terça-feira, agosto 7

Atrás do balcão



Um dia uma cliente perdeu o seu porta-moedas. Procurou no balcão nas estantes onde tinha estado a ver os livros, enfim por todo o lado, mas em vão. Avistou então um dos livreiros que passava desviando o olhar, e imediatamente suspeitou que ele lhe tinha roubado o porta-moedas. Com efeito, o livreiro tinha em tudo o comportamento de um ladrão de porta-moedas. A cara, o ar, as atitudes, os gestos dele, o estar atrás do balcão, as palavras que prenunciava, tudo nele revelava, para lá de quaisquer dúvidas, um ladrão de porta-moedas.
Estava a cliente prestes a denunciá-lo, a acusá-lo publicamente e a levá-lo à presença do juiz quando recuperou o seu porta-moedas, que tinha caído no chão ali perto.

Quando voltou a ver o livreiro, este não apresentava o menor indício que levasse a ver nele um ladrão de porta-moedas.

4 comentários:

maria disse...

Projectamos nos outros os nossos medos...

Pinóquio disse...

Acontece mais vezes do que podemos imaginar: a distração leva à suspeição...Pode é não acabar tudo bem, como no seu episódio.

Cristina Torrão disse...

Somos muito influenciáveis, sim. E custa-nos muito sermos objetivos. Enfim, somos, antes de tudo, seres emocionais.

Eunícia disse...

Uma apresentadora de TV no Brasil contou estar na Bahia com uma senhora bem velhinha que morava num casarão sozinha e perguntou-lhe:

- A senhora não tem medo de ficar aqui sozinha?! - e ratificando o seu sentimento, complementou - Acho que eu não ficaria...

A senhora respondeu:

-Não minha filha, eu não tenho imaginação.

Acho que é isso: leitores de livros fomentam a imaginação...