terça-feira, setembro 18

Metáfora sem sentido



Não é fita, é verdade, estou triste. A crise, a batota dos mercados, os políticos e as suas políticas estão a tirar-me todo o ânimo. A falta de esperança e a perspectiva de um futuro sem dignidade deixam-me sem panorama nem alento. Às vezes fico sem motivação para trabalhar e imaginação para escrever neste blogue. Pior, parei de ler. Um livreiro que não lê é como um pássaro sem asas, uma criança sem brinquedos ou uma estúpida metáfora sem sentido.
Hoje tive que dar uma notícia difícil a quem trabalha comigo, sem alternativas tivemos que tomar a decisão de abrir aos domingos, como forma de combater esta crise sem paralelo. Pode, à primeira vista, e para quem é cliente, ser uma boa notícia, mas para quem vai ter que trabalhar é, no mínimo, um recuo nos direitos e uma diminuição da qualidade de vida. Por isso, quero agradecer ao Carlos Loureiro e à Débora Figueiredo a forma extraordinária como aceitaram esta medida, sem um lamento ou o mais leve protesto. – E não foi por medo –.

Jaime Bulhosa

8 comentários:

angelina maria pereira disse...

Este seu post é um grito no 'silêncio' das palavras escritas. Diz tão bem o que muitos de nós sentimos: desânimo, desalento pois fecharam-nos as janelas e deixaram-nos às escuras... A minha admiração pela atitude dos 2 funcionários! Oxalá, a livraria tenha mais clientes que...comprem!!

fallorca disse...

:)

redonda disse...

Se um destes dias for a Lisboa, vou tentar ir à Pó dos Livros e oxalá como já escreveu em cima a Angelina Maria Pereira, que a livraria tenha
mais clientes que comprem.

Urso Polar disse...

Como compreendo a vossa angústia. Hoje, este vosso cliente compra menos livros que no passado. A perda de 30% do vencimento anual exige algumas contenções, seja nas prendas de anos para os amigos e familiares, seja no prazer de acumular livros lá por casa.
Como eu gostava de comprar mais e mais, na livraria do meu bairro.

SEVE disse...

Amigo Jaime

O seu desânimo é o desânimo de todos os portugueses que estão a ser "gatunados/destruídos/vilependiados por esta gente sem vergonha e sem escrúpulos.

Areia às Ondas disse...

Para onde quer que me vire leio e ouço coisas que me aumentam o nó na garganta, nó que sei colectivo, enorme. Queria poder ajudar mas eu própria estou a fazer o que me parecia impensável até há pouco tempo: estou a vender os meus muito amados livros :(
Desejo boa sorte e a garantia que continuarei a sugerir a Pó dos Livros.

Vespinha disse...

Parar de ler é que não. Não pode ser.

Pinóquio disse...

Todos nós estamos tristes, amigo Jaime, se isso o pode consolar!
Resta-nos lutar por dias melhores (não podemos parar agora, depois de 15 de setembro)e ir buscar toda a nossa coragem para continuarmos! «Bon courage», Jaime e companheiros!