terça-feira, janeiro 31

campanha fenomenal!



Anda meia dúzia de livreiros a esfalfar-se para divulgar boa literatura para a seguir vir a FNAC engendrar uma campanha publicitária que nos propõe trocar Eça por Vampiros. Francamente!... Espera aí! Se calhar a ideia não é assim tão infeliz. Começo até a achar que talvez seja genial, sublime. Estou inspirado com a ideia. E que tal a Pó dos livros propor-vos uma fenomenal campanha semelhante? seria qualquer coisa do género: «Traga o "chato" do seu marido, namorado ou emplastro e venha à Pó dos livros trocá-lo por um Agualusa, um José Luís Peixoto, ou quem sabe, um Tolstói que parece que quando era novo e vivo era mesmo muita bom! (e morto também).»

Nota: Campanha válida para os dois sexos.

segunda-feira, janeiro 30

Hoje na Pó dos livros

Realiza-se, hoje, na Pó dos livros a primeira sessão de "um livro para...", com o tema "Os medos", coordenação de Andreia Brites. Mais informação aqui.
Ainda há vagas, apareça.


quarta-feira, janeiro 25

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore


Nota: agradecemos à Ana Teresa Tavares o envio deste vídeo.

uma em mil II


- Queria o livro… 
- Sim…
- Não Sei 
- Não sabe o quê?
- Não Sei!...
- Isso já eu sei que não sabe!
- Não, «Não Sei» é parte do título do livro!... Mas será que o senhor sabe?
 - Sei lá!...
- Isso mesmo! Sei lá! de Margarida Rebelo Pinto.

terça-feira, janeiro 24

Um livreiro carente


- Dê-me um abraço.
- Não seja por isso… chegue p’ra cá as costelas.
- Oh, homem! Você está doido!?... Eu quero o Abraço do José Luís Peixoto.
- Porquê, o meu não serve?

é só mais uma?...

Setembro de 2007, abrimos as portas, e já nessa altura planava sobre nós o abutre. Nunca passava para cá da linha da porta. No entanto, rondava de perto, dava uma bicada, ou duas, nos nossos pés e ficava inquieto à espera que chegasse a hora fatal, grasnando num som surdo, como só os abutres sabem fazer: «Quando é que chega o dia da liquidação total? Mais cedo ou mais tarde, todas as livrarias irão fechar». Nós bem o tentámos enxotar para longe, mas ele voltava sempre. Olhava de viés, ao mesmo tempo que inspirava o ar, à procura de aromas de moribundo. Contudo, ainda não tinha chegado a nossa hora e, voou com notícias de defunto vindas de outras paragens. Nos anos seguintes apareceu de novo, mas desta vez, acompanhado com mais amigos, urubus, corvos e outros necrófagos. Todos vestidos a rigor de plumas negras reluzentes, entoando já a marcha fúnebre de Chopin – tan, tan, taran, tan, tanran, tan tan – «Quando é que chega o dia da liquidação total? Mais cedo ou mais tarde, todas as livrarias irão fechar». Porém, ainda não tinha chegado a nossa hora e voaram, outra vez, com notícias de defunto vindas de outras paragens.




Nota: sobre a mesma notícia aqui e aqui.

sexta-feira, janeiro 20

Pensamento do dia


Existe em determinados livros uma estupidez tão sincera que, melhor orientada, poderia multiplicar o número de obras-primas.

Livreiro anónimo a partir de um pensamento de E.M.Cioran

quinta-feira, janeiro 19

quebra-cabeças


O filho de uma amiga, que tem agora seis anos, está a aprender a primeiras letras. O Vi, como lhe chamam, leva o assunto muito a sério. Poderei mesmo dizer que o miúdo está obcecado, ou melhor, muito determinado em aprender a ler em apenas dois dias. Todavia, para desespero do Vi, têm surgido algumas dificuldades inesperadas na aprendizagem das letras, como por exemplo, ler consoantes com consoantes. Se há coisa que o deixa irritado, abespinhado, são consoantes com consoantes: «Que nervos!...» Mas os caminhos da leitura são ainda mais insondáveis, cheios de surpresas inimagináveis e o absurdo aparece, na cabeça do Vi, quando ele menos espera.
De manhã a caminho da escola o Vi diz à mãe:

- Mãe!
- Sim…
- Mãe... Estou deveras preocupado com a letra H!


