quarta-feira, dezembro 11

O fim das livrarias independentes é mau para quem?


Há quem diga que sempre que uma livraria fecha é como queimar, livro após livro, lentamente numa pequena fogueira. Seguindo a metáfora, estes últimos anos têm sido de autênticos incêndios. Desde o ano de 2007 fecharam em Portugal quase cem livrarias e algumas delas históricas. É um facto incontornável, se nada se fizer, que as livrarias independentes têm os dias contados, sobreviverão umas poucas especializadas e em locais privilegiados. E porquê? Não me venham com a história de que todas eram mal geridas ou que não se adaptaram aos novos tempos, às novas formas de marketing, etc, etc. É uma realidade que os novos suportes digitais do livro e a venda por internet têm afastado muitos clientes das livrarias. Mas, no entanto, para dizer a verdade, a razão principal para que as livrarias fechem em catadupa passa sobretudo por um mercado que se tornou selvagem, sem regras ou regido pela lei do mais forte, a caminho de um monopólio. A concorrência entre os vários agentes do livro é completamente desleal, injusta e contraproducente para a liberdade de escolha, para a diversidade cultural e para o futuro do próprio mercado. Um país sem livrarias heterogéneas, diferentes na oferta, diferentes no serviço, diferentes no gosto, é um país mais pobre, menos plural e menos democrático. O mercado do livro é como uma cadeia alimentar, quando desaparecer a presa mais fraca, mais tarde ou mais cedo desaparecerão os predadores de topo.    

Jaime Bulhosa

4 comentários:

alexandra g. disse...

Jaime Bulhosa,

com todo o respeito deste mundo e de todos os mundos existentes e por existir, eu continuo à espera de um email da V. versão vintage que me dê notícias - até negativas - em resposta a um pedido com cerca de 1 ano sobre achados de uma/outra Anna Maria Ortese, que nunca chegou.

No meu brio profissional, um Não Temos é coisa vasta, como pão na mesa no qual não se pressente a ausência do complemento, que o pão basta ao pão.

Lamento voltar a este assunto, mas parece-me sempre que há detalhes tão vitais como leis, ainda que na imprensa ou nos tribunais não lutemos por eles, mas entre (aparentemente) iguais.

Daniela Vieira disse...

Meu sonho ainda é abrir uma livraria. Mas tenho muito medo. Sempre penso naquilo, de fazer o que gosto, não por dinheiro, mas porque realmente gosto. Bonita fantasia. Como eu pagarei meu apartamento e minhas contas em dia? É tão difícil!

Pó dos Livros disse...

Alexandra G.

Infelizmente não encontramos nada. Com os livros esgotados não se podem fazer previsões. No entanto, vou relembrar ou meu colega que faz essas pesquisas para procurar novamente.
Obg

alexandra g. disse...

Pó dos Livros,
Jaime Bulhosa,

já não me apetece que encontrem nada, obviamente, o que é tão certo como jamais ter apresentado semelhante pedido numa FNAC ou numa Bertrand.

Doravante (o que começa sempre antes do enunciado) I'm on my own.

Desejo-vos tanta sorte no negócio como desejo a mim na vida. E a vós na vida, também.