quarta-feira, fevereiro 22

Os livreiros e as novas tecnologias.


Parece que o primeiro autor a chamar a atenção sobre si devido ao facto de ter escrito um romance num computador foi o jornalista e escritor inglês Desmond Bagley, no princípio dos anos 70. O público e os jornalistas da época compreendiam tão pouco e eram tão ignorantes em relação aos computadores que acreditaram no boato segundo o qual o romance de Bagley fora escrito pelo seu próprio computador. Hoje em dia estamos bastante mais informados acerca das capacidades dos computadores. Sabemos que a criatividade e imaginação humanas não podem, por enquanto, ser reproduzidas pela máquina. Ainda há escritores que escrevem as suas obras à mão e outros que utilizam a máquina de escrever. Mas a verdade é que a maior parte já escreve sempre no computador. Já ninguém acredita que são os computadores que escrevem por eles. Contudo, também é verdade que os computadores disponibilizam uma ferramenta (o «copy-paste») que permite que muita gente escreva livros.
Há alguns anos – para não dizer há muitos –, dava eu os primeiros passos na aprendizagem da profissão de livreiro, tarefa que julguei, na altura, nunca vir a executar como deve ser, porque me diziam ser necessário decorar os milhares de títulos de livros existentes na livraria e seus respectivos autores. Pareceu-me uma tarefa hercúlea, mas eu levei-a a sério e, em poucos meses, já tinha decorado umas «boas» dezenas deles. Felizmente, pouco tempo depois, fui salvo pela chegada do computador.
Agora, os mesmos computadores transformados em ebooks, tablets váriosameaçam acabar comigo, ou seja, com os livreiros. Ironia!

Jaime Bulhosa

2 comentários:

Carlos Barbosa disse...

A propósito de "devices" há um conto "bangsiano" (para os menos familiarizados com o termo, diz respeito à fantasia de John Kendrick Bangs), chamado "A Máquina de Escrever Encantada" em que o protagonista comunica com um mundo fantástico, do além, através de uma máquina de escrever que tecla sozinha... é muito engraçado.

CB

SEVE disse...

Mas ameaçam acabar só consigo? então se um computador substitui 100 homens...e cada vez mais e mais e mais...até nas portagens...