quarta-feira, maio 29

Pensamento único



Andei a passear pela Feira do Livro de Lisboa. O dia estava soalheiro, as folhas das árvores oscilavam com a ligeira brisa que vinha do Tejo: Daquela colina do Parque Eduardo VII o rio via-se em todo o seu azul. Estava um dia magnífico para visitar a Feira e, por isso, tinha gente. Dirigi-me logo à zona dos alfarrabistas, a minha preferida, e comprei um livro velhinho, as «Novelas Exemplares», de Miguel de Cervantes. Depois, fui visitar as praças das grandes editoras na esperança de encontrar fundo de catálogo que talvez nem eu tenha na minha livraria. E de facto vi, muitos livros, tantos livros, mas tantos livros, novinhos em folha, que não consegui distinguir um dos outros, porque eram, na sua grande maioria, todos iguais, cópias exactas, nas “ideias”, na estética de pensamento único e que me fez pensar: como é possível haver tantos livros que a única coisa que têm de Autor é o título? Alguns nem isso. Fui-me embora com o meu Cervantes.   

Jaime Bulhosa

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