sexta-feira, dezembro 13

Alguma coisa está mal?


Os leitores queixam-se de que os livros estão caros e de que as livrarias não têm o que procuram. Os livreiros queixam-se de que não vendem porque há novidades a mais e por isso não podem ter tudo e de que a concorrência é desleal. Os editores queixam-se do mesmo e de que não vendem o suficiente, porque colocar os livros nas montras e sustentar campanhas de descontos absurdos, das grandes livrarias, custa muito caro e por isso têm os armazéns cheios de livros. Os autores queixam-se de que as suas obras não estão expostas nas livrarias e de que o marketing feito pelas editoras não é suficiente na promoção dos seus livros. Os críticos literários queixam-se de que os livros são todos iguais e de má qualidade. Os livreiros queixam-se de que os editores não têm critério nem perspectiva de futuro. Os editores queixam-se de que os livreiros são incompetentes. Os autores queixam-se de ser mal pagos pelo seu trabalho. Os tradutores queixam-se de não ter trabalho. Os revisores queixam-se do acordo ortográfico. Os ilustradores queixam-se de que as capas são só Photoshop. As gráficas queixam-se de que não lhes pagam. Enfim, toda a gente se queixa neste mercado. Pergunto: se todos se queixam, não será porque alguma coisa está mal?

Jaime Bulhosa

3 comentários:

marta, a menina do blog disse...

Devem ser uns para os outros: no outro dia, trouxe um livro com uma aventura do Indiana Jones a 2 euros (sim, DOIS!!),que devia estar encalhado num armazém, o que deve compensar pelo que cobram pelo último da Juliet Marillier, de quem gosto muito, mas que vou antes buscar à biblioteca, porque custa quase 20 euros...

Anônimo disse...

Não são apenas os revisores que se queixam do acordo ortográfico. Sou apenas um leitor, mas livro em acordês não entra cá em casa e acredite que já deixei de comprar bastantes.
Se são de autores portugueses e em acordês, simplesmente não leio. Se são de autores estrangeiros leio em inglês ou francês. Em 2/3 dias (ou em 30 segundos, se são e-books) tenho o que encomendei em casa, quase sempre sem portes e sem correr o risco das péssimas traduções.

Anônimo disse...

E falta juntar uma queixa, com frequência aludida neste blogue: dos clientes que compram livros. Queixem-se deles também. Gozem-nos à vontade, critiquem quando perguntam mal e não sabem bem o que querem. Não vos ocorre que o leitor ouve por vezes na rádio uma entrevista parcial, uma referência mal explicada, mas que, sim, MAS que fica com o desejo de saber mais daquele livro, conhecer o autor, ver, em suma, se percebeu bem o que ouviu? Por que têm de gozar tanto com os clientes que vos compram os livros? Como a ''Livreira Anarquista''? Que pedante, a criatura.
Outra coisa - o acordês: chateia mais a referência ao assunto que o assunto em si. Fazem ideia dos milhões de papéis já alterados com o acordo? Fazem ideia do que seria voltar atrás? E voltamos atrás para quando? Para quando se escrevia bibliotheca, pharmacia, mãi, pae? Haja paciência. Como se vê, há ''muita coisa que está mal''
Assinado: leitora compulsiva, velha e do outro tempo, Luísa