quinta-feira, maio 30

O Negócio dos Livros



Este é um livro sobre como os grandes grupos económicos (editoriais) decidem o que lemos. É um livro editado por uma livraria, o que logo à partida nos garante isenção das habituais expectativas de obtenção de lucro imediato.
«O que aconteceu com o trabalho dos editores não é pior do que sucedeu com outras profissões liberais. Mas a mudança que ocorreu no meio editorial é de grande importância. É apenas nos livros que investigações e argumentações podem ser conduzidas de forma prolongada e em profundidade. Os livros têm sido tradicionalmente o único meio no qual duas pessoas, um autor e um editor, concordam em que há algo que precisa de ser dito, e por isso a partilham com o público por um pequeno montante de dinheiro. Os livros distinguem-se nitidamente dos outros meios de comunicação social. Ao contrário das revistas, eles não dependem da publicidade. Ao contrário da televisão e do cinema, eles não precisam de ter uma audiência de massas. Os livros podem permitir-se ir contra a corrente, lançar novas ideias, desafiar o status quo na esperança de que, com o tempo, se atinja um público. A presente ameaça a estes livros e às ideias que contém, a que costuma chamar-se o mercado de ideias, constitui um perigoso desenvolvimento não só para a edição profissional, mas para a sociedade como um todo.»

título: O Negócio dos Livros
autor: André Schiffrin~
edição: Letra Livre
tradução: Octávio Lemos e Rui Lopo
n.º pág.: 206
formato: 14x21cm (in-8.º)
capa: Rui Silva
isbn: 9789898268174
pvp: 15.00€
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quarta-feira, maio 29

Pensamento único



Andei a passear pela Feira do Livro de Lisboa. O dia estava soalheiro, as folhas das árvores oscilavam com a ligeira brisa que vinha do Tejo: Daquela colina do Parque Eduardo VII o rio via-se em todo o seu azul. Estava um dia magnífico para visitar a Feira e, por isso, tinha gente. Dirigi-me logo à zona dos alfarrabistas, a minha preferida, e comprei um livro velhinho, as «Novelas Exemplares», de Miguel de Cervantes. Depois, fui visitar as praças das grandes editoras na esperança de encontrar fundo de catálogo que talvez nem eu tenha na minha livraria. E de facto vi, muitos livros, tantos livros, mas tantos livros, novinhos em folha, que não consegui distinguir um dos outros, porque eram, na sua grande maioria, todos iguais, cópias exactas, nas “ideias”, na estética de pensamento único e que me fez pensar: como é possível haver tantos livros que a única coisa que têm de Autor é o título? Alguns nem isso. Fui-me embora com o meu Cervantes.   

Jaime Bulhosa

sexta-feira, maio 24

Feira do Livro na sua livraria


Durante este mês e no próximo, de 23 de Maio, até 10 de Junho, a livraria Pó dos livros oferece 20% de desconto nos livros das editoras: Documenta, Sistema Solar, Pedra Angular e Livros de Bolso BI.