Nota: Já agora, aconselho este livro à mãe do Vi.




A grande arte





«O assassinato de duas prostitutas, no Rio de Janeiro, que, de início, parece obra de um maníaco sexual, abre uma caixa de Pandora de onde vão brotando, no decorrer de uma ação trepidante, as complexas ramificações de um tenebroso sindicato do crime. A história passa-se em boîtes e bares sórdidos, em sumptuosas mansões do Rio, em vilarejos da fronteira entre a Bolívia e o Brasil, onde reinam a cocaína e o crime, bem como na interminável viagem de um comboio que percorre metade do Brasil com couchettes que rangem sob o peso de casais fazendo sexo.» Do posfácio de Mario Vargas Llosa.

Edição: Sextante
Título: A grande arte
Autor: Rubem Fonseca
n.º pág.:342
isbn: 9789720071514
pvp: 16.60€ 

quarta-feira, janeiro 18

Língua Morta




Chegaram ontem os livros da editora Língua Morta: na entrada, perto do balcão, a fazerem companhia às edições da &Etc. e uns passos mais à frente na mesa de poesia e a acompanhá-los vieram, o n.º5 e o n.º6 da Revista Criatura.


Leitores

O texto que se segue é do início do nosso blogue (Janeiro 2008) e não pretende fazer nenhum retrato fiel dos nossos clientes muito menos demonstrar da minha parte qualquer tipo de superioridade intelectual. É apenas uma caricatura das categorias ou características dos leitores, que eu com o tempo fui aprendendo a distinguir e, que todos nós temos numa altura ou outra, dependendo do nosso estado de espírito:


“O Decidido”- Entra na livraria vai direito ao livro que quer, paga e vai embora.


“O Indeciso”- Dá voltas e mais voltas pergunta por este e aquele título e acaba por sair sem levar nada.


“O Envergonhado” (Fala muito baixinho), - Eu queria “O Amor é ffsssdss…”do MEC – Desculpe! Importa-se de repetir. – Eu, queria “O Amor é ffsssdss…”do MEC – HÁ! “O AMOR É FODIDO” DE MIGUEL ESTEVES CARDOSO, já podia ter dito.


“O Altruísta”- Compra sempre livros de Esoterismo, Ocultismo, Bruxarias, Auto-ajuda e afins e é sempre para oferta.


“O Forreta” - Faz desconto com o cartão Continente?


“O Comichoso”- Dos vinte exemplares disponíveis, estão todos estragados, sujos, com riscos, dedadas. Chega mesmo a implicar com umas poucas folhas em branco num livro como O Céu Existe Mesmo!, (como se isso tivesse alguma importância).


“O Chato”- “L’emmerdeur”.


“O Distraído” - Queria um livro, não sei o título nem autor nem o editor, apenas sei que tem capa amarela.


“O Que Não Faz Ideia” - Por favor, eu desejava oferecer um livro para uma senhora de 50 anos. (Dar simplesmente a indicação da idade de uma pessoa que não se conhece, não é uma preciosa ajuda).


“O Ignorante”- Nesta “papelaria” tiram fotocópias?


“O Superficial” - Aquele Lusíadas que está na montra é de pele genuína? – Não, é Camões genuíno.


“O Coffee Table Book” Compra livros a metro e por cores.


“O Exibicionista”- Apresenta sempre o Cartão Platina e sistematicamente dá não autorizado.


“O Depravado”- Corta à socapa as fotografias do Kamasutra e deixa o texto.


“O Jornalista Invejoso”- Compra O Último Segredo de José Rodrigues dos Santos e faz questão de dizer bem alto que o livro não presta.


“O Salazarista” - Antigamente é que era! Agora, é só livros sobre Paneleiros, Fufas, Putas e Ladrões.


“O Neo-Nazi”- Por acaso tem o “Mein Kampf”, queria todos os exemplares que tiver.


“ O Que Parou no Tempo” - Camarada! Tem o “Manifesto do Partido Comunista" de Karl Marx.


“O Intelectual”- Pede sempre um autor que não há e nunca ninguém ouviu falar.


“O Erudito” - Queria a “Оδύσσεα” de Homero.


“O Bibliófilo” - Ando à procura da 1.ª edição “Cândido ou O Optimismo” de Voltaire, assinado pelo autor.


“O Editor” - Não acha que este livro merece estar na Montra?


