sexta-feira, março 8

A Cultura




Que os tempos estão difíceis não há dúvida. Anteontem assaltaram-me o carro, lançaram uma pedra de calçada que me estilhaçou o vidro do lado do passageiro em milhares de pequenos fragmentos, para me roubarem um saco de compras com leite e pão, um casaco velho e uma mala de senhora de plástico. Dentro do carro também estava um livro que era simplesmente uma 1.ª edição espanhola, de 1816, das «Fábulas» de Florian, com 52 estampas recortadas manualmente e coladas nas páginas do livro. O valor estimado deste volume ronda qualquer coisa como 250 euros, mas para meu espanto permaneceu no lugar onde estava. Fiquei como devem imaginar contente, mas ao mesmo tempo fez-me pensar que a cultura, o livro, nos tempos que correm, não valem mesmo nada. 

Jaime Bulhosa

7 comentários:

Cristina Torrão disse...

Para os assaltantes, não passou de um livro velho (felizmente).

Nunca deixo coisas à vista no carro, nem uma saca de plástico. Vai sempre tudo para a mala. Até sacas vazias eu escondo! Se as coisas têm pouco valor (ou nenhum), um vidro partido é uma chatice.

Rubi disse...

Faz-me lembrar os episódios de há dois anos, em Londres, de pilhagens a vários estabelecimentos sobretudo de tecnologia e lojas de desporto, para roubarem tvs e ipads e i-phones, e sapatilhas de marca. As únicas lojas que não sofreram um arranhão foram as livrarias. Nenhum roubo, nenhum acto de vandalismo.

SEVE disse...

O roubo aliado à ignorância grassam no globo, é a globalização meus amigos.

Lamento sinceramente os danos materiais e principalmente a chatice e o tempo perdido com a situação.

Anônimo disse...

o livro valia 250 euros... na feira da ladra valeria 1 euro ! Quem é que é ladrão ? o livreiro ou quem não lhe levou o livro?

Bruno Soares Marques

Pó dos Livros disse...

Bruno Soares Marques,

A sério!... Então, eu compro todos! Sempre quero ver se me traz um que seja.

Jaime

André Carvalho disse...

Se o vendedor confundir o livro com lenha, se calhar até o vende por menos de um euro.

SEVE disse...

Ó amigo Jaime, mas se calhar para o Bruno Soares Marques, um livro, seja ele qual for, é apenas papel...