sexta-feira, novembro 29

A Inspecção-Geral das Actividades Culturais dá razão aos livreiros independentes

Na sequência da queixa enviada ao IGAC (Inspecção-Geral das Actividades Culturais), no passado dia 20 de Novembro, efectuada pelos livreiros independentes sobre as campanhas de Natal praticadas pela cadeias de livrarias Bertrand e lojas FNAC, denunciando a violação da lei do preço fixo, segue a resposta positiva do IGAC às pretensões dos livreiros independentes:


Exmos. Senhores

Encarrega-me o Sr. Inspetor-geral das Atividades Culturais de dar a conhecer a V. Exas. que na sequência da denúncia formulada foi efetuado o apuramentos dos factos denunciados, tendo-se concluído pela respetiva pertinência. Nesse sentido, foi levantado procedimento em conformidade, encontrando-se o processo a correr os seus termos. 

Agradecendo toda a colaboração, sublinha-se, por último, que a denúncia de situações que contenham indícios da prática de violação à Lei do Preço Fixo é muito importante e constitui um instrumento útil às ações de fiscalização empreendidas neste domínio.


Atenciosamente

Isabel Mileu
Chefe de Equipa da Equipa Multidisciplinar
de Direito de Autor e Recintos de Espetáculos (EMDARE)
isabel.mileu@igac.pt

INSPEÇÃO-GERAL DAS ATIVIDADES CULTURAIS
Palácio Foz, Praça dos Restauradores - Apartado 2616, 1116 - 802 Lisboa
Tel: 351 21 321 25 00 Fax: 351 21 321 25 66 E-mail: igacgeral@igac.pt www.igac.pt 

segunda-feira, novembro 25

Afinal como tirar o pó dos livros?

(clique sobre a imagem para ampliar)

"Afinal, como tirar o pó dos livros?
Acordamos com quem lemos?
Dostoievski, Stefan Zweig, os leitores e o dia a dia"

O mote está lançado: Na próxima Quita-feira, às 18h00, na Pó dos livros, por ocasião da edição do caderno Fantasma Útil, de Fernanda Cunha, Pedro Castro Henriques e João Eduardo Ferreira, edição Apenas, os autores estarão à conversa com os escritores Mário de Carvalho e Rui Cardoso Martins. 
Firmino Bernardo lerá excertos do livro.

sexta-feira, novembro 22

É proibido, mas pode-se fazer!

Este Comunicado do Grupo Bertrand sobre as campanhas de Natal e a violação da lei do preço fixo do livro, faz lembrar este scketche do Gato Fedorento:
  

Amanhã, Sábado, na Pó dos livros

(clique sobre a imagem para ampliar)

No próximo Sábado, 23 de Novembro, às 16h00, realiza-se na Pó dos livros a apresentação do livro Pretérito Perfeito, de Raquel Serejo Martins, edição Estampa. A apresentar o livro estará a escritora Patrícia Reis.

Campanhas


Depois desta notícia: Livreiros independentes apresentam queixa contra redes FNAC e Bertrand. Fiquei a pensar… se o objectivo, imbuído de espírito natalício, destas grandes cadeias é disponibilizar livros a preço acessível, para toda a gente, porque é que não fizeram, neste início de ano lectivo, uma campanha com 25% de desconto sobre todos os livros escolares? Esta até eu apoiava!»

Livreiro anónimo

quarta-feira, novembro 20

Livrarias independentes denunciam violação em grande escala da Lei do Preço Fixo


Estão a decorrer na Fnac e nas livrarias Bertrand, os dois maiores canais de venda de livros em Portugal, duas campanhas de Natal que violam a Lei do Preço Fixo do livro. Estas campanhas decorrem em plena época natalícia e abrangem as novidades editoriais. Trata-se de um ataque sem precedentes, denunciam os livreiros independentes à Inspecção-Geral das Actividades Culturais (entidade responsável pela fiscalização do cumprimento da Lei do Preço Fixo).

Segue o texto de denúncia enviado ao IGAC:

Assunto: Denúncia sobre Violação da Lei do Preço Fixo

Para: Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC)

De:
Livraria 100ª Página - (Braga)
Livraria A das Artes - (Sines)
Livraria Apolo 70 - (Lisboa)
Livraria Arquivo - (Leiria)
Livraria Boa Leitura - (Leiria)
Livraria Contra Capa - (Castro-Verde)
Livraria Culsete - (Setúbal)
Livraria e Papelaria Espaço - (Algés)
Livraria Esperança - (Funchal)
Livraria Ferin (Lisboa)
Livraria Fonte de Letras - (Évora)
Livraria Fundamentos - (Braga)
Livraria Galileu - (Cascais)
Livraria Lello - (Porto)
Livraria Ler Devagar - (Lisboa)
Livraria Letra Livre - (Lisboa)
Livraria Letraria - (Miraflores)
Livraria Livro do Dia – (Torres-Vedras)
Livraria A Nazareth - (Évora)
Livraria Palavra de Viajante - (Lisboa)
Livraria Pinto dos Santos  - (Guimarães)
Livraria Poetria (Porto)
Livraria Pó dos Livros - (Lisboa)
Livraria Solmar (São Miguel Açores)
Livraria Traga-Mundos- (Vila-Real)
Livraria Unicepe -(Porto)


