sexta-feira, maio 24

Feira do Livro na sua livraria


Durante este mês e no próximo, de 23 de Maio, até 10 de Junho, a livraria Pó dos livros oferece 20% de desconto nos livros das editoras: Documenta, Sistema Solar, Pedra Angular e Livros de Bolso BI.

Nota: Não podemos deixar de agradecer à editora Documenta por esta iniciativa de apoio às livrarias. Pena que a maior parte das editoras e com outros recursos se esqueçam de apoiar, também, as livrarias durante o período da realização da Feira do Livro de Lisboa.
Muita gente pergunta porque é que a Pó dos livros, entre outras livrarias independentes, não participa na Feira do Livro. Em primeiro lugar, e uma vez que grande parte das livrarias independentes não são editoras, é necessário conseguir a representação de uma ou mais editoras (normalmente estrangeiras), para vender com margens comerciais que nos permitam fazer descontos significativos ao cliente. Afinal de contas, é essa uma das principais razões porque se realiza a Feira.
Em segundo lugar, uma livraria para poder participar nas Feiras do Livro de Lisboa e Porto tem duas hipóteses: ou é sócia da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), e para isso paga uma mensalidade no valor correspondente ao escalão que lhe cabe de acordo com a sua facturação anual, mais a inscrição na Feira e os custos que envolvem os pavilhões, etc. Ou se não pertence à associação, aplicam-se os regulamentos de participação das Feiras do Livro de Lisboa e Porto, nomeadamente, a alínea b) do número 1 do artigo 4.º, e que diz o seguinte: podem participar nas feiras: editores, distribuidores, livreiros ou outros retalhistas que não integrem a associação, desde que reúnam condições de pertença e paguem uma taxa especial equivalente à respectiva quota anual. Se sabemos Interpretar esta alínea b), ela diz-nos o seguinte: ou pagas a taxa especial em doze prestações, fazendo-te sócio da APEL, ou pagas a pronto um absurdo. É o preço a pagar por não seres alinhado.
Acontece que a Pó dos Livros e outros livreiros, nem sempre sabem se vão conseguir ter, todos os anos, alguma coisa para vender na Feira. Além disso a Pó dos livros (como muitas outras) não se sente representada por uma associação que não defende os pequenos livreiros e é totalmente dominada pelos grandes grupos editoriais e grandes retalhistas. É só por essa razão que não pertence à APEL. E, não sendo associada, o facto de se ter que pagar uma taxa no valor total de um ano de mensalidades (mais despesas de inscrição, etc.), inviabiliza qualquer possibilidade económica de um pequeno livreiro poder participar na Feira.
A verdade é que as grandes Feiras do Livro, provocam quedas abruptas nas vendas das livrarias, cujos efeitos se prolongam muito para além da duração das mesmas. Não podemos competir com a política de preços baixos praticada, constantemente, pelos grandes grupos de retalho ou editoras em campanhas e feiras de livros por todo o país numa concorrência completamente desleal, com preços de venda ao público abaixo dos preços oferecidos às livrarias e, muitas vezes, sem respeitar a lei do preço fixo. E esta é, lamentavelmente, a lei do mercado.

6 comentários:

Letra Livre disse...

Mesmo participando a Letra Livre na Feira do Livro de Lisboa concordamos com a análise dos livreiros da Pó dos Livros. Ainda no ano passado a Assembleia Geral da APEL realizou-se no dia da desmontagem da Feira do Livro de Lisboa numa demonstração prática de como a direcção dessa (nossa)associação respeita os seus sócios...

No entanto o problema do mercado do livro em Portugal é bem mais amplo e todos sabemos que existem inúmeras razões, umas locais outras mundiais, que tem levado a esta tendência de concentração na área livreira e editorial com os resultados desastrosos que todos sabemos.
O problema concreto dos descontos diferenciados, desrespeito da lei do preço fixo, da liquidação de livros, ou pior ainda da sua destruição física,ocorre ao longo de todo o ano ante o silêncio de todos, livreiros, editores, escritores, leitores e imprensa dita cultural. Face a esta realidade a sobrevivência das pequenas e médias livrarias independentes está a se tornar uma prova de resistência.

Carlos Antunes disse...

