quarta-feira, fevereiro 29

Sabedoria hindu



Um príncipe jovem e feliz, do qual escondiam a existência das doenças, da velhice e da morte, vai passear e vê um velho assustador, desdentado e babado. O príncipe, do qual, até ao momento, escondiam a velhice, fica surpreendido e pergunta ao carreteiro o que é aquilo e por que razão aquele homem chegara a um estado miserável, repugnante e monstruoso. Quando fica a saber que é esse o destino de todos os homens, que ele, jovem príncipe, tem pela frente a mesma fatalidade inevitável, já não quer ir passear e manda voltar para reflectir nisso. Fechava-se no seu quarto e fica sozinho a pensar. E, pelos vistos, inventa para si uma qualquer consolação porque, de novo bem-disposto e feliz, sai de casa para passear. Mas desta vez encontra um doente. Vê um homem extenuado, lívido, tremente, com os olhos turvos. O príncipe, do qual escondiam as doenças, pára e pergunta o que é aquilo. E quando fica a saber que é a doença, a que estão sujeitos todas as pessoas, e que ele próprio, príncipe saudável e feliz, amanhã pode adoecer da mesma maneira, perde outra vez a vontade de se divertir, manda voltar e procura novamente a tranquilidade; e, pelos vistos, encontra-a porque vai passear pela terceira vez; mas desta feita depara-se-lhe mais um espectáculo; vê que estão a levar alguma coisa. «O que é?» «Um homem morto.» «O que significa morto?», pergunta o príncipe. Dizem-lhe que ficar morto significa tornar-se a mesma coisa que aquele homem. O príncipe aproxima-se do morto. Destapa-o e olha para ele. «Mas o que lhe vai acontecer a seguir?», pergunta o príncipe. Dizem-lhe que será enterrado. «Para quê?» «Porque já nunca mais será vivo, restará apenas o fedor e os vermes.» «Então, também é o destino de todos os homens? a mim vai acontecer a mesma coisa? Vão enterrar-me, vou exalar fedor e serei comido pelos vermes?» «Sim.» «Para trás! Não vou passear, nunca mais.» Então, o príncipe Sãkiamuni (Buda) não pôde encontrar uma consolação na vida e decidiu que a vida era o maior mal, e aplicou todas as forças da sua alma para se libertar de tal modo que, mesmo depois da morte, a vida não ressurgisse de alguma maneira. Eliminar a vida por completo, de raiz. É o que nos diz toda a sabedoria hindu.

In Confissão, Tolstói, Lev, Alfabeto 2010.

Workshop: ACORDO ORTOGRÁFICO - as principais mudanças




ACORDO ORTOGRÁFICO: as principais mudanças, por Ana Oom
terça, 13 de março | 19h00 - 21h30 | 25.00€ | mínimo 5 participantes
inscrições pelo tel: 21 795 93 39 ou por e-mail: podoslivros@sapo.pt


A língua portuguesa mudou. O Novo Acordo Ortográfico é já uma realidade e, afinal,  o que é que está diferente? Como é que vamos escrever a partir de agora?
Estas são algumas questões às quais pode encontrar resposta neste curso. Partindo de uma breve explicação, haverá lugar para pôr em prática o que aprender.

Este workshop é  destinado a todos aqueles que se queiram inteirar da nova ortografia da língua portuguesa.

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Ana Oom é, desde 1991, professora de língua portuguesa e de francês, é autora de livros infantis e em 2011 foi responsável por diversas acções de formação no Novo Acordo Ortográfico.


terça-feira, fevereiro 28

Tal e qual!


O Murmúrio do Mundo



«O viajante ocidental que pela primeira vez chega a Goa e Cochim enfrentará provavelmente a vertigem do caos à sua volta e dentro de si. Quando começa a familiarizar­‑se com a estonteante exuberância e com as contradições coexistentes, quando julga começar a entender a complexidade das castas, dos cultos e costumes tão diferentes, quando começa a fixar nomes, imagens, atributos dos deuses, tudo lhe foge de súbito, tudo se torna de novo confuso, como se o véu de Maia voltasse a cobrir a indecifrável irrealidade da Índia real.»