“ O Autor” - Tem o livro…? - Tenho sim, quantos quer? – Nada, nada... é só para saber se tinha; obrigado.


“O Tradutor” - O “Hamlet” de Shakespeare, por favor, mas no original. É que em português é intragável!


“O Revisor” - Isto está cheio de gralhas.


“O Paginador”- Não se consegue ler esta mancha.


“O Gráfico”- Onde é que este livro foi feito? Descola-se todo!


“O Designer Gráfico”- Que capa pirosa… é só Photoshop.


“ Critico Literário” – Esse livro é uma merda!


“O Livreiro” – Em casa de ferreiro espeto de pau.
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Jaime Bulhosa

escolha!






Gosto quando os livros pensam como os sábios, mas falam como falam as pessoas simples
livreiro anónimo a partir de uma frase de Aristóteles.

Sou por vezes confrontado por amigo que me critica pela forma como vejo os livros e me diz que sistematicamente faço uma apologia hipócrita da diferença que existe entre os bons livros e os maus livros. Diz ele que isto tem que ver não com a minha prática, mas sim com elitismo infundado. Considera que as vantagens que eu defendo não fazem qualquer sentido, porque o que é bom para mim não tem necessariamente de ser bom para ele, isto é, a diferença entre um bom livro e um mau livro está sobretudo no leitor e não no livro em si, já que é o nível de conhecimentos das pessoas que desencadeia a diferenciação. Uma pessoa pode ter prazer com a leitura de um livro que é considerado mau por muita gente, e nenhum prazer com um livro por outros considerado excelente. Tudo depende do seu nível cultural.

Eu seria forçado a concordar com este meu amigo, não fosse aquilo que nos separa em termos de conceito, isto é, em termos das características que temos em conta para classificar certos livros como bons e outros como maus. Para mim, a diferença não está no grau de dificuldade da leitura nem no prazer que sentimos, pois isso sim depende mais, quase sempre, do leitor do que do próprio livro; a diferença está na honestidade do seu conteúdo. O que eu quero dizer é que um livro, como qualquer outro produto cultural que se adquire, deve reger-se por padrões mínimos de qualidade e credibilidade, independentemente do público a que se dirige. Deve ser original (a menos que esteja expresso o contrário) e não deve conter erros (sejam de que tipo forem), nem pode ser escrito de forma displicente, devendo acrescentar algo ao que já sabemos e evitar transmitir ideias racistas, chauvinistas, homofóbicas, misóginas, etc. 

Sou, no entanto, forçado a concordar com o meu amigo quanto à ideia de que há pelo menos quatro idênticas sensações experimentadas, quer quando lemos um bom livro de que gostamos muito, quer quando lemos um mau livro de que não gostamos nada. Quando lemos um bom livro de que gostamos muito, sentimos: ansiedade para chegarmos ao próximo capítulo; angústia perante a aproximação do fim; tristeza por termos acabado a leitura e vazio por sermos obrigados a deixá-lo. Quando lemos um mau livro sentimos: ansiedade perante a perspectiva do próximo capítulo; angústia por não querermos ver-lhe o fim; tristeza pelo facto de o termos adquirido e, finalmente, a sensação de vazio que ele nos causou.



Jaime Bulhosa

simples


Observa tudo à sua volta, com o máximo de atenção. Parece deslumbrada, maravilhada, com o ambiente da livraria, as estantes altas, negras, com milhares de livros todos direitinhos, classificados e arrumados por ordem alfabética. Depois inspira o cheiro dos livros e os seus olhos brilham. Foca o livreiro e suspira:

- Ah!... Como eu gostava de ter uma livraria!

O livreiro sente que tem à sua frente uma pessoa delicada, sabedora e que gosta de livros.  

- Porque razão pensa que ter uma livraria é bom? – Pergunta o livreiro à espera de abrir uma boa conversa sobre livros.

