sexta-feira, dezembro 20

Feliz Natal artesanal


Postais Lebres + papoilas, pintados à mão
(agora na Pó dos livros)

Este fim de semana é de compras e a livraria Pó dos livros está aberta


Fotografia de Jorge F. Marques, da série A place where I can hide
(agora na Pó dos livros)

No natal vale tudo



Rapaz: Mãe, mãe, compras-me este livro?
Mulher: Vai lá perguntar ao teu pai  se o compra.
Rapaz: Pai!, pai!... a mãe diz se tu não me comprares este livro, não vais poder dormir na cama dela esta noite!

quinta-feira, dezembro 19

Natal Surrealista

Este Natal seja original, ofereça(-se) um Curso de Surrealismo Português, aqui, na Pó dos livros.

Vamos ter Cesariny, Pacheco, O'Neill, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa e outros. Vamos ter surrealismos e dadaísmos e outros ismos inventados por nós. Vamos conviver surrealisticamente. Vamos pensar surrealisticamente. Vamos surrealisticar. Podem vir a horas ou chegar atrasados. Podem vir ao contrário. Podem não vir.





«A actividade surrealista não é uma simples purga seguida de um dia de descanso a caldos de galinha, mas revolta permanente contra a estabilidade e cristalização das coisas.»

António Maria Lisboa

Curso em 4 sessões, 4.ªs feiras de janeiro de 2014, às 21h, na Livraria Pó dos Livros.
Iscrições: 35€  podoslivros@gmail.com tel: 21 795 93 39

Com Rosa Azevedo: nasceu em 1982 em Lisboa. Terminou em 2004 a licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, maior em variante de estudos portugueses, franceses e menor em Literaturas do Mundo, em 2008 o mestrado em Edição de Texto. Tem realizado desde 2007 diversos cursos de literatura portuguesa e hispano-americana, para além de outros trabalhos de produção ligados à literatura, nomeadamente na área do surrealismo e dos novos autores portugueses. Fundou e foi presidente da Associação Cultural Respigarte. Foi livreira e hoje é produtora, formadora, revisora e dinamizadora e divulgadora da área dos livros.

Alexandre O'Neill (19/12/1924 - 21/08/1986)




AUTO-RETRATO


O’Neill (Alexandre), moreno português,
cabelo asa de corvo; da angústia da cara,
nariguete que sobrepuja de través
a ferida desdenhosa e não cicatrizada.
Se a visagem de tal sujeito é o que vês
(omita-se o olho triste e a testa iluminada)
o retrato moral também tem os seus quês
(aqui, uma pequena frase censurada..)
No amor? No amor crê (ou não fosse ele O’Neill!)
e tem a veleidade de o saber fazer
(pois amor não há feito) das maneiras mil
que são a semovente estátua do prazer.
Mas sofre de ternura, bebe de mais e ri-se
do que neste soneto sobre si mesmo disse…

Alexandre O'Neill 

terça-feira, dezembro 17

Pai uma história de Natal para adormecer, vá lá, vá lá!

Novos tempos


Cliente: Por acaso não tem um exemplar de Mário de Carvalho, «Quando o Diabo Reza»? Não o encontro nas prateleiras.
Livreiro: Infelizmente não temos de momento, mas podemos encomendá-lo e estará cá dentro de 24 horas. Também o podemos enviar por correio.
Cliente: Já não confio nos CTT. Não pode antes digitalizá-lo e enviá-lo por e-mail?

sábado, dezembro 14

Gigantes e anões


Para quem gosta de livros, viver no meio deles é um privilégio, seja como escritor, editor, livreiro, leitor, etc. Não me queixo da minha sorte, faço exactamente o que gosto. Todavia, já desfrutei mais com o que faço, ou melhor, já gostei mais do negócio dos livros. Num passado recente a relação que existia entre os vários agentes do livro era mais equilibrada, o mercado era mais distribuído, homogéneo, não importava tanto ser grande ou pequeno, mais forte ou mais fraco. Eu acreditava que no mercado ninguém se considerava acima da lei, e que ninguém fora dele podia impor leis que o mercado fosse forçado a reconhecer, pois seja qual for a constituição de um mercado, se houver uma só empresa que não esteja submetida à lei, todas as outras estarão necessariamente à mercê dessa empresa.
O nosso mercado do livro não é hoje muito diferente ao de outros países, o que aconteceu lá fora, aconteceu cá dentro mas para pior, isto é, transformou-se praticamente num oligopólio, tanto a nível do retalho como a nível editorial, onde a maior parte das médias e familiares editoras passaram a ser meras chancelas editoriais. Existem actualmente em Portugal duas grandes empresas editoriais, a Porto Editora e a Leya. No retalho a realidade não é muito diferente, existem os hipermercados – de onde se destaca a Sonae –, a enorme cadeia de livrarias Bertrand – pertencente ao grupo da Porto Editora – e um gigante chamado FNAC. Tudo o resto são duas ou três médias empresas, outras tantas pequenas e um punhado de micro empresas que vivem sob as regras e o jugo das grandes. E o resultado é este: quando um gigante e um anão caminham na mesma estrada, em cada passada que dão o gigante ganha nova vantagem.

