terça-feira, maio 8

As Mil e Uma Noites



As Mil e Uma Noites é uma colecção de histórias e contos populares originárias do Médio Oriente e do sul da Ásia e compiladas em língua árabe a partir do século IX. No mundo ocidental, a obra passou a ser amplamente conhecida a partir de uma tradução do francês realizada em 1704 pelo orientalista Antoine Galland, transformando-se num clássico da literatura mundial. 
Costumo ler, entre outras leituras, uma história ou duas de As Mil e Uma Noites para me entreter, quando não tenho nada para fazer, ou leio-as ao meu filho mais novo para lhe dar sono. Esta é uma das principais obras da literatura mundial e uma das que mais tem influenciado os grandes escritores. Por exemplo, outro dia estava a ler uma das histórias da Xerazade quando de repente digo para mim: «ah! foi então aqui, não pode ter sido noutro lado, que o malandro do Umberto Eco foi buscar a ideia, do livro envenenado, para O Nome da Rosa». Também me apercebi que foi lá que Voltaire se inspirou para escrever A Princesa da BabilóniaZadig ou o Destino. Enfim, um sem número de autores foram, de uma maneira ou de outra, beber nesta obra incontornável e que eu adoro.
Deixo-vos com uma história de sabedoria que se encontra dentro de outra história e que por sua vez pertence à grande história de As Mil e Uma Noites:
  
«Um Sábio indiano tinha a fama de preferir o silêncio a toda a espécie de ensinança. Os habitantes de uma pequena cidade convidaram-no, muito decididos a fazê-lo falar. Ele aceitou comparecer.
No primeiro dia, perante uma centena de ouvintes, perguntou-lhes:
- Sabeis de que vou falar-vos?
- Não – responderam.
- Neste caso, nada vos direi. Sois demasiado ignorantes. Não vejo com que poderia entreter-vos. E retirou-se.
O auditório, desapontado, voltou no segundo dia.  E ele pergunta de novo:
- Sabeis de que vou falar-vos?
- Sim – responderam eles.
- Nesse caso, nada tenho a ensinar-vos. Boa noite. E retirou-se.
Sem se darem por vencidos, os interessados combinaram-se e voltaram, no terceiro dia, bem decididos a apanhar o amigo do silêncio com um ardil.
O homem perguntou-lhes:
- Sabeis de que vou falar-vos?
- Uns sabem e outros não – responderam-lhes.
- Nesse caso, que os que sabem o digam aos que não sabem. E retirou-se para não mais voltar».

Jaime Bulhosa

3 comentários:

Arnaldo Ventura disse...

Caro Jaime,
Tem alguma edição aí na loja? Pode dizer-me qual é a edição? E se não for pedir muito, qual o preço?
Desde já obrigado e parabéns pelo blog e principalmente pelas histórias e o sentido de humor que oferece a quem, como eu, por aqui passa frequentemente.

Pó dos Livros disse...

Caro Arnaldo Ventura,

Temos disponível uma edição de bolso em 6 volumes da Editorial Estampa, mas fica bastante dispendiosa porque custa 9.12€ cada volume. No entanto, talvez se consiga (menos completa e usada) em dois volumes, mas bastante mais barata.

Arnaldo Ventura disse...

Boa tarde,
Caso encontre alguma edição usada e em bom estado contacte-me, para:
jazzyduarte@gmail.com que depois passo na livraria.
Obrigado.