- Ora, Porquê!?... Porque não se tem nada para fazer nem saber alguma coisa de especial. Basta que lhe peçam um livro e você dá.

terça-feira, janeiro 17

Estrela do Mar



No Inverno impiedoso de 1847, de uma Irlanda dilacerada pela justiça e pela calamidade natural, o Estrela-do-mar levanta ferro em direcção a Nova Iorque. Levando a bordo centenas de refugiados à força, destacam-se entre eles uma criada de servir que tem um segredo devastador, um Lorde Merridith arruinado e sua família, um aspirante a romancista, um compositor de baladas revolucionárias. Todos desafiando corajosamente o Atlântico em busca de um novo lar. Todos mais intimamente ligados do que possam pensar. Mas um assassino secreto vigia as cobertas do navio, procurando, faminto, a vingança que lhe trará a absolvição.
A travessia de vinte e seis dias irá testemunhar o fim de muitas vidas e o recomeçar de outras. Numa história fascinante de tragédia e remissão, quanto mais o navio se aproxima da Terra Prometida mais os seus passageiros parecem presos a um passado que nunca os libertará.

edição: Dom Quixote
título: Estrela do Mar
autor: Joseph O'connor
n.º pág: 640
isbn:9789722045346 
pvp:25.00€

Missão




Um livreiro deve aparentar ser culto, educado, ligeiramente elitista e até um pouco pretensioso. Deve saber administrar e manter essa ilusão, na persecução do objectivo de se tornar o mais popular possível.

livreiro anónimo
Nota: desenganem-se os que pensam que é fácil.

segunda-feira, janeiro 16

Cargo rendoso



Um cidadão comum apresentou-se ao chefe do governo e pediu-lhe um cargo rendoso.
- E que cargo desejas tu?
- Gostava muito de ser um dos teus ministros. Por exemplo, Ministro do Petróleo.
- Do petróleo? Mas sabes muito bem que não temos petróleo?
- E lá por isso… Não há um ministro da justiça?

Nota: Contos e lendas emendadas.

quinta-feira, janeiro 12

um livro para...



A 30 de janeiro, realiza-se na Pó dos livros a primeira sessão de "um livro para...", com a coordenação de Andreia Brites. Em cada encontro divulgaremos e conversaremos sobre alguns livros infantis e juvenis, de acordo com o tema anunciado. Falaremos da qualidade dos livros, dos seus potenciais leitores preferenciais e de como os adultos poderão mediar a leitura. Os temas não se esgotam nestes encontros, com eles pretendemos apenas abrir caminho aos mediadores que tantas vezes se questionam se aquele é o melhor livro para as suas crianças..

As sessões realizam-se quinzenalmente, às segundas-feiras, em horário pós-laboral, das 19h30 às 21h00.

As primeiras quatro sessões:

Os medos - 30/janeiro

A familia e os conflitos - 13/fevereiro

Contar e recontar contos tradicionais - 27/fevereiro

Ler livros sem texto - 12/março

Destinatários: adultos mediadores (pais, professores, educadores, animadores).
As sessões são autónomas, pelo que os participantes podem inscrever-se naquelas que lhes despertem mais interesse. Preço de cada sessão 10.00€, conjunto das 4 sessões 35.00€. Para se inscrever contacte-nos pelo telefone 217959339 ou por mail podoslivros@sapo.pt. (Número mínimo de participantes: 5)

Andreia Brites

Nasceu em Lisboa em 1977. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela FCSH, Universidade Nova de Lisboa e tem um mestrado em Teoria da Literatura pela mesma faculdade. É Mediadora da Leitura, concebendo e realizando acções de promoção da leitura para adolescentes, professores e pais em Bibliotecas Municipais e Escolas, desde 2004. Colabora com a revista Os meus livros, na área da Poesia e da Literatura Infantil e Juvenil Mantém com Sérgio Letria o blogue O Bicho dos Livros, sobre promoção da leitura e livros infantis e juvenis. Tem habilitações próprias para a docência e dá formação certificada pelo Conselho Científico-Pedagógico de Formação Contínua na área da leitura.

quarta-feira, janeiro 11

The Rocket Book


imaginação


Quando se é criança a imaginação explode atravessa a atmosfera passa pela lua, vénus, mercúrio e chega ao sol onde se espalha à velocidade da luz pelo universo infinito. Mas o que é isso para um super-herói? Quando chegamos a adultos, com amargos de boca, percebemos que já não podemos ser super-heróis, mas a imaginação não tem que acabar se a formos buscar aqui:  




Nota: agradeço à Malu que está do outro lado do Atlântico, onde se vê o Cruzeiro do Sul e que me fez chegar este vídeo.

terça-feira, janeiro 10

missiva


Recebemos uma missiva vinda da Grécia, escrita à mão num postal, dentro de uma carta (dá para acreditar?):


Atenas, 30 de Dezembro 2011
Salve!
Já que tenho amigos que dizem que, sem mim, os correios não sobrevivem, que tenha o proveito!
Além disso, quantas missivas chegam, hoje em dia, que não sejam contas para pagar? Vivam, pois, os resistentes!
Os rumores da crise deram origem a um texto, pretexto para a missiva, já que menciona a Pó dos Livros, que assim mata dois coelhos com um só selo: nisto não sou original, mas tenho esta impressão que a espécie humana mais rapidamente se queixa do que honra. Ora, as coisas boas são para se dizer!