Nota: Não podemos deixar de agradecer à editora Documenta por esta iniciativa de apoio às livrarias. Pena que a maior parte das editoras e com outros recursos se esqueçam de apoiar, também, as livrarias durante o período da realização da Feira do Livro de Lisboa.
Muita gente pergunta porque é que a Pó dos livros, entre outras livrarias independentes, não participa na Feira do Livro. Em primeiro lugar, e uma vez que grande parte das livrarias independentes não são editoras, é necessário conseguir a representação de uma ou mais editoras (normalmente estrangeiras), para vender com margens comerciais que nos permitam fazer descontos significativos ao cliente. Afinal de contas, é essa uma das principais razões porque se realiza a Feira.
Em segundo lugar, uma livraria para poder participar nas Feiras do Livro de Lisboa e Porto tem duas hipóteses: ou é sócia da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), e para isso paga uma mensalidade no valor correspondente ao escalão que lhe cabe de acordo com a sua facturação anual, mais a inscrição na Feira e os custos que envolvem os pavilhões, etc. Ou se não pertence à associação, aplicam-se os regulamentos de participação das Feiras do Livro de Lisboa e Porto, nomeadamente, a alínea b) do número 1 do artigo 4.º, e que diz o seguinte: podem participar nas feiras: editores, distribuidores, livreiros ou outros retalhistas que não integrem a associação, desde que reúnam condições de pertença e paguem uma taxa especial equivalente à respectiva quota anual. Se sabemos Interpretar esta alínea b), ela diz-nos o seguinte: ou pagas a taxa especial em doze prestações, fazendo-te sócio da APEL, ou pagas a pronto um absurdo. É o preço a pagar por não seres alinhado.
Acontece que a Pó dos Livros e outros livreiros, nem sempre sabem se vão conseguir ter, todos os anos, alguma coisa para vender na Feira. Além disso a Pó dos livros (como muitas outras) não se sente representada por uma associação que não defende os pequenos livreiros e é totalmente dominada pelos grandes grupos editoriais e grandes retalhistas. É só por essa razão que não pertence à APEL. E, não sendo associada, o facto de se ter que pagar uma taxa no valor total de um ano de mensalidades (mais despesas de inscrição, etc.), inviabiliza qualquer possibilidade económica de um pequeno livreiro poder participar na Feira.
A verdade é que as grandes Feiras do Livro, provocam quedas abruptas nas vendas das livrarias, cujos efeitos se prolongam muito para além da duração das mesmas. Não podemos competir com a política de preços baixos praticada, constantemente, pelos grandes grupos de retalho ou editoras em campanhas e feiras de livros por todo o país numa concorrência completamente desleal, com preços de venda ao público abaixo dos preços oferecidos às livrarias e, muitas vezes, sem respeitar a lei do preço fixo. E esta é, lamentavelmente, a lei do mercado.

terça-feira, maio 21

Mercado de livros usados


Amanhã, 22 de Maio, Dia do Autor Português, a partir das 11h00, estaremos também no jardim do Palácio Galveias, no Campo Pequeno, com uma selecção de livros usados, de autores portugueses e outros.

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segunda-feira, maio 20

Adão e Eva



Vem de longe, desde dos tempos de Adão e Eva, a controvérsia sobre as diferenças de comportamento entre os dois sexos e os inevitáveis conflitos que daí advém – foi por causa de Eva que Adão se lixou, toda a gente sabe, mas isso é outra história –. Dizem que as mulheres têm cérebros complexos, onde todos os neurónios estão em constante contacto e sempre a trabalhar, é por isso que se diz que conseguem fazer duas coisas ao mesmo tempo. Já os homens têm cérebros mais lineares, simples, está tudo separado em gavetas, sem que umas se misturem com as outras, é por isso que somos mais fáceis de aturar. Até conseguimos, prodigiosamente, estar sem fazer nada, absolutamente nada, inclusive ficar parados no sofá, a olhar para o horizonte, a pensar em, rigorosamente, nada – claro, sou suspeito para falar, sou homem. Graças a deus! –.
Estas diferenças aparecem cedo, desde a infância. Quem é que nunca reparou na diferença de discurso e brincadeiras entre raparigas e rapazes de uma escola primária. É inegável. Se não vejamos este exemplo:

O Vasco, meu filho, tem dez anos e vinha da escola, depois de ter estado a jogar à bola, a falar descontraidamente da namorada. Às tantas diz-me:
- Pai, a minha namorada é muito certinha, tem tudo muito arrumadinho. Tu acreditas que ela ainda usa a mesma borracha branca, desde a infantil até à 4.º ano? Eu nem borracha tenho! (risos).
- Ai sim!?...
- E a borracha dela continua branca, limpinha, limpinha e o mais extraordinário é que mesmo depois de a usar continua, impecavelmente, branca… (pausa).
Nota-se que a cabeça do Vasco pensa, pensa… começa a imaginar um futuro a dois, vê-se casado ou a viver junto e, de repente, conclui:
- Eh pá, pai, isto começa a preocupar-me!

