sexta-feira, setembro 28

Os Primos da América



A aventura d'Os Primos da América é a de gerações de homens e mulheres que atravessam o mar em busca de uma esperança que lhes faltava na sua terra, quer porque ela fosse terra demasiado pobre, demasiado pequena, demasiado atrasada, ou demasiado tudo isso em simultâneo.
Este livro é um livro de História tanto quanto um livro de histórias. De uma História de portugal onde não há lugar para a autocomiseração. Feita de gente como Joe Faria: «- Há portugueses que se queixam. eu digo-lhes: vão para de onde vieram se são infelizes. Eu fui muito feliz aqui. - A vida é dura e Joe Fari, também.»
Ferreira Fernandes terá muito que calcorrear, ao longo das páginas desta admirável viagem, até descobrir Manuel Duarte, «o primeiro falhado assumido que encontrava na América».
À sua maneira, os «primos da América» são todos, de uma forma ou de outra, vencedores. Temos muito a aprender com eles.


edição: tinta-da-china
título: Os Primos da América
autor: Ferreira Fernandes
prefácio: Carlos Vaz Marques
formato: 154.5x 20 cm - encadernado
n.º pág.: 230
isbn: 9789896711290
pvp: 16.20€

segunda-feira, setembro 24

É uma opção



Quando me fazem uma das perguntas mais frequentes numa livraria: «queria um livro para alguém que não gosta de ler», imediatamente penso que é o equivalente a pedirem-me uma cerveja sem álcool, um café sem cafeína ou um cigarro electrónico sem nicotina, isto é, um livro sem enredo, sem personagens, sem sentimentos, sem emoções, sem ideias. O pior é que se abre uma multiplicidade de hipóteses das quais não posso fugir, os livros editados para pessoas que não gostam de ler são, paradoxalmente, a maior fatia da oferta que existe no mercado. Basta passear um pouco por uma grande superfície e verificar a grande quantidade de livros iguais no seu aspecto estético e temático, para perceber que essa é a lei que impera. Não quero parecer elitista ao criticar a opção de se ler esse tipo de livros, é legitimo fazê-lo. Mas sejam quais forem os prazeres de desfrutar de um livro, enquanto objecto que nos permite levitar para outro mundo, esta não pode ser a única abordagem da leitura. Um livro pode, de facto, mudar a nossa vida. Não é o trabalho de um escritor uma espécie de instrumento óptico que é oferecido ao leitor para lhe possibilitar encontrar aquilo que, sem a ajuda do livro, nunca teria conseguido sentir sozinho? Não será um livro a descoberta do eu através dos outros? Já Marcel Proust dizia que é sempre mais interessante citar os outros do que nos citarmos a nós próprios. Para Orhan Pamuk um livro, para além do seu enredo e das personagens, tem que ter uma ideia central, aquilo a que Pamuk chama o centro do livro ou desígnio do livro. A função de um livro não é apenas a de nos dar prazer, ou seja, um analgésico, de efeito efémero, que ajuda a minimizar a solidão ou a passar o tempo enquanto viajamos de autocarro ou de comboio; pode, pelo contrário, criar-nos angústia, medo e dúvida, mas também nos pode dar respostas. Porém, parece que a maioria das pessoas quer apenas um sucedâneo, um placebo, algo que simplesmente as distraia e seja inócuo. É uma opção.

Jaime Bulhosa

terça-feira, setembro 18

Metáfora sem sentido



Não é fita, é verdade, estou triste. A crise, a batota dos mercados, os políticos e as suas políticas estão a tirar-me todo o ânimo. A falta de esperança e a perspectiva de um futuro sem dignidade deixam-me sem panorama nem alento. Às vezes fico sem motivação para trabalhar e imaginação para escrever neste blogue. Pior, parei de ler. Um livreiro que não lê é como um pássaro sem asas, uma criança sem brinquedos ou uma estúpida metáfora sem sentido.
Hoje tive que dar uma notícia difícil a quem trabalha comigo, sem alternativas tivemos que tomar a decisão de abrir aos domingos, como forma de combater esta crise sem paralelo. Pode, à primeira vista, e para quem é cliente, ser uma boa notícia, mas para quem vai ter que trabalhar é, no mínimo, um recuo nos direitos e uma diminuição da qualidade de vida. Por isso, quero agradecer ao Carlos Loureiro e à Débora Figueiredo a forma extraordinária como aceitaram esta medida, sem um lamento ou o mais leve protesto. – E não foi por medo –.