Bom ano! Longa vida!
RM  

livreiro psicólogo


- Quero um livro que me explique por que é que a minha filha me odeia. 

Portugal Contemporâneo



(clique na imagem)

Realizar-se-á mensalmente, na livraria Pó dos Livros, o seminário Portugal Contemporâneo: estudos históricos comentados.
Coordenação: Paula Borges Santos 
Entrada Livre


Dia 11 de Janeiro
6.ª sessão
Pelas 14.30 horas:

Heterodoxia e reformismo na igreja portuguesa: a acção política de Frei Manuel de Santa Inês (1833-1840)
Por: José António Oliveira, comentário de Vítor Neto


segunda-feira, janeiro 9

Anti-Top 2011


  

  1.º - O Retorno, Dulce Maria Cardoso, Tinta-da-china
  2.º - O Cemitério de Praga. Umberto Eco,  Gradiva
  3.º - Uma Viagem à Índia, Gonçalo M. Tavares, Caminho
  4.º - O Pauzinho do Matrimónio, Anónimo, Tinta-da-china
  5.º - Lisboa a Pé e a Pedais, A.A.V.V., Lisbon Walker
  6.º - Um Político Assume-se, Mário Soares, Temas e Debates
  7.º - Abraço, José Luís Peixoto, Quetzal
  8.º - Indignai-vos!, Stéphane Hessel, Objectiva
  9.º - Clarabóia, José Saramago, Caminho
10.º - A Noite das Mulheres Cantoras, Lídia Jorge, Dom Quixote

Nota: Este é o Top Livro da Pó dos Livros referente ao ano de 2011. Reparámos que o livro mais vendido em Portugal, O Céu Existe Mesmo, editado pela Lua de Papel, não se encontra no nosso Top 10.

De acordo com os dados da GfK e da editora: «O Céu Existe Mesmo, de Todd Burpo e Lynn Vincent (edição Lua de Papel / Grupo Leya), foi o título mais vendido em Portugal no ano de 2011. Com 18 edições, para um total de 135 000 exemplares colocados no mercado, a obra de não ficção [não ficção!?... então é o quê, ensaio!?...] foi a mais vendida em termos absolutos, superando mesmo o mais vendido dos romances. Do mesmo livro houve ainda uma edição especial limitada de Natal (em capa dura), elevando para 140 000 exemplares o número de livros absorvidos pelos pontos de venda.»
Estranhamente, ou não, conclui-se daqui que os nossos clientes ou são diferentes dos outros ou são pouco crentes ou são desconfiados. Como é possível terem passado ao lado de um livro que, segundo palavras da própria editora, é «sobre a história real do menino que esteve no céu». Ouviram? Real! Verdade, verdadinha que Colton Burpo tinha quatro anos quando foi operado de urgência e, meses mais tarde, começou a falar daquelas breves horas em que esteve entre a vida e a morte, e da sua extraordinária visita ao céu (ups! visita ao céu!?...). Toda esta história começou numa viagem com a família, onde o pequeno Colton, sentado na sua cadeirinha no banco de trás do carro, começou a falar sobre anjos que o tinham visitado (ai, ai... visita de anjos!?...) durante a operação à apendicite aguda, enquanto os pais rezavam por ele. O pai, sacerdote, nem queria acreditar… Hum!… pai sacerdote!?...  Não queria acreditar!?... Já vendeu 5 milhões, só nos Estados Unidos! Bem… é melhor ficar por aqui.


Jaime Bulhosa 

sexta-feira, janeiro 6

?


