quarta-feira, fevereiro 22

História da Eternidade / O Livro de Areia



História da Eternidade

«O movimento, ocupação de lugares diferentes em instantes diferentes, é inconcebível sem o tempo; igualmente o é a imobilidade, ocupação de um mesmo lugar em pontos diferentes do tempo. Como pude não sentir que a eternidade, ansiada com amor por poetas, é um artifício esplêndido que nos livra, embora de maneira fugaz, da intolerável opressão do sucessivo?» 


«Esta pura representação de factos homogéneos – noite em serenidade, ar límpido, cheiro provinciano da madressilva, bairro fundamental – não simplesmente idêntica à que houve nessa mesma esquina há tantos anos; sem parecenças nem repetições, é simplesmente a mesma. O tempo, se pudermos intuir esta identidade, é um desilusão: bastam para o desintegrar a indiferença e a inseparabilidade de um momento do seu aparente ontem de um momento do seu aparente hoje.»


O livro de Areia

«Não mostrei a ninguém o meu tesouro. À felicidade de possuí-lo juntou-se o medo de que mo roubassem, e depois o receio de que não fosse verdadeiramente infinito. Essas duas inquietações agravaram a minha já velha misantropia. Sobravam uns amigos; deixei de vê-los. Examinei com uma lupa a lombada já gasta e as capas e rejeitei a possibilidade de algum artifício. Comprovei que as pequenas ilustrações distavam duas mil páginas uma da outra. Fui-as anotando num registo alfabético, que não tardei a encher. Nunca se repetiram. De noite, nos escassos intervalos que me concedia a insónia, sonhava com o livro.»


título: História da Eternidade / O livro de Areia
autor: Jorge Luis Borges
edição: Quetzal
tradução: José Colaço Barreiros / António Sabler
formato: 12.5x19.5cm
n.º pág.: 140/133
isbn: 9769725649923 / 9769725649930
pvp: 12.50€

2 comentários:

Letícia disse...

Ainda bem que se lembraram de voltar a publicar os Livros de Jorge Luis Borges que praticamente não se encontravam em lado nenhum.

Leticia

joão ricardo lopes disse...

Duas excelentes propostas! Ando justamente a ler «O Livro de Areia», saciando uma fome já antiga de Borges... Motivos para o ler nºao faltam: a trama narrativa, a erudição de Borges, a surpresa dos desenlaces, o inusitado das personagens, a singularidade desta escrita, filtrada em milhares de livros que o autor conheceu... O primeiro conto é qualquer coisa!!!