Jaime Bulhosa

Pó dos livros



Esqueça os centros comerciais e as grandes superfícies, onde está um montão de gente que não conhece de lado nenhum. Apoie as pequenas livrarias de rua. Agora também aos domingos a livraria Pó dos Livros estará aberta, todos os domingos, a partir de dia 23 de Setembro, das 10h00 às 19h00. O Carlos, a Débora, a Isabel e o Jaime estarão à sua espera.

terça-feira, setembro 11

Como S.Tomé



A propósito do bestseller mais vendido em Portugal, O Céu Existe Mesmo:
O meu filho mais novo, que estava na livraria comigo, repara no livro sobre a história “real” do menino que esteve no céu e trouxe de lá uma mensagem, lê o título e diz:
- Pai, o céu não existe.
- Ai não, então porquê?
- Porque eu também já lá fui de avião e não vi nada!...

Jaime Bulhosa

sábado, setembro 8

Basta!

 
Talvez influenciado pela música ambiente que passa na livraria, neste momento, o álbum Mudam-se os Tempos Mudam-se as Vontades, de José Mário Branco, decidi escrever um pequeno texto de teor político. O blogue de uma livraria não é o espaço indicado para intervenção política. Uma livraria, em princípio, não deve ter cor política, clubista, nem raça, nem credo, nem ideologia. No entanto, não resisto. Com as notícias de ontem dando-nos a boa nova de um corte de 7% sobre os ordenados, sinto-me indignado, ou melhor, vilipendiado, roubado, violentado. Como patrão deveria estar a dar pulos de alegria, com a redução da taxa social única e a pensar comprar já um Ferrari. Todavia, acontece que numa pequena empresa, como a Pó dos Livros e milhares de outras que não têm lucro, tanto os empregados como os patrões vivem do seu escasso ordenado. Se as quebras das vendas eram já de 40%, com estas políticas, o consumo cairá, pelo menos, mais 7%. Estou muito apreensivo quanto ao futuro das empresas, como a Pó dos Livros, que dificilmente sobreviverão a mais esta pancada. Não haverá mais oferta de emprego, como prometido. Haverá, isso sim, muitos (des)empregados e pequenos (ex)patrões na rua a clamar BASTA!

Jaime Bulhosa

quinta-feira, setembro 6

O crítico



- Não tenho pejo em dizer que não gosto de ir pelas massas, nem com o rebanho, por isso, queria que me aconselhasse um livro desses que nunca ninguém leu.
O livreiro faz um sorriso largo que vai de um canto ao outra da boca e diz:

- Bem, nesse caso, abrem-se milhares de possibilidades.

Jaime Bulhosa

500.000



Quando há quatro anos inaugurámos o Blogue da Livraria Pó dos Livros as nossas expectativas eram baixas. Tínhamos a noção de que se tratava de um blogue sobre livros e como tal despertaria pouco interesse. Tínhamos como objectivo dar a conhecer a livraria, a nossa opinião e divulgar o livro e a leitura. Todavia, não queríamos que fosse uma coisa chata, nem pretensioso. Nem sempre o conseguimos, mas tem valido a pena pelo gozo que nos dá fazê-lo. Rapidamente percebemos que afluem à livraria todo o tipo de pessoas, leitores e não leitores, ou melhor, pessoas que lêem por uma necessidade constante de conhecimento e pessoas que lêem apenas por impulso, influenciadas, sobretudo, pelo que é mostrado na televisão. Este último grupo de pessoas fornece quase diariamente um manancial de histórias engraçadas e entretenimento que nós aproveitamos para contar aos nossos leitores. O certo é que o blogue da Pó dos Livros ultrapassou em muito as nossas expectativas, excedendo já o meio milhão de visitas. Parece-nos motivo de orgulho.