Os políticos são pessoas que acreditam que o governo não funciona e conseguem ser eleitos para provar isso mesmo.


livreiro anónimo a partir de uma frase de P.J. O’Rourke

Bom ano para vocês também



Recebi uma carta das finanças a desejarem-me bom ano e adstrita à mensagem uma  simpática coima para pagar. Hoje sinto-me tão...


livreiro anónimo

Começar bem o dia


De manhã bem cedo para começar bem o dia:
- Bom dia. Tem compêndios?
- Hum!… - isto é som de um livreiro a pensar – Desculpe, compêndio de?...
- Compêndio de livros, o que havia de ser!?... Ah! e já agora, também queria O Principezinho, versão para adultos.

quinta-feira, janeiro 5

As coisas hão-de resolver-se


As coisas hão-de resolver-se.
Refrão auto-enganador do senhor Micawber em David Copperfeld


Se dissesse que estou surpreendido com esta notícia, estaria a mentir. Não estou nada surpreendido. O Grupo editorial Leya não está a fazer nada que outros grandes grupos económicos portugueses não estejam já a fazer. É o «capitalismo democrático»: O capitalismo democrático é um sistema concebido para a sobrevivência. Adaptou-se com “sucesso” a todos os choques e sortes, a perturbações tecnológicas e económicas, a revoluções políticas e a guerras mundiais, O capitalismo foi capaz disto porque, ao contrário do comunismo, do socialismo ou do feudalismo possui uma dinâmica interna semelhante à de um organismo vivo. Consegue adaptar-se e aperfeiçoar-se reagindo ao ambiente em mudança. E evolui para uma nova espécie dentro do mesmo género se isso for necessário para sua sobrevivência.
De facto parece um organismo vivo, mas que se assemelha muito mais, a meu ver, a um organismo irracional, uma gigantesca bactéria que pode ser benigna ou maligna, mas que de certeza absoluta, é desprovida de qualquer objectivo ou emoção a não ser a sua própria sobrevivência.
Não me interessa, neste momento, abordar as consequências e o impacto que o despedimento de editores e colaboradores experientes, com provas dadas no mercado, terão nas políticas editoriais e nos catálogos das editoras – agora chancelas do grupo Leya –, com um historial importante na edição de livros de qualidade, elas parecem-me óbvias. Não tenho respostas para dar, apenas tenho perguntas para fazer. Interessa-me perceber o porquê disto. O que vai acontecer a estas pessoas? Qual vai ser o seu futuro? Porque é que estas pessoas de repente deixaram de ser competentes e não podem ser recolocadas noutros sectores? Porque é que uma empresa que factura, segundo o jornal Público, 90 milhões de euros, necessita tanto de reduzir despesas? Porque é que se desiste e se abandona este país?
Algumas das 30 pessoas que foram despedidas, e acredito que muitas mais se seguirão, conheço e trabalhei com elas directamente e não posso deixar de me preocupar com o seu futuro.
Tudo isto me faz lembrar um pequeno conto de Dostoiévski que li, não me recordo do título, que era mais ou menos assim: Um sujeito que tinha acabado de assistir a um funeral, de alguém que não conhecia, deixou-se ficar pelo cemitério, depois de toda a gente o ter abandonado, para poder reflectir um pouco sobre a vida e a morte. Foi então que de repente começou a ouvir vozes. As vozes vinham dos habitantes do cemitério, ou seja, dos próprios mortos. Os mortos, sem darem conta da presença do sujeito, começam a conversar entre si. Para espanto do observador vivo, os mortos revelam, nas suas conversas, todos os vícios, defeitos, invejas, ambições, sentimentos e emoções dos vivos, só que de uma forma muito mais exacerbada. Conclusão, os mortos revelam-se muito piores que os vivos.
Será que este país está morto e ainda não demos por isso?    

Jaime Bulhosa

quarta-feira, janeiro 4

o risível



Quando o risível se fica pelo romance ou literatura ainda nos podemos salvar. Agora, se chega aos políticos, à economia ou à governação, estamos perdidos! 
 livreiro anónimo

terça-feira, janeiro 3

Incompletas


Algumas grandes obras da literatura, anglo-saxónica, deixadas incompletas pela visita intempestiva da morte:

The Mystery of Edwin Drood, Charles Dickens
Dom Juan, Lord Byron
Denis Duval, William Makepeace Thackeray
Answered Prayers, Truman Capote
The Autobiography of Bejamin Franklin
The Landleaguers, Antony Trollope
Wives and Daughters, Elizabeth Gaskell
The Last Tycoon, F. Scott Fitzgerald
Sanditon, Jane Austen
Islands in the Stream, Ernest Hemingway

Conclui-se com isto que a «morte» é um péssimo crítico literário. 

The Booklovers