um escultor brasileiro, sem qualquer formação artística, escolhe bocados de madeira e extrai deles animais. Alguns desses animais são seus conhecidos, outros não. Um dia em que esculpe uma girafa, sem qualquer modelo, sem nenhuma imagem deste animal que nunca tinha visto, alguém lhe pergunta como é que faz.
- É muito simples – responde ele. – Pego o meu bocado de madeira, começo a trabalhar e tudo o que não pertence à girafa, boto fora.
Claraboia

A acção do romance localiza-se em Lisboa em meados do século XX. Num prédio existente numa zona popular não identificada de Lisboa vivem seis famílias: um sapateiro com a respectiva mulher e um caixeiro-viajante casado com uma galega e o respectivo filho - nos dois apartamentos do rés do chão; um empregado da tipografia de um jornal e a respectiva mulher e uma "mulher por conta" no 1º andar; uma família de quatro mulheres (duas irmãs e as duas filhas de uma delas) e, em frente, no 2º andar, um empregado de escritório a mulher e a respectiva filha no início da idade adulta.
O romance começa com uma conversa matinal entre o sapateiro do rés do chão, Silvestre, e a mulher, Mariana, sobre se lhes seria conveniente e útil alugar um quarto que têm livre para daí obter algum rendimento. A conversa decorre, o dia vai nascendo, a vida no prédio recomeça e o romance avança revelando ao leitor as vidas daquelas seis famílias da pequena burguesia lisboeta: os seus dramas pessoais e familiares, a estreiteza das suas vidas, as suas frustrações e pequenas misérias, materiais e morais.
O quarto do sapateiro acaba alugado a Abel Nogueira, personagem para o qual Saramago transpõe o seu debate - debate que 30 anos depois viria a ser o tema central do romance O Ano da Morte de Ricardo Reis - com Fernando Pessoa: Podemos manter-nos alheios ao mundo que nos rodeia? Não teremos o dever de intervir no mundo porque somos dele parte integrante?
edição: Caminho
título: Clarabóia
autor: José Saramago
n. pág.: 398
isbn: 9789722124416
pvp: 18.50€
Sexta-feira, Outubro 14
Fico muito contente

Jaime Bulhosa
Milagres, milagres...