Jaime Bulhosa

quinta-feira, maio 16

Educação sexual



Um pai e um filho. O filho não teria mais de doze anos, treze no máximo. O pai aproxima-se do balcão, pousa um livro intitulado «Educação Sexual» e diz para o filho:
- Este livro é para ti.
O filho faz um esgar de desdém, talvez até um pouco envergonhado pelo pai, encolhe os ombros e responde:
- Pai, para quê esse livro?
O pai, resoluto no seu papel de pai, observa:
- Estás na idade. Temos que falar sobre os problemas sexuais.
A resposta foi rápida:
- Ok pai. Vejamos então!... O que é que queres saber? 

terça-feira, maio 14

Está frio nas livrarias




Nos dias que correm parece ser uma fatalidade, em qualquer lado, em vez de ouvir falar, por exemplo, de livros, literatura e lazer, ser obrigado a ouvir falar de crise económica, política e mercado. A contragosto, também eu me vejo a isso forçado.
Começo com uma pergunta: será que as livrarias, tal como as conhecemos hoje, estarão a extinguir-se?
Eu responderia que sim. Porquê? Por causa da crise económica e financeira? Das políticas culturais e baixos índices de leitura? Das novas tecnologias e do livro digital ou, antes disso, uma causa interna ao próprio mercado do livro? Estas são algumas das possíveis questões, às quais vou tentar responder em traços largos.
Nos últimos anos têm-nos chegado notícias preocupantes sobre o encerramento contínuo de livrarias, tanto no estrangeiro como em Portugal. Para dar um exemplo, só nos últimos dois anos, encerraram mais de quinze livrarias independentes, espalhadas pelo país. Infelizmente, é provável que fechem mais, não apenas entre as livrarias independentes, mas também entre as lojas das grandes cadeias - muito à semelhança do que do que vai acontecendo um pouco por todo o mundo, especialmente nos Estados Unidos e na Europa.
Evidentemente, a crise económica, que já vem desde 2008 e que se agravou em Portugal desde 2010, será a razão principal para o que está a acontecer, ou seja, o golpe que faltava para que as livrarias tradicionais definhassem de vez. Não podemos escamotear que esta é uma crise económica real, de dimensão inesperada e bem perceptível na degradação das condições de vida de milhões de pessoas. Mas não servirá esta crise, como bode expiatório perfeito para todos os males da cadeia do livro?
Deixem-me colocar de lado a crise económica e financeira, para passar a abordar outro tema, outra crise, anterior à crise económica, e que vou apelidar de crise endógena.
Não poderemos compreender o presente, nem perspectivar melhor o futuro, se não olharmos primeiro para o passado. Neste sentido permitam-me partilhar a minha experiência, de 28 anos, a trabalhar com o livro e para o livro.
Quando comecei o ofício de livreiro, o mercado do livro generalista não era um mundo perfeito, nem idílico. Todavia, era mais homogéneo, simbiótico, bastante mais do que é hoje, no sentido em que todos dependiam de todos, como deve ser um mercado que pretende atingir a concorrência perfeita.
Os diversos agentes da cadeia do livro estavam razoavelmente equilibrados, tanto ao nível das dimensões quanto ao número de editoras, livrarias e outros agentes do livro. Era sobretudo composta por pequenas e média empresas. Havia diversidade cultural e partilhavam o mercado, com as suas especificidades, em concorrência saudável.
As regras tácitas estavam estabelecidas e eram quase sempre honradas. Particularmente no que se refere às margens comerciais e prazos de pagamento, concedidas pelos editores aos livreiros. As margens de pequenos, médios e grandes livreiros oscilavam entre 30% e 35% sobre o preço de venda ao público. Mas esta diferença podia facilmente ser anuladas através da diferenciação da qualidade do serviço. Actualmente, a discrepância da margem entre pequenos livreiros e grandes retalhistas varia entre 30% e 60%. O que é manifestamente injusto e incompatível para a manutenção de um mercado de concorrência equilibrada.
Evidentemente que a tiragem do número de livros e títulos editados também era muito menor, mas quantidade não significa qualidade e nem sempre melhores proveitos.
Uns anos mais tarde, por volta do ano de 1998, tudo mudou. Entram em cena os grandes grupos de retalho. Os livros passam a vender-se, um pouco por todo o lado, na FNAC, nos hipermercados, nos CTT, nas Bombas de gasolina, etc. As livrarias independentes, que representavam cerca 50% do mercado, diminuem rapidamente, para menos de 15%. Este factor fez com que estas passassem a ser, por comparação com o grande retalho, ostracizadas pelos editores. Simplesmente porque, individualmente, significavam uma pequeníssima parcela das suas vendas. Portanto, dispensáveis para a viabilidade económica de grande parte das editoras. – A meu ver, isto é incompreensível, tendo gerado grandes prejuízos no passado, e indo ainda gerar outros tantos no futuro, e não me refiro só aos livreiros, mas também a editores e leitores.
Neste novo ambiente, dá-se uma espécie de «bolha especulativa» da edição, do número de livros editados, sem correspondência proporcional com o aumento das vendas – «parece que as pessoas, com o aumento da escolaridade, em vez de quererem ler mais, passam a querer ser lidas» –.
É a chamada democratização do livro e, com ela, a uniformização, que tem infelizmente como resultado a tradução de edições pouco cuidadas e de qualidade literária duvidosa.
