quinta-feira, junho 27

A Vida Inútil de José Homem


A Livraria Pó dos Livros e a Gradiva têm o prazer de vos convidar para o lançamento do livro «A Vida Inútil de José Homem», de Marlene Ferraz. A sessão terá lugar no dia 4 de Julho, pelas 18h30. A obra será apresentada pela jornalista Luciana Leiderfarb e a sessão contará com leitura de excertos do romance por Tiago Ribeiro Patrício.

 (Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís 2012, instituído pela Estoril-Sol).


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terça-feira, junho 25

Ficção ou realidade


As mais belas ficções são inspiradas pela loucura e escritas pela razão, ou não?


Anónimo


Não é raro a realidade superar a ficção em bizarrias e situações grotescas. É verdade que a ficção está cheia de histórias de loucos, dementes, alucinados, mas não é menos verdade que a realidade está cheia de avariados, desvairados e brincalhões. A maior parte dos “loucos” não se encontra internada em casas de Orates, e eles circulam e interagem “connosco”, ou seja, com aqueles que, por estarem em maioria e se desviarem menos do padrão, se consideram sãos. Resta saber qual dos lados é mais doido, se o lado dos “normais” se o lado dos “dementes”, se na ficção se na realidade. A loucura sempre foi para nós objecto de fascínio e a literatura, cheia de exemplos pertinentes, não o desmente.
No conto O Diário de Um Louco, Fidèle, a personagem que Nikolai Gógol nos descreve como um simples e normal funcionário público, vai aos poucos ficando louco. O conto vai avançando à medida que os leitores se vão apercebendo dos pensamentos e visões da personagem, no mínimo estranhos, que, o vão levando, cada vez mais, à loucura. Claro que no final do conto, Fidèle, é internado, como doente mental, num hospital psiquiátrico. Convencido de que é Rei de Espanha, nunca se apercebe de que está louco (como todos os loucos) e julga encontrar-se na corte de um reino exótico com protocolos estranhos e costumes excêntricos, justificando assim todos os males que lhe vão acontecendo. Noutro conto, O Alienista, de Machado de Assis (na minha opinião, ainda mais extraordinário que o conto de Gógol, e que não podem deixar de ler), conta-se que, «numa remota vila do interior do Brasil chamada Itaguaí, vivera um certo médico, o Dr. Simão Bacamarte, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas». Ao abrigo da sua fama e sabedoria, consegue colocar, para além dos loucos, sob internamento, no seu próprio hospital psiquiátrico, a inteira comunidade de habitantes da vila, inclusive ele próprio.

Numa ocasião em que Filipe III de Espanha viu um jovem perdido de riso, comentou: «ou o rapaz perdeu o juízo ou está a ler o Dom Quixote.»
Dom Quixote é um dos livros mais divertidos de sempre, talvez o melhor livro de todos os tempos. A partir da obra de Cervantes, os leitores têm de estar conscientes de que, cada vez que iniciam a leitura de um romance, entram num mundo fictício, embora muitas vezes exista uma angustiante dúvida, entre os leitores, sobre a capacidade para fazer esta distinção entre realidade e ficção.
A fronteira que separa aquilo que é ficção e realidade, deixo para vocês julgarem. Porém, não posso deixar de contar uma história, passada na livraria, da esfera da realidade, parecendo ficção. Ou será o contrário?


Um cliente com um aspecto normal, faz uma pergunta natural:
- Tem livros sobre baratas?
O livreiro intrigado:
- Baratas!?...
- Deixe que lhe explique. Tenho uma barata em casa que fala comigo e queria saber mais sobre estes maravilhosos bichinhos. Eu sei que você não vai acreditar e é provável que me ache louco...
O livreiro sem deixar acabar o cliente, empolgado com a identificação, diz:
- Pelo contrário, acho até bastante interessante. E digo-lhe mais, ultimamente também eu tenho falado com uma, até lhe dei o nome de Metamorfose em homenagem a um amigo meu chamado Kafka…
Ainda o livreiro não tinha terminado a frase e já o cliente meio apavorado fugia porta fora.

O Poeta em Casa

Era uma vez um poeta
De mão forte
E abraço que espera

PEDRO BRANCO
Irá partilhar connosco
Os seus poemas e canções

Vamos deixar-nos aquecer
Criar sonhos
Voar
SER!

Dia 29 de Junho, às 22.00 horas, na livraria Pó dos Livros.

Entrada Livre.

sexta-feira, junho 21

Poesia ao final da tarde

Segunda-feira, 24 de Junho, às 18h00, na Pó dos livros, será apresentado o mais recente livro de poesia de Maria do Sameiro Barroso, edição Labirinto. Apresentação por Teresa Rita Lopes e leitura de poemas por Gisela Ramos Rosa e Teresa Dias Furtado.