Alegre, simpático, de estatura e rosto, de onde se destacavam um bigode fino e um par de óculos que, com o chapéu adequado, seria a verdadeira reencarnação do poeta Fernando Pessoa. O cliente em questão, entra na livraria de manhã cedo, de papel na mão:
- Bom dia. Tenho aqui comigo uma entrevista sobre a vossa livraria e que me chamou a atenção; até porque necessito de um livro que sei que está esgotado e é muito difícil de encontrar. Passo a citar, Jaime Bulhosa: A Pó dos livros tenta sempre satisfazer aqueles pedidos que ninguém quer aceitar, porque dão muito trabalho e pouco retorno financeiro, isto é, fazemos, sistematicamente, périplos pelos alfarrabistas, feiras de usados, etc., em busca de um só livro que há muito se encontra esgotado e que não custa mais de cinco euros, mas que o cliente deseja muito adquirir. Por vezes, dizem-nos que fazemos milagres. Pergunto: Se são capazes disto tudo e se por acaso não me conseguirem arranjar o livro, também serão capazes de o escrever?
Post reciclado, revisto e actualizado
A melhor empresa alemã de consultadoria, que a partir de agora designaremos como Consultores SA, foi contratada. A Consultores SA sentiu o peso da responsabilidade e do cliente e também ela não quis deixar ao acaso um estudo desta importância. Assim, colocou ao serviço do seu cliente os melhores recursos técnicos de research. Depois de consultados os melhores especialistas na área, como, editores, autores, escritores, críticos literários, doutores, engenheiros, etc., a Consultores SA definiu o problema, desenvolveu o plano de pesquisa, recolheu os dados secundários e primários, tratou os dados, analisou e interpretou. Após largas semanas de árduo trabalho, finalmente elaborou um Plano de Acção, que de imediato foi enviado à Editores SA. O Plano de Acção consistia num relatório de 1000 longas páginas, com os mais belos e coloridos gráficos, de linha, cone, esferas e paralelepípedos, tabelas e análises desenvolvidíssimas, resultados de sondagem e inquéritos à porta de livrarias, por telefone, Internet, aos universos mais completos dos leitores, por idades, sexo, classes sociais, habilitações, gostos e passatempos, etc., etc. Nunca se havia visto melhor estudo de mercado sobre o livro. Era tão completo, que se podia saber pormenores interessantíssimos, como por exemplo: homens de meia-idade, de classe social A, que usam ceroulas, lêem apenas livros religiosos; os que não usam roupa interior lêem apenas teatro; e os que usam lingerie feminina lêem Margarida Rebelo Pinto. Na Editores SA foi uma excitação: com este Plano de Acção ninguém os poderia bater. Decidiu-se então a compra e remodelação da cadeia de livrarias e, como acção publicitária, anunciou-se a construção da maior e mais moderna livraria do País. Reunido grupo de trabalho com os melhores arquitectos, directores de marketing, informáticos e gestores, e depois de quase todos os temas e problemas terem sido debatidos, foi lançada uma nova questão:
- Pessoal, como vamos dividir o novo espaço comercial em termos percentuais das diversas secções temáticas de livros?
- Como assim?
- Sim, em que temas vamos apostar mais - ciências sociais, ficção, infantil... -, enfim, que livros vamos vender.
Primeiro fez-se um silêncio confrangedor. Depois cada um e ao mesmo tempo, com elevados decibéis, dava um palpite. Com um murro no tampo, o Presidente do Conselho de Administração, pôs ordem na mesa.
- Silêncio, por favor! Mas, afinal de contas, para que é que encomendámos o estudo de mercado?
Resposta quase em uníssono: - É verdade! o nosso Digníssimo Presidente tem toda a razão.
Mandou-se buscar o estudo. Depois de alguns meses a tentar interpretá-lo - sim, porque a produtividade das empresas portuguesas é assim, a brincar a brincar, trabalhamos mais meia hora, por dia, que os outros -, chegou-se à conclusão de que o Plano de Acção nada dizia sobre o assunto ou, se dizia, nas suas longas páginas não se conseguia descortinar. Ficou decidido passar a batata quente para a empresa de consultadoria, com o pretexto de se ter pago os olhos da cara por um Plano de Acção que era omisso relativamente a esta questão. Exigiu-se um resumo que pudesse ser facilmente interpretado para esta matéria e em português, porque em alemão, não dava jeito.
A Consultores SA entrou quase em pânico, boquiaberta, com a excentricidade da exigência da empresa portuguesa, sintetizar não era o forte nem a missão da empresa de consultadoria alemã.
Reunido o conselho de emergência, debateu-se largamente o busílis da questão. Finalmente elaborou-se um novo Plano de Acção, desta feita o mais sintético possível, com apenas uma página, e que era lavrado nos seguintes termos:
Exmos. Senhores,
Conforme nos foi solicitado por vossas excelências, segue o relatório sintético do Plano de Acção. Propomos a seguinte divisão temática das edições e espaços comerciais (alertamos para a importância de não inovarem demasiado, pois o mercado actual obedece a esta divisão):
Grandes livros – 2%
Bons livros - 5%
Livros medíocres – 23%
Lixo – 70%
Nota: A escolha dos títulos aconselháveis não é da nossa responsabilidade. A Consultores SA, apenas aponta caminhos, nunca soluções.
Com os nossos melhores Cumprimentos.
Jaime Bulhosa
Quinta-feira, Outubro 13
Quero chegar ao fim do mês