Almeida Faria


Na imprensa:
«Se faltasse alguma prova para demonstrar que a escrita de viagens é essencial à ideia de literatura, este livro de Almeida Faria bastaria para a suprir. Não é só o título - “O Murmúrio do Mundo” - que consegue, sozinho, ser outro nome da literatura. É o próprio subtítulo, “A Índia Revisitada”, que não oculta alusões evidentes (incluindo a um famoso ensaio de Eduardo Lourenço, que assina o prefácio), quer sejam à tradição literária portuguesa e a um dos seus grandes mitos, quer a toda a literatura enquanto revisitação incessante: rescrita, releitura, regresso aos mesmos lugares que nunca são os mesmos. (...)
Não se fica com inveja do viajante, fica-se-lhe grato pela generosa magia de converter vários dias de viagem em menos de cento e cinquenta páginas de puro prazer para a imaginação e a inteligência.»

Gustavo Rubim, «Público», 5 estrelas

«Almeida Faria fez a sua viagem à Índia e chamou ao livro que dela resultou “O Murmúrio do Mundo” (ilustrado por Bárbara Assis Pacheco). É uma ideia própria do romantismo, a de um rumor do mundo que os românticos se propunham decifrar e traduzir. (...)
O filtro da distância reflexiva está quase sempre presente, e é ela que determina o tom elegante e subtil da prosa.»

António Guerreiro, «Expresso», 5 estrelas

tema(s): Literatura de Viagens
ilustração: Bárbara Assis Pacheco
prefácio: Eduardo Lourenço
coordenação: Carlos Vaz Marques
1.ª edição: Fevereiro de 2012
n.º de páginas: 152
tipo de capa: Dura
formato: 14.5x20 cm
isbn: 9789896711115
pvp: 17.90€

segunda-feira, fevereiro 27

Hoje, às 19h30 na Pó dos livros

Um livro para - terceira sessão: Contar e recontar contos tradicionais, por Andreia Brites. Ainda há vagas, apareçam.

sábado, fevereiro 25

Encontro Drupal na Livraria Pó dos Livros

Hoje, às 15h00, realiza-se o primeiro Encontro Drupal na  Pó dos livros. Será um encontro informal com vista à troca de ideias e experiências no âmbito do uso do Drupal.
O encontro é aberto e tem como objectivo reforçar as ligações entre a comunidade.

sexta-feira, fevereiro 24

Tipo confuso.




Um rapaz, tipo jovem, entra na livraria:

- Tem livros tipo, História da Rússia e essas coisas assim.

- De que época deseja?

- Tipo, 1900 princípio do século XX.

- Provavelmente quererá sobre a Revolução Vermelha, de Outubro de 1917.

- É isso mesmo!... você é épico. A Revolução dos Cravos Vermelhos! Mas... pensava tipo, que tinha sido em Abril?...

quarta-feira, fevereiro 22

Os livreiros e as novas tecnologias.


Parece que o primeiro autor a chamar a atenção sobre si devido ao facto de ter escrito um romance num computador foi o jornalista e escritor inglês Desmond Bagley, no princípio dos anos 70. O público e os jornalistas da época compreendiam tão pouco e eram tão ignorantes em relação aos computadores que acreditaram no boato segundo o qual o romance de Bagley fora escrito pelo seu próprio computador. Hoje em dia estamos bastante mais informados acerca das capacidades dos computadores. Sabemos que a criatividade e imaginação humanas não podem, por enquanto, ser reproduzidas pela máquina. Ainda há escritores que escrevem as suas obras à mão e outros que utilizam a máquina de escrever. Mas a verdade é que a maior parte já escreve sempre no computador. Já ninguém acredita que são os computadores que escrevem por eles. Contudo, também é verdade que os computadores disponibilizam uma ferramenta (o «copy-paste») que permite que muita gente escreva livros.
Há alguns anos – para não dizer há muitos –, dava eu os primeiros passos na aprendizagem da profissão de livreiro, tarefa que julguei, na altura, nunca vir a executar como deve ser, porque me diziam ser necessário decorar os milhares de títulos de livros existentes na livraria e seus respectivos autores. Pareceu-me uma tarefa hercúlea, mas eu levei-a a sério e, em poucos meses, já tinha decorado umas «boas» dezenas deles. Felizmente, pouco tempo depois, fui salvo pela chegada do computador.
Agora, os mesmos computadores transformados em ebooks, tablets váriosameaçam acabar comigo, ou seja, com os livreiros. Ironia!

