quinta-feira, dezembro 19

Alexandre O'Neill (19/12/1924 - 21/08/1986)




AUTO-RETRATO


O’Neill (Alexandre), moreno português,
cabelo asa de corvo; da angústia da cara,
nariguete que sobrepuja de través
a ferida desdenhosa e não cicatrizada.
Se a visagem de tal sujeito é o que vês
(omita-se o olho triste e a testa iluminada)
o retrato moral também tem os seus quês
(aqui, uma pequena frase censurada..)
No amor? No amor crê (ou não fosse ele O’Neill!)
e tem a veleidade de o saber fazer
(pois amor não há feito) das maneiras mil
que são a semovente estátua do prazer.
Mas sofre de ternura, bebe de mais e ri-se
do que neste soneto sobre si mesmo disse…

Alexandre O'Neill 

2 comentários:

Pedro Carneiro disse...

Por onde andas O'Neill que ninguém te liga. Ai Portugal, tão pequnino...

Pedro Carneiro disse...

Por onde andas O'Neill que ninguém te liga. Ai Portugal, tão pequnino...