Preâmbulo:

O livro tem sido o instrumento privilegiado de natureza cultural e educativa propiciador da formação das pessoas. Esta função eminente permitiu sempre que ao livro não se aplicassem, de um modo redutor e simplista, as regras normais vigentes e adequadas ao comum produto económico. A nossa civilização tem considerado como prioridade cultural a possibilidade de o livro ser objecto de fruição pelos indivíduos, de um modo geral, o que, entre outras coisas, implica a necessidade de colocar o referido bem à livre e fácil disposição do público, em qualquer parte do território nacional. A manutenção deste objectivo determina a existência de uma rede, densa e diversificada, de livrarias, considerados os espaços aptos para satisfazer as reias necessidades culturais da população portuguesa neste domínio. Nos últimos anos, em consequência de vicissitudes várias da economia da organização do mercado do livro, muitas livrarias encerraram a sua actividade, num movimento que se tem verificado também nalguns países europeus. Esta situação, negativa e preocupante, impõe a criação de medidas disciplinadoras e de incentivo, de modo a corrigir-se as detectadas disfuncionalidades do mercado do livro e a garantir aos seus agentes condições de actuação mais equitativas e proveitosas para o interesse geral.
Neste sentido, na esteira da melhor experiência europeia, designadamente de países como a Espanha, a França, a Alemanha, a Áustria, a Irlanda e a Dinamarca, e acolhendo a recomendação adoptada pelo Parlamento Europeu, em Janeiro de 1994, constante do programa comunitário Gutemberg, Portugal, mediante o presente diploma, instaura o sistema do preço fixo do livro. Trata-se de uma das medidas fundamentais de correcção das anomalias verificadas no mercado do livro, susceptível de, a prazo, criar condições para a revitalização do sector, um dos aspectos marcantes da prossecução de uma política cultural visando o desenvolvimento nos domínios do livro e da leitura.

Assim e de acordo com as campanhas em realização pelas redes de Livrarias Bertrand e lojas FNAC, exercidas nos seguintes moldes:


Livrarias Bertrand
De 14 de Novembro a 31 de Dezembro, as Livrarias Bertrand realizam uma forte campanha de Natal, com o objectivo assumido de colocar o livro como primeira referência nas compras deste fim de ano. Assim, vão oferecer 25% de desconto em 10000 livros em cartão Leitor Bertrand em todas as compras, incluindo novidades.

FNAC
A Campanha de Natal Fnac 2013, a decorrer de 14 Novembro a 24 Dezembro, com uma mecânica de  multicompra (multifornecedor) de Leve 4 livros e Pague 3, incluindo as novidades.
Esta promoção abrangerá, nas  lojas, todos os livros de literatura adulto e todas as temáticas de infantil, em língua portuguesa. Na loja online, abrangerá todo o catálogo disponível de cada editor participante. Nas lojas, poderá ainda ser considerada a inclusão de títulos pontuais, fora das temáticas trabalhadas.

A exposição desta campanha de multicompra será feita nas entradas de loja e nas salas de literatura e kids que estarão devidamente decoradas para o efeito.
Esta acção terá um forte plano de divulgação nos meios de comunicação social e será contracapa da  Publicação de Natal.



Consideramos uma violação à Lei do Preço Fixo, nomeadamente, nos seus Artigos n.ºs 4, 11 e 14.

Desta forma gostaríamos de solicitar à vossa entidade a fiscalização imediata das campanhas referidas para o bem da diversidade cultural e da concorrência saudável entre os diversos agentes económicos do livro.


Sem outro assunto os nossos melhores cumprimentos,


Livrarias Independentes

Contactos:

Jaime Bulhosa
(Pó dos Livros)

José Pinho
(Ler Devagar)

segunda-feira, novembro 18

Sequela


O mundo das livrarias é tudo menos aborrecido. Por vezes, ser livreiro é a melhor profissão do mundo.

Cliente: Por favor, gostaria de ter a sequela de Anne Frank?
Livreiro: ?...
Cliente: Sabe?... gostei muito do seu primeiro livro.
Livreiro: Do Diário?
Cliente: Sim, do Diário.
Livreiro: Mas o Diário não é ficção.
Cliente: A sério? não me diga!
Livreiro Sim… Ela de facto morre. É por isso que o diário acaba. Ela foi levada para um campo de concentração.
Cliente: Oh… isso é terrível!
Livreiro: Sim, foi uma grande perda.
Cliente: Tenho mesmo pena, ela era tão boa escritora.

quarta-feira, novembro 13

Inteligência canina


Ouvi à frente da livraria um ganir de cachorro, dirigi-me lá fora para ver o que se passava. Vi um homem a chicotear um cão com trela sem motivo aparente. O animal estava aterrorizado de orelhas baixas, olhos tristes e cauda entre as pernas. Resolvi perguntar ao homem porque maltratava o bicho. A resposta foi desconcertante:

- O animal não tem inteligência e por isso não sofre e para além do mais, o que é que você tem a ver com isso?