Jaime Bulhosa

História da Eternidade / O Livro de Areia



História da Eternidade

«O movimento, ocupação de lugares diferentes em instantes diferentes, é inconcebível sem o tempo; igualmente o é a imobilidade, ocupação de um mesmo lugar em pontos diferentes do tempo. Como pude não sentir que a eternidade, ansiada com amor por poetas, é um artifício esplêndido que nos livra, embora de maneira fugaz, da intolerável opressão do sucessivo?» 


«Esta pura representação de factos homogéneos – noite em serenidade, ar límpido, cheiro provinciano da madressilva, bairro fundamental – não simplesmente idêntica à que houve nessa mesma esquina há tantos anos; sem parecenças nem repetições, é simplesmente a mesma. O tempo, se pudermos intuir esta identidade, é um desilusão: bastam para o desintegrar a indiferença e a inseparabilidade de um momento do seu aparente ontem de um momento do seu aparente hoje.»


O livro de Areia

«Não mostrei a ninguém o meu tesouro. À felicidade de possuí-lo juntou-se o medo de que mo roubassem, e depois o receio de que não fosse verdadeiramente infinito. Essas duas inquietações agravaram a minha já velha misantropia. Sobravam uns amigos; deixei de vê-los. Examinei com uma lupa a lombada já gasta e as capas e rejeitei a possibilidade de algum artifício. Comprovei que as pequenas ilustrações distavam duas mil páginas uma da outra. Fui-as anotando num registo alfabético, que não tardei a encher. Nunca se repetiram. De noite, nos escassos intervalos que me concedia a insónia, sonhava com o livro.»


título: História da Eternidade / O livro de Areia
autor: Jorge Luis Borges
edição: Quetzal
tradução: José Colaço Barreiros / António Sabler
formato: 12.5x19.5cm
n.º pág.: 140/133
isbn: 9769725649923 / 9769725649930
pvp: 12.50€

segunda-feira, fevereiro 20

Aviso

Informamos os nossos clientes que estaremos abertos terça-feira, 21 de Fevereiro, das 9h às 20h.

quinta-feira, fevereiro 16

No miolo dos livros



Qual a diferença entre um livro novo e um usado? A resposta a esta pergunta é óbvia. Um livro novo é um puro artefacto que pode ser comprado numa livraria comum, enquanto um livro usado é um objecto de estimação que por um qualquer milagre de preservação sobreviveu à destruição inexorável do tempo. Desprezado, abandonado por quem não lhe deu valor, aguarda num local especial, alguém que lhe dê uma nova morada. A idade de um livro novo é sempre a mesma, todo ele brilha exibindo-se nas montras das livrarias, mas, pelo contrário, um livro usado está escondido e pode ter entre apenas uns dias a uns séculos de idade. As suas páginas empalideceram, as capas deixaram de cintilar. Contudo, tornaram-se vintage  e ganharam glamour. Mas a real diferença é mais substancial. Não existe nenhuma aura de mistério sobre um livro novo, ele ainda não tem nenhuma história, a não ser a contida no próprio livro. O preço varia pouco e resulta principalmente do número de exemplares editados. O livro usado está cheio de mistérios: Quantos anos tem? Quantos leitores teve? Quem eram? Para onde o levaram? A quem o dedicaram? Com que sentimentos o fizeram? Mistérios quase deslindados pelos objectos encontrados dentro do miolo dos livros. Uma carta de amor aceso, uma dedicatória fraterna, um lamento de saudade e uma fotografia para recordar. Uma madeixa de cabelo, um bilhete de autocarro sem destino, uma flor seca e uma folha de arbusto a servir de marcador.
O seu valor comercial é outro mistério, depende do facto de o livro se encontrar em bom estado de conservação, ser ou não uma edição esgotada, uma primeira edição, uma edição limitada ou fac-similada, mas o que determina verdadeiramente o seu valor é aquilo que alguns acreditam que vão conseguir por ele e quanto vale o desejo de outros o possuir.
O livro antigo frequentemente desaparece sem deixar rasto e quando mais precisamos dele. Podemos até entrar em dezenas de livrarias, passar os olhos por centenas de estantes, apontar o dedo a milhares de títulos e no entanto, não encontrar o livro que pretendemos. O livro em segunda mão é intrinsecamente superior ao livro novo, porque quem o compra ama realmente o livro.
No livro usado há sobretudo esse tempo que é transportado fisicamente pelos livros. Esse pó que fica nos livros. O pó do tempo. Nos novos instrumentos não haverá pó. É só o que lhes falta. Esse pó quer dizer o tempo, a própria essência da nossa vida.*