A dimensão de alguns retalhistas e a convergência da maioria das vendas em poucos operadores levaram à consequente diminuição das margens comerciais dos médios e pequenos editores. O sector editorial, sem capacidade negocial junto do grande retalho, vê-se em apuros. E procura uma saída para a crise nos novos grupos económicos, atraídos ao mercado do livro, que aparentemente consideraram ser um bom negócio. A seguir dá-se a concentração editorial, as pequenas e médias editoras passam de editoras independentes a meras chancelas, propriedade de investidores especulativos. Este novo cenário conduziu a que o mercado do livro se tenha transformado num oligopólio, tanto no sector editorial, como no sector do retalho. Com a especulação, as margens comerciais passam a ser ilógicas, totalmente desiguais, injustas. É como se tivéssemos colocado no mesmo ringue de boxe, sem árbitro, um peso pesado e um peso pluma e depois, de poltrona, ficarmos à espera de um final surpreendente.
A proliferação de feiras e campanhas um pouco por todo o lado, onde a lei do preço fixo é totalmente desrespeitada, cria no leitor a percepção de que o livro é barato, vulgar e que deve ser vendido com respectivo desconto e brinde a custo zero. E, no entanto, pura ilusão. Afinal de contas, não será que as coisas gratuitas nos podem trazer problemas, uma vez que objectos que nunca sonharíamos comprar se tornam tão apelativos, assim que são “gratuitos”? –
A lei da concorrência – não sendo eu jurista – parece não estar a ser aplicada, especificamente em algumas alíneas dos artigos n.º 4 e n.º 7. Na minha perspectiva, há controlo da distribuição, bem como privação temporária das fontes de abastecimento em prazo razoável de concorrência. Acontece, igualmente, fazerem-se edições de livros exclusivos, designadamente para a FNAC, privando o resto dos livreiros de acederem aos mesmos – não é ilegal, mas é no mínimo deselegante e pouco solidário entre parceiros. Para dar outro exemplo, os pequenos livreiros recebem, frequentemente, títulos que encomendaram ao mesmo tempo que os grandes retalhistas, e qual não é espanto quanto recebem os mesmos livros apenas um mês depois. Por vezes nem sequer recebem a primeira edição, mas as segundas ou terceiras edições. Também na grande Feira do Livro de Lisboa se vendem livros abaixo do preço de custo, isto é, um pequeno livreiro encontra nesta feira os livros mais baratos do que se os comprar directamente ao editor. Será esta prática de abastecimento equitativa, adequada a uma concorrência saudável?
Depois da crise endógena e da crise económica, surge, quase ao mesmo tempo, a crise do livro impresso.
O livro, em forma de códice, tal como ainda o concebemos, vem sendo paulatinamente substituído pelo livro digital e pelo acesso fácil a conteúdos na Internet, particularmente no que diz respeito aos livros práticos e técnicos – alguém ainda se lembra da última vez que comprou uma enciclopédia em papel? Talvez sejam excepção os livros que se querem ler na íntegra, como os romances, a poesia, os livros infantis e similares. Todavia, temos recentemente o exemplo do último livro de José Saramago, que saiu primeiro em ebook e só depois em papel. Provavelmente, muitos mais se seguirão. Creio ainda que, através do livro electrónico, a leitura deixará de ser um acto individual, para passar a ser uma leitura social em rede. Não quer isto dizer, necessariamente, que seja uma má notícia para os leitores. No entanto, se o livro impresso deixar de ser financeiramente interessante para as grandes superfícies comerciais, serão estas, também, as primeiras, tão rapidamente como lhes deram importância, a retirar-lhes o espaço merecido.
Quanto ao futuro das livrarias. A vantagem de se falar do futuro é de que ele ainda não aconteceu. E, como tal, tudo o que eu pudesse dizer não estaria errado. Se, por acaso, no futuro se verificasse o contrário, teria boas hipóteses de ninguém se lembrar do que eu disse. Por outro lado, se adivinhasse o futuro, seria considerado um visionário. Mas prefiro não arriscar vaticínios e deixar simplesmente algumas reflexões em jeito de perguntas:
- Será que um sector livreiro que assegure a pluralidade e a diversidade cultural, que divulgue o livro e a leitura, não deve ser protegido em caso de necessidade?
- Será que a variedade que caracteriza o mercado livreiro não é apenas a expressão do desenvolvimento cultural de um país, mas também a de todo um espaço linguístico?
- Por oposição aos supermercados de papel, não é verdade que os livreiros oferecem outros serviços, como o aconselhamento técnico, a selecção e a encomenda de outras obras que não só aquelas do êxito do momento?
- Não é verdade que, por cada livraria de bairro ou de província que tenha de fechar, por ser incapaz de acompanhar os baixos preços das grandes superfícies, representa uma perda para o abastecimento espiritual e cultural daquela zona?
Se o mercado do livro se mantiver como está, persistindo na prática de uma concorrência imperfeita, regulação e fiscalização estatal ineficazes, falta de ética, procura do lucro fácil e alimentando a perspectiva de que o livro é produto para consumidores e não para leitores (no sentido tradicional), correremos o risco de um dia, ao passearmos pelas ruas de algumas das nossas vilas e cidades, ao lado dos nossos já crescidinhos netos, sermos surpreendidos com a pergunta:
- Avô, o que é uma livraria?