Depois disto seguiu caminho puxando o cão violentamente. Não pude fazer nada. No entanto, socorro-me de uma história da literatura que serve bem de exemplo para o que quero dizer:

A história é famosa e prolonga-se ao longo dos séculos, contada tanto por Plutarco como por Plínio: um cão segue o dono com o faro, passados uns quilómetros, perde momentaneamente o rasto e chega a uma encruzilhada na estrada onde tem de escolher entre três caminhos. Correu ao longo do caminho da esquerda, a farejar, parou, e voltou ao ponto de partida. Seguiu pelo caminho do meio, durante um certo troço, sempre a farejar, até que voltou para trás de novo. Por fim, já sem farejar, meteu-se alegremente pelo caminho da direita.
Montaigne, comentando esta história, afirmou que ela mostrava com clareza o raciocínio silogístico canino: o meu dono foi por um destes caminhos. Não é do da esquerda; não é o do meio; por conseguinte, tem de ser o da direita. Não tenho necessidade de confirmar esta conclusão com o faro, pois ela decorre da mais estrita lógica.
A possibilidade de existir nos animais um raciocínio deste tipo, embora talvez menos articulado de forma menos clara, era perturbadora para muitas pessoas e pelos vistos continua a ser.

Jaime Bulhosa

segunda-feira, novembro 11

Os Labirintos da Água




Três magníficos trabalhos de Diniz Conefrey a partir de três textos de Herberto Helder:

AQUELE QUE DÁ A VIDA
adaptação a partir de Os Passos em Volta

(uma ilha em sketches)
Texto integral e adaptação a partir de Photomaton & Vox

Separador: Excerto do texto Sonhos incluído no livro Os Passos em Volta

A MÁQUINA DE EMARANHAR PAISAGENS
Adaptação a partir de Poesia Toda

Separador: Excerto do poema Última Ciência incluído no livro Ofício Cantante


"Um dia há a fome. Não essa habitual fome surda e continuada, a básica fome da ilha - estilo central com suas tréguas que empenham de novo o homem no acto de viver. Há a fome extrema.
Então as mulheres saem das casas e atravessam os caminhos em grupos mudos. Têm as caras das pessoas velhas embora algumas sejam ainda mulheres jovens. O seu passo é incerto, porque saem pouco. Estão desesperadas e dirigem-se às autoridades da ilha. Caminham num passo sem jeito, vestidas de negro, com aquele pensamento femininamente feroz do pão, a determinação de fêmeas ameaçadas nos fundamentos da vida. É uma fome imediata, um pouco sem dignidade. Não atinge a forma de ideia, uma expressão de silêncio sombrio. É uma fome-fêmea, e por isso será remediada.
Os homens estão deitados na praia, e ir às autoridades é a última coisa, a coisa desesperada, convincente, brutal e eficaz que pertence às mulheres. Esse alarde a que não falta malícia não é dos homens. O orgulho inútil é que é dos homens. Ficam na mesma posição, olhando para o mundo. E, nesse orgulho imóvel de que extraem não se sabe que confusa justificação, sentem toda a fome por todas as partes do corpo. É uma fome-macho, e por isso não seria remediada se a seu lado não se tivesse desenvolvido, com toda a ignóbil e engenhosa energia, a fome das mulheres. É a salvação.
As autoridades redigem um apelo às ilhas vizinhas, mais férteis, e depois chega um barco com farinha de milho e barricas de carne seca." 
(Herberto Helder)

título: Os Labirintos da água
autor: Diniz Conefrey / adaptação de três textos de Herberto Helder
edição: Quarto de Jade, 2013
capa: Diniz Conefrey
isbn: 9789899726727
pvp: 18.00€

quinta-feira, novembro 7

Amanhã na Pó dos livros


Amanhã, 8 de Novembro, às 18h30, realiza-se na Pó dos livros a  apresentação do livro “Entre Estruturas e Agentes: Padrões e Práticas de Consumo em Portugal Continental”, de Isabel Silva Cruz,  Edições Afrontamento. O livro será apresentado por António Firmino da Costa.

Pandemónio


A Sociedade actual está-se borrifando para a felicidade do indivíduo, ou seja, está-se nas tintas para cada um de nós. A Sociedade actual apenas se preocupa se somos ou não somos um bom consumidor ou um bom vendedor. Se comprarmos ou vendermos muito somos bem tratados, se não comprarmos ou não vendermos somos uns indigentes. Não sei como é noutras áreas, mas calculo que seja igual ao mercado dos livros. Vivemos num Pandemónio, isto é, um conluio de indivíduos para fazer mal ou armar desordens; o inferno; tumulto; balbúrdia e coisas semelhantes, pandemónio é uma palavra inventada pelo famoso poeta inglês  John Milton em seu grande poema «O Paraíso Perdido». Aliás, ele escrevia «Pandemomium», com maiúscula, e no seu poema tal lugar é o Palácio dos Diabos, ou a capital do Inferno.

Livreiro anónimo