segunda-feira, março 19

Bolonha 2012

A Feira do Livro Infantil Bolonha 2012 começa hoje. Aqui na Pó inauguramos os festejos com convidados especiais - a editora Planeta Tangerina que numa visita virtual à Pó dos livros nos deixou a sugestão de três livros.

3 livros de 3 continentes

Ainda não vi nenhum destes livros e talvez seja estranho recomendar livros que nunca se folhearam (estranho não, estranhíssimo). Ainda assim, entre os livros que ultimamente me têm passado pelos olhos — através dos sites ou catálogos das editoras — estes são alguns dos que me ficaram na memória. Não pelo conteúdo, claro, mas pelas capas, pelos títulos, pelas ideias que lhes serviram de base ou pelas duas ou três páginas disponíveis que me abriram o apetite.

Para além de nos dar a conhecer livros absolutamente novos, as idas à Feira de Bolonha servem também para confirmar (ou não) as expectativas que temos sobre alguns livros. Estes que aqui deixo não são, portanto, uma recomendação, mas antes uma partilha de curiosidade (se ficarem desiludidos, pensem que, muito provavelmente, a mim me irá acontecer o mesmo...).



O primeiro é um livro da Tara Books, editora indiana conhecida pelos seus livros manufacturados, desenhados e impressos segundo técnicas tradicionais.
A imagem da capa é linda (pintada ao estilo Mithila), mas o que me conquistou foi o título: “Hope is a girl selling fruit”.
Não sei quase nada sobre este livro: não tenho a certeza se a narradora é a própria autora, não percebo se há uma história ou se o livro é uma espécie de diário. Sei apenas que tudo começa com uma viagem de comboio, no momento em que a narradora põe o pé na gare de uma cidade desconhecida (bom começo...).


O segundo é um livro de uma editora polaca, a Dwie Siostry, com livros e coleções de uma qualidade gráfica invulgar (os textos não consigo avaliar).
Este livro que escolhi faz parte de uma coleção sobre Arte e Arquitetura dirigida aos leitores mais novos. É um título acabado de sair, sobre Arte Contemporânea e, ao longo das páginas, apresenta criações de artistas contemporâneos que incluem explosões, edifícios cortados ao meio, instalações com cadeiras, desafios de rafting ou conversas com animais. O livro explica porque é que tudo isto pode ser considerado arte, procurando levar aos mais novos a ideia de que “a arte pode ser divertida e o artista, um mágico que encanta a realidade” (a propósito, o título, “SZTUKA”, significa “Arte”).





Por fim, um livro sem palavras que já não é propriamente novo, mas que continua a ser uma pérola: chama-se “Zoom”, o autor é o húngaro Istvan Banyai, mas foi editado pela primeira vez pela americana Viking (1995).
Começamos perto, com um detalhe de tons alaranjados (que na página seguinte percebemos tratar-se da crista de um galo) e depois vamo-nos afastando, transformados em lente de máquina de filmar, cada vez mais depressa até chegarmos aos confins do espaço. Ao virar de cada página descobrimos que o que pensávamos ser uma coisa afinal é outra; que tudo pode mudar quando nos apercebemos do contexto global de cada coisa; que o que parecia real é apenas uma imagem (uma imagem de uma imagem de uma imagem).
Um livro que nos deixa suspensos do princípio ao fim e que se recomenda para leitores dos 0 aos 100.
(Já agora, os outros dois também: quando os livros são bons porque é que hão de ter limite de idade?)

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