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quinta-feira, junho 20

Chet Baker Pensa na Sua Arte



É meia-noite, em fundo toca a Bela Lugosi's Dead, do grupo Nouvelle Vague, e nem sequer a música me impede de pensar nessa realidade «bárbara, brutal, muda, sem significado, das coisas» de que falava Ortega. Olho pela janela e vejo a vida inerte, e parece-me que esse tipo de realidade bárbara e muda é especialmente percebida hoje por quem - como já Musil pensava - acha que no mundo não existe já a simplicidade inerente à ordem narrativa, essa ordem simples que consiste em poder dizer às vezes: «Depois de aquilo ter acontecido aconteceu isto, e depois aconteceu outra coisa, etecetera».
Tranquiliza-nos a simples sequência, a ilusória sucessão de factos.

título: Chet Baker Pensa na Sua Arte
autor: Enrique Vila-Matas
edição: Teodolito, 2013
tradução: Miranda das Neves
n.º pág.: 132
formato: 16x23.5cm (in-8.º)
capa: ---
isbn: 9789898580139
pvp: 12.00€

quarta-feira, junho 19

Convite

Hoje, 20 de Junho, às 18h00, realiza-se na Pó dos livros o lançamento do livro de Álvaro Cordeiro Nós, Vida, edição Livros de Ontem.

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sábado, junho 15

Biblioteca pessoal



A biblioteca pessoal é uma espécie de espelho do que somos, como uma segunda pele, impressão digital única que nos distingue dos outros. Não há duas bibliotecas iguais. Em geral uma biblioteca pessoal torna-se curta, à medida que o proprietário, curioso, sedento de conhecimento, aumenta a sensação de biblioteca incompleta. A biblioteca pessoal pode ser tão pessoal como a roupa que vestimos, íntima, intransitiva, aparência do que desejamos ser, guardada só para nós como um erário precioso. A biblioteca pessoal não se constrói de um dia para o outro, a não ser que se herde uma, mas aí passa a ser impessoal e é forçoso que a leiamos para fazer dela a nossa biblioteca. Leva anos a construir uma biblioteca, livros e mais livros, sempre poucos, escolhidos a dedo. Uma biblioteca não é uma biblioteca pela quantidade de livros que contém, mas pelo carácter dos livros escritos por quem os outros deixaram o seu nome assinalado e para que, necessariamente, faça jus ao nome de biblioteca. Doutra forma é apenas um amontoado de papel, bibelots coloridos que servem de adorno a uma prateleira qualquer. E quem não entender isto, para quem não tiver sensibilidade nem espírito, basta apenas um mau livro para possuir uma biblioteca folgada.

Livreiro anónimo

quarta-feira, junho 12

Pensamento do dia


«I love being a bookseller, what I cant't stand is the paperwork»

Livreiro anónimo a partir de uma frase de Peter De Vries

sexta-feira, junho 7

Reunião de Bartlebys na Pó dos livros

Amanhã, sábado, 8 de Junho, às 16h30, venha à Pó dos livros reunir-se com os Bartlebys. Maria João Cantinho irá apresentar o novo livro de Ricardo Gil Soeiro Bartlebys Reunidos, edição Deriva, e Gisela Ramos Rosa irá ler alguns poemas.


quarta-feira, junho 5

O direito das mulheres

Um cliente nosso amigo traz o filho de 7 anos à livraria. Não é hábito vir com o pai, normalmente, vem com a mãe. Meti conversa com o miúdo e perguntei-lhe pela mãe. A resposta foi, como hei-de explicar, honesta mas ao mesmo tempo…
 - A mamã está doente – responde o miúdo –, e quando a mamã fica doente é o pai que faz de mulher a toda a gente lá em casa. 

Jaime Bulhosa

Livraria preferida de Lisboa



A equipa da Livraria Pó dos livros está orgulhosa do seu trabalho. Na sequência da votação para a Livraria Preferida de Lisboa, no âmbito da iniciativa «Ler Em Todo o Lado», organizada em parceria com a Rede de Bibliotecas Municipais da CML e a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros APEL, a Pó dos Livros conquistou um honroso 2.º Prémio, apenas atrás de uma livraria histórica, com 281 anos de existência, a conhecida Bertrand do Chiado.
Poderão ver os resultados em pormenor neste link da página da APEL.  

Obrigado a todos os que nos elegeram.

terça-feira, junho 4

O fenómeno


Vinha com ar apressado, como quem não pode esperar mais, e pergunta:
- Por favor, ainda tem o livro do Humberto Hélder?
O livreiro com toda a calma do mundo e educadamente corrige:
- Talvez queira dizer Herberto Helder?
- Oh! sim… vai dar no mesmo. Quero esse livro das «Certidões».
O livreiro mantém-se concentrado:
- Talvez queira dizer «Servidões»?
- Sim, sim, ainda têm?
- Temos pena, mas esse livro esgotou em poucos dias.
A cliente encolhendo os ombros em sinal de aceitação.
- Sabe, também não era para ler, era só para por umas citações no facebook.