Déjà vu
Maquiavel apegava-se à convicção de que os homens são sempre os mesmos e têm sempre as mesmas paixões, de forma que, quando, as circunstâncias são similares, as mesmas causas devem conduzir aos mesmos efeitos:
Reparei no homem que estava, há bastante tempo, sentado à mesa do café da livraria. Deveria andar perto do seu sexagésimo aniversário. De estatura meã, sumida e semblante esguio. Lábios finos como se fossem apenas uma linha contínua que lhe desenhava os contornos da boca. Chamou-me a atenção, não pela aparência e trajes bem cuidados, mas pelo facto de segurar um livro, escrito em inglês, de pernas para o ar. Dava a sensação de que o fingia ler da direita para esquerda e de baixo para cima. O ligeiro movimento oposto que fez com a cabeça, levou-me, imediatamente, a suspeitar dele. Era óbvio que arquitectava algum plano para me roubar. Tão preocupado que estava, em seguir a minha actividade, nem deu conta que tinha segurado no livro ao contrário. – Este já eu apanhei! – Pensei para comigo.
Sem perder tempo, dirigi-me a ele:
- Ó meu caro amigo! a mim não me engana.
Interrompido, de forma abrupta, o “cliente” levanta a cabeça, vira os olhos na minha direcção e exclama:
- Já esperava ser incomodado!
- Escusa de estar, para aí, a fingir que lê inglês.
Disse eu, arrojado.
O homem, perto de um sorriso maldoso, responde-me:
- Todavia, estou de facto a ler. Não gosto muito é de ser interrompido quando o faço.
- Aí sim. Então porque segura o livro invertido?
- É um velho hábito. Não é que eu não consiga ler normalmente, mas foi assim que aconteceu. Sabe, fui educado por um preceptor que para além de ser inglês era excêntrico, maquiavélico e que achava que havia vantagens em aprender a ler com os caracteres de pernas para o ar. Não queira saber os incómodos que este método já me causou. Quando era jovem passava a vida a ter que fazer o pino, só para conseguir ler um cartaz de cinema. E os equívocos! tantas vezes provocados, apenas por ler livros virados do avesso. Imagine, noutros tempos, o que era estar sentado numa esplanada, sossegado e, ter por azar, na mesa da frente, uma bela mulher. De quanta chacota e risada, já fui alvo. Antigamente irritava-me muito…
Mandei-o parar com a conversa e intervim:
- Oiça lá, o senhor julga que me engana com essa ladainha!
- Cada um acredita no que quer.
Com esta resposta, levanta-se e dirige-se para a porta de costas, como num filme rodado ao contrário. Contudo, antes de sair, coloca o livro na estante onde ele pertencia.
Para meu espanto, passados apenas uns segundos, volta a entrar. Agora a caminhar normalmente. Pega novamente no livro, senta-se na mesa do café e inicia a leitura.
Abano a cachimónia entorpecido, tudo o que tinha acabado viver, não passava de um déjà vu. Não me atrevi a aborrecê-lo. Entretanto, fui distraído, durante um minuto, por outro cliente. Mal finalizo o que estava a fazer, não resistindo à curiosidade, procuro com os olhos o misterioso homem. Fiquei estupefacto, nem homem, nem livro e maldigo:
- Fui roubado! Traído por um safado de um déjà vu.
Némesis

Terça-feira, Outubro 11
Protesto

Quando pretendemos protestar contra alguma coisa ou contra alguém devemos aguardar primeiro, pacientemente, que nos causem o maior número de injustiças possíveis. Creio estar na hora do protesto.
livreiro anónimo
Segunda-feira, Outubro 10
Curso de Literatura
1ª sessão - final do século XIX abertura para as vanguardas do séc. XX
3ª sessão - Surrealismo
4ª sessão - Neo-realismo Existencialismo poesia de intervenção
5ª sessão - Novos autores
2ª feiras, de 31 de Outubro a 28 de Novembro,
das 21h às 22h30, na Livraria Pó dos Livros.
Inscrições: podoslivros@sapo.pt / Tel: 21 795 93 39
Sexta-feira, Outubro 7
Campanha Geração à Rasca

Durante os meses de Outubro a Dezembro de 2011, todos os desempregados e jovens à procura do primeiro emprego beneficiarão de um desconto de 50% em todos os cursos da Booktailors.
Para mais informações aqui: blogtailorsQuinta-feira, Outubro 6
Salvemos o Lince e a Serra da Malcata