Nota: este texto foi escrito em Outubro de 2011.

Jaime Bulhosa

Promoção Vintage


De 15 de Maio a 10 Junho, na Livraria Pó dos livros, decorre uma promoção Vintage: na compra de um livro usado, a partir de 5.00€, oferecemos-lhe, em qualquer livro novo, um desconto 20% sobre o preço de capa.

Nota: desconto não acumulável com cartão de cliente.

terça-feira, maio 7

Um comentário

Alguém deixou dentro deste livro em segunda-mão, «Portugal Arquitectura e Sociedade», de Carlos de Almeida, um comentário escrito num guardanapo de papel. O autor do comentário demonstra, desde logo, um enorme respeito pelos livros mesmo por aqueles de que não gosta, ao ter tido o cuidado de não escrever directamente nas páginas do livro.
Reproduzo aqui o comentário para aqueles que não perceberem a caligrafia do nosso estimado anónimo:

O autor deste livro é um autêntico filho da puta. Ataca a Igreja duma maneira indecente e falsa. É comuna primário.
Tinha que ser Almeida!

sábado, maio 4

Olhares de Orfeu



À semelhança das suas obras anteriores (Dissonâncias e A Undécima Praga, ainda em catálogo), António Vieira mantém neste seu novo livro de contos, a par da efabulação filosófica e de um estilo narrativo de sugestivo recorte clássico, uma inquietação (ontológica) que ao mergulhar na noite dos mitos que se julgavam inquestionáveis, acaba por revelar, afinal, a sua agónica absurdez. A sombra de Kafka pairará por aqui, talvez geminada com a de Dostoievski. Mas a agudeza crítica, essa, é por inteiro de António Vieira, escritor sério demais para andar por aí aos salamaleques. 

título: Olhares de Orfeu
autor: António Vieira
tradução: ---
n.º pág.: 90
formato: 15.5 x 17.5cm
capa: Luís Manuel Gaspar
isbn: 9789898150424
pvp: 15.00€

quarta-feira, maio 1

Poesia na Pó dos livros

No próximo Sábado, 4 de Maio, às 17h30, será apresentado na Pó dos livros o novo livro de poesia de Victor Oliveira Mateus GENTE DOIS REINOS, edição LabirintoA apresentação estará a cargo da poeta Maria João Cantinho e da romancista Ana Cristina Silva. A poeta Gisela Ramos Rosa fará a leitura de alguns poemas.

(clique para ampliar)