Quem me dera que os responsáveis dos grandes conglomerados editoriais (ia escrever "os editores", mas aqueles que conheço e que merecem esse título não merecem este recado) tivessem sido obrigados a ir ver um filme que passou pelo IndieLisboa e, não por acaso, ganhou o prémio do público: The Bookseller of Belfast.

Seria para eles a revelação (porque lhes deve custar vir aqui ler os textos no blogue depois de lerem tantos números em tabelas de Excel e um filme sempre corre melhor) do papel extraordinário que teve e que ainda pode tem um livreiro. Mesmo um sem livraria (ardida) como era este!

No fundo, como cuidava das pessoas através dos livros.
Os livros que dava aos estudantes sem dinheiro contando que estes viessem (e iam!) anos depois pagar.
Os livros que encontrava para pessoas do outro lado do Atlântico que lhe agradeciam a alegria que tinha proporcionado aos pais que para lá tinham emigrado.

Mas, também, como leva ainda pessoas a encontrar para si o livro certo para começarem a ler depois de terem mandriado na escola.
Ou como não encontrando os livros que lhe pediam telefonava só para dar o recado à pessoas que estes (como a própria pessoa, claro) não estavam esquecidos

Um livreiro que apoiara a edição de alguns poetas locais e que agora os levava a fazer leituras para cegos.
Um personagem extraordinário que comoveu todos, mesmo aqueles que estavam na sala de cinema a identificarem-se com os que não lêem.

Esse filme só aguçou em mim o desalento de ver desaparecerem as livrarias para onde marcava encontros com intenção apenas de respirar algum pó e aguçar a memória para algumas conversas que se haveriam de seguir.
Mesmo se já nem posso ir a uma livraria como ia há um par de anos...
Resta-me requisitar os livros que estão nas bibliotecas e fazer a lista daqueles livros que, um dia (espero, mas sei lá se poderá ser), terei de comprar para me fazerem companhia.

Fica a promessa que, no dia em que possa arranjar o DVD deste filme, o irei deixar à guarda da Pó dos Livros para todos os livreiros que o possam ver.
Como homenagem a todos os que resistirem até lá e como vingança contra a desconsideração a que tenham sido condenados.




PS - Da minha parte, este ano como já no ano passado e no ano anterior, irei à Feira do Livro apenas para conviver com amigos que por lá estarão a trabalhar.
Até porque já nem compreendo que benefício traz a Feira quando as grandes superfícies (de livros) e os hipermercados (que fazem dos livros mercadoria igual a toda a outra) já fazem descontos iguais ou maiores durante todo o ano.

Pó dos Livros disse...

Carlos Antunes,

Obrigado pelas suas palavras. Aguardo ansioso a visita e o DVD. :)
Jaime

alexandra g. disse...

Se este é o rosto da Pó dos Livros Vintage, como acredito, gostava de saber a razão pela qual nunca foi dada resposta ao meu email (para a vintage) apelando a uma Anna Maria Ortese que pudesse aparecer. Bastava uma palavrinha a dizer que "não há, não temos, faremos os possíveis". Nada, até agora, e nem me dou ao trabalho de procurar a data do meu correio.

Reparem que não desmereço das vossas qualidades, longe de mim, que vos não conheço, embora leia com agrado. O facto é que ninguém anda cá (refiro-me à vida) por aquilo que nos oferecem nas bancas (feira ou não feira). Às vezes, há pedidos interiores que falam mais alto, como estou certa que Vos acontece.

Pó dos Livros disse...

Alexandra g.

Desde de já pedimos desculpa por não lhe termos respondido. Provavelmente o seu e-mail perdeu-se no meio de tanto e-mail de publicidade e foi apagado, não o encontrarmos no nosso arquivo. Culpa nossa. Em relação ao seu pedido, infelizmente não temos nada em stock, mas se aparecer tentaremos responder.
Obrigado

Anônimo disse...

O que mais me choca na Feira do Livro é o apoio público que nada exige em troca. Não impõe regras de acesso, não acaba com a competição desleal das editoras aos livreiros, etc.

A Feira do Livro de Lisboa é um atentado às regras da concorrência, onde todo o dia se viola a lei do preço fixo sem que ninguém, mesmo após denúncias, faça seja o que for.

Que seja. Mas que a CMLisboa financie a extinção das livrarias independentes 100 kms em redor de Lisboa é chocante.