sexta-feira, março 2

Ando com uma mania.


Ando com uma mania. É parva, eu sei, mas o que querem, deu-me para isto. A verdade é que quando se trata de literatura ou melhor ficção, não leio, salvo raras excepções, um livro que não tenha sido escrito há pelo menos cem anos ou quase. Tem que ser considerado um clássico. Talvez tenha preconceito ou me esteja a armar aos cucos, pode ser que seja isso, no entanto, sinto-me bem assim. Claro, é evidente que existem belíssimas obras escritas por autores nossos contemporâneos. Mas um livro novo, para mim, é um livro fechado, como se fosse uma pessoa virgem, ingénua, sem experiência de vida suficiente para me transmitir sabedoria ou me atrair. Um livro antigo, pelo contrário, é um livro aberto, isto é, matéria fecunda, pessoa madura, versada e diferenciada. Prefiro assim, noutros tempos foi o contrário. Entendo que os livros novos não passaram ainda pelo filtro do tempo, não foram suficientemente perscrutados de forma a garantir qualidade. Editam-se milhares, se não milhões de livros por ano, em todo o mundo. Porque hei-de perder tempo com porcaria, literatura light ou algo do género, se tenho à minha disposição milhares de clássicos – quantidade mais do que suficiente para preencher a minha vida inteira de leitor –, com o selo de garantia dado por várias gerações. Ah! E se for uma edição com uma capa vintage e a um preço mais em conta, melhor ainda.

Jaime Bulhosa

7 comentários:

Anônimo disse...

Mein Kampft está quase a tornar-se uma obra madura. Deixá-la fermentar mais uns aninhos...

Anônimo disse...

Concordo em parte consigo. Sim, não perco tempo com literatura light (nem com o que não me interessa), mas os clássicos também já foram actuais!!!
mjoao

Pó dos Livros disse...

O "Mein Kampf" não é ficção ou será?

Anônimo disse...

E como é que um livro aguenta 100 anos se não for lido durante esse tempo?

Então os livros da Margarida Rebelo Pinto daqui a 100 anos são clássicos automaticamente?

Não, o que faz dos livros clássicos não é o pó, é precisamente serem lidos!

asminhasquixotadas disse...

Como eu o compreendo. Fiz a minha tese de mestrado sobre isso e cada vez me convenço mais de que é nos clássicos que estão as melhores leituras que podemos fazer. Eventualmente lá vem um contemporâneo muito bom, mas há uma maturidade nos clássicos que nos faz respeitá-los. A sua sobrevivência a tantos anos de leituras é quase uma mensagem de qualidade garantida. Falei um bocadinho sobre isso no meu blogue há uns dias, embora me tenha voltado mais para aquilo que os miúdos lêem e para a necessidade de lhes dar os clássicos.

http://asminhasquixotadas.blogspot.com/2012/02/saga-twilight-e-os-penhascos-deste.html

Paula disse...

Tenho preferência por livros antigos e adoro comprar nos alfarrabistas. Parece que os livros vêm com história própria para além daquela que contam. Em que prateleiras andaram? Foram lidos, não foram... um livro antigo é sempre diferente de um actual...
Enfim... manias de leitor

SEVE disse...

Ó amigo Jaime - olha que verdade!

Por cada decepção que apanho com um escritor novo é isto que me vem à cabeça, mas a garganeirice de ler é tanta que nem sempre penso nisto...