Jaime Bulhosa

* Eduardo Lourenço

terça-feira, fevereiro 14

O absurdo no dia dos namorados




De ramo de flores na mão:
- Bom dia. Eu queria, assim… uma coisa bonita, colorida, brilhante. Uma coisa que fique bem, especial, para oferecer. Não sei se me está a perceber?
A livreira cogita, matuta, pensa... por fim, interroga-se: «Humm!... Será que o senhor quer uma jarra?...»
Antes que a livreira tivesse tempo de responder, o cliente acrescenta:
- Sabe!?... Eu salvei a minha amiga de morrer afogada. Será que não tem nada de poesia sobre essa temática?
A livreira cogita, matuta, pensa novamente, faz um esgar aflito e, sem querer, raciocina em voz alta:
- Preferia a solução da jarra!
- Como?... 

Hoje na Pó dos livros


Convidamos-vos  a participar numa conversa com

Gonçalo M. Tavares,
Manuel Halpern e
Firmino Bernardo

(e todos os que tiverem a amabilidade de aparecer)

por ocasião da edição pela Apenas Livros de

AZUL 25 LINHAS de João Eduardo Ferreira

hoje às 18h00.

segunda-feira, fevereiro 13

juramos que não foi aqui


- Queria um livro que tem por título qualquer coisa como História da Estupidez Humana.
- Não me sabe dizer qual é o autor?
- Não, não sei.
- E a temática do livro, sabe-me dizer qual é?

um livro para...


Hoje, a segunda sessão de "um livro para..." com Andreia Brites - A Família e os Conflitos.

Mais no Bicho dos Livros. E sobre a primeira sessão - Medos.

Ainda há vagas para quem quiser aparecer de surpresa.

quarta-feira, fevereiro 8

Nostalgia



Atravessa a porta da entrada, repara no ar retro da livraria e nos objectos do tempo dos nossos bisavós. Dirige-se à secção dos livros usados, talvez sugestionado pela Pó dos Livros Vintage. Nitidamente não está interessado em livros novos. Depois, observa de forma cuidada e perscruta cada um dos livros antigos. Escolhe um título de mil novecentos e troca o passo. Desloca-se até ao café ao fundo da livraria e pede:

- Por favor, queria uma Laranjina C!

terça-feira, fevereiro 7

Hoje na Pó dos livros

Hoje às 18h00, apresentação do livro Manifesto para uma Nova Química, de Palmira Fontes da Costa, editora Palavrão

                                                                    (clique para aumentar)

segunda-feira, fevereiro 6

Livreiros

Vale a pena ler este texto: «não culpem os livreiros que os ignorantes são outros.»

Votação final do Livro Maldito

A Pó dos Livros desafiou os seus leitores a elegerem o Livro mais Maldito. 
Qual o livro que tem implícito mais preconceito, mentira, racismo, etc? Qual o livro que originou mais ideias perigosas? Em nome de que livro se praticaram as maiores atrocidades
Muitas listas de livros malditos poderiam ter sido feitas. As escolhas seriam sempre subjectivas. O nosso critério foi tão subjectivo quanto outros. Tentámos escolher dez livros marcantes que abrangessem vários temas como religião, política, história, ciência, filosofia, educação, actualidade, etc. 


Esta foi a votação final, dos nossos leitores, para a escolha do Livro Maldito:


1.º  - (com 42% dos votos)




2.º - (com 30% dos votos)



3.º -  (com 15% dos votos)



4.º - (com 11% dos votos)



5.º - (com 8% dos votos)



6.º - (com 7% dos votos)



7.º - (com 6% dos votos)



8.º - (com 4% dos votos)



9.º - (com 2% dos votos)



10.º - (com 0% dos votos)


quarta-feira, fevereiro 1

Pó dos Livros Vintage



A nossa livraria inaugura a página Pó dos Livros Vintage. Este novo espaço pretende ser uma montra de livros raros, esgotados e usados, para além de lhe oferecer um serviço de encomendas.
Em tempo de crise pode sempre optar por um livro usado, a preço mais convidativo. Visite a nossa nova página neste endereço: podoslivrosvintage.blogspot.com