Imbuído do mais sincero espírito humanista e de altruísmo político, o alcaide da vilazinha de Gaxate, da grande monarquia
de Espanha, que não vinha no mapa por ficar situada por baixo de um viaduto de
uma auto-estrada, decide mandar construir uma biblioteca. Aproximava-se o dia das
eleições. «Era necessário fazer qualquer coisa!» – afirmava o nobre político, com convicção perante o seu
secretário, enquanto este o alertava para o facto de a grande maioria da
população da vila de Gaxate ser composta por analfabetos. «Talvez não seja uma
prioridade!?...» – Disse, rumorejando, o secretário. Mas isso não demoveu o
alcaide, bem pelo contrário. E em nome da cultura e bem do povo, não se fez
rogado. Democraticamente concluiu ser necessário para a reunião de obra a presença de pelo menos um representante de cada um dos três estados da
sociedade, a nobreza, o clero e o povo e ainda peritos vindos da capital,
afamados doutores, engenheiros, arquitectos e até ecologistas. – Se não como
justificaria o seu nome na futura placa de inauguração do edifício –. No dia da
célebre reunião, e com todos os ilustres convidados presentes, os da capital e
os da terra, inclusive o bispo da diocese e o Paco (como era conhecido na vila
o secretário do alcaide e escolhido aleatoriamente como representante do povo, por ser dos poucos que sabia ler e escrever), gera-se então uma acesa
discussão sobre como e com que livros deveriam encher a biblioteca. Depois de
dadas as opiniões e de não terem chegado a lado nenhum, o representante do povo, e único que ainda não tinha alvitrado, diz:
- Desculpem Vossas Excelências, mas estranho muito não ver nesta reunião um filósofo e um bibliotecário!
Mais estranharam os outros, o facto de o Paco achar estranho. Sem perder tempo, com um semblante inquisitivo e de voz vigorosa, o alcaide exclama:
- E por que raio necessitamos nós de um filósofo!?...
- Bem… – diz a medo o Paco – mais que não seja, tinha dado por falta do bibliotecário.
- Desculpem Vossas Excelências, mas estranho muito não ver nesta reunião um filósofo e um bibliotecário!
Mais estranharam os outros, o facto de o Paco achar estranho. Sem perder tempo, com um semblante inquisitivo e de voz vigorosa, o alcaide exclama:
- E por que raio necessitamos nós de um filósofo!?...
- Bem… – diz a medo o Paco – mais que não seja, tinha dado por falta do bibliotecário.

Um comentário:
Talvez essas perguntas sejam feitas por muitos mesmo!
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