sexta-feira, março 8

Deste lado do balcão



É um milagre ou um miráculo, um acontecimento extraordinário que, à luz dos sentidos e dos conhecimentos, não tem explicação científica conhecida; o facto de uma pequeníssima empresa como a Pó dos Livros, numa conjuntura de crise como a que vivemos, das políticas arrasadoras, da falta de crédito e dos impostos absurdos, ainda permanecer aberta ao público, parece quase uma intervenção divina ou somente casmurrice. Não posso falar pelos outros, mas julgo que a aflição seja a mesma em todas as livrarias, editoras ou qualquer outro tipo de comércio e indústria o cenário deve ser negro, desesperante, depressivo, já nem mesmo os leitores fiéis têm «coragem» para comprar livros, nem se atrevem a entrar na livraria com medo de não resistir ao impulso e gastar o dinheiro do almoço. Passam em frente da montra comem com os olhos amargurados, os títulos dos livros expostos, e seguem em frente cabisbaixos.
Dia-a-dia a música de fundo, a companhia dos colegas com medo de perder o emprego, a leitura dos livros que ninguém compra, a correspondência do Estado a cobrar e o murmúrio das queixas legítimas dos credores são as únicas companhias para quem está deste lado do balcão.

Livreiro anónimo

3 comentários:

RS disse...

É de facto muito triste. Hoje já não se queimam livros, mas criam-se as condições para que as livrarias vão fechando, uma a uma, silenciosamente, até darmos por nós sem alternativa que não seja a estante da bomba de gasolina ou o supermercado FNAC. Resta-me declarar fidelidade às lojas de rua, aos alfarrabistas com princípios, aos livreiros que acreditam naquilo que fazem. E ir passando também pela Pó dos Livros.

P.A. Lerma disse...

bolas nem por isso os do costume fazem só menos 2 ou 3000 euros por mês mas aguentam-se aguentam-se

um até comprou uns 30 mil livros esta septimana

Grande Orienta-te Lusitano disse...

1 com 3 livros fez 800 em três minutos, o teu problema é a falta de contactos, arranja uma loja melhor vista nas outras lojas.