É necessário entender que quem marca o preço dos livros são os editores que muitas vezes os aumentam artificialmente para alimentar campanhas de descontos que as grandes cadeias exigem aos editores. Estes não têm outra hipótese se não ceder porque, precisamente, ficaram sem os livreiros independentes para venderem os seus livros mais baratos, ou seja, ficaram dependentes de três clientes. Por outro lado, os livreiros independentes que ainda existem não têm poder de negociação para pedir aos editoras as mesmas margens que dão aos grandes grupos. Para terem uma ideia a margem de um pequeno livreiro é de 30% em média, enquanto a margem de uma Bertrand, Fnac ou Hiper ronda entre os 50 e 60% e por vezes mais. Agora digam-me se isto é justo e equatitativo? Mais, os grandes grupos nem sequer respeitam a lei do preço fixo que foi feita para evitar este desequilíbrio. E agora pergunta o leitor e com pertinência: se os editores tem tanta margem para dar, por que razão são os livros tão caros? Eu respondo: para além das pequenas tiragens (que faz aumentar o preço por exemplar) e de um pequeno país com fracos índices de leitura, o consumidor não resiste a um grande cartaz a dizer: "descontos espectaculares!" E no fim quem paga é o consumidor, isto é, o leitor ingénuo e crente que lhes estão a dar alguma coisa de graça.

Editam-se actualmente, no mundo, milhões de títulos por ano, e em Portugal milhares, tantos que eu teria que construir uma nova livraria a cada ano, só para conseguir arrumar todos livros saídos apenas em Portugal. Dou-vos uma imagem mais clara: imaginem todos os títulos editados no mundo, deitados uns a seguir aos outros sobre a linha do equador, eles são tantos que dariam para dar centenas de voltas ao planeta. É por isso, que fico sempre assombrado de cada vez que entra um cliente à procura de um livro, na imensidade de livros que existem, e fica muito escandalizado, irritado, quando não o encontra, imediatamente, o que pretende. Porém, é exactamente essa uma das funções de um livreiro, tentar adivinhar os livros que os seus clientes procuram, nem sempre é fácil, no entanto, acho que o fazemos razoavelmente bem, tendo em conta a dimensão em que nos movemos.
Posto isto, será que o aumento exponencial de livros e o tipo de títulos que hoje se editam é benéfico para a diversidade cultural, ideias novas, qualidade e liberdade de escolha do público leitor? Para vos responder a esta questão deixo-vos com uma passagem do livro «Negócios dos Livros», de André Sciffrin, Letra Livre:

As mudanças no meio editorial […] mostram a aplicação da teoria do mercado à disseminação da cultura. Os proprietários das editoras têm vindo a «racionalizar as suas actividades», seguindo o padrão das políticas pró-empresariais de Ronald Reagan e de Margaret Thatcher. O mercado, segundo se defende, é como que uma democracia ideal. Não cabe à elites a imposição dos seus valores sobre os leitores, dizem as editoras, o público é que deve escolher aquilo que deseja – e se o que deseja é cada vez  mais massificado e de alcance limitado, então que assim seja. O aumento dos lucros é a prova de que o mercado está a funcionar como devia.
Tradicionalmente, as ideias estavam isentas das habituais expectativas de lucro. Admitia-se, com frequência, que os livros que apresentassem novas abordagens e teorias diferentes fariam naturalmente perder dinheiro, logo à partida. A expressão «mercado livre de ideias» não se refere ao valor de mercado de cada ideia. Pelo contrário, significa que ideias de toda a espécie deveriam ter uma oportunidade de sair a público, de serem explicitadas e argumentadas até ao fim, e não de forma truncada.
Durante boa parte do século XX, o mercado de edição e venda de livros foi, no seu todo, visto como uma operação no limiar da rentabilidade. Os lucros viriam assim que os livros chegassem a um público mais amplo através da venda de «paperbacks» e dos clubes do livro. E se isto é exacto para a não-ficção, tanto mais para a literatura. Era esperado que um romance de estreia perdesse dinheiro (e de muitos autores já se disse terem escrito muitos romances de estreia). Todavia, sempre houve editoras que consideravam que a edição de novos romancistas devia constituir uma parte importante do conjunto da sua produção.
Novas ideias e novos autores demoram a ser aceites. Podem passar vários anos até que um escritor encontre um número de leitores que seja significativo a ponto de justificar os custos da publicação do seu livro. Mesmo a longo prazo, o mercado não pode ser considerado um juiz adequado para o valor de uma ideia, como provam, de forma óbvia, as centenas ou até milhares de livros que nunca fizeram dinheiro. Assim, toda esta nova abordagem – a decisão de publicar apenas os livros que podem trazer lucro imediato – elimina automaticamente dos catálogos um vasto número de obras de relevo.


Jaime Bulhosa

sexta-feira, dezembro 13

Alguma coisa está mal?


Os leitores queixam-se de que os livros estão caros e de que as livrarias não têm o que procuram. Os livreiros queixam-se de que não vendem porque há novidades a mais e por isso não podem ter tudo e de que a concorrência é desleal. Os editores queixam-se do mesmo e de que não vendem o suficiente, porque colocar os livros nas montras e sustentar campanhas de descontos absurdos, das grandes livrarias, custa muito caro e por isso têm os armazéns cheios de livros. Os autores queixam-se de que as suas obras não estão expostas nas livrarias e de que o marketing feito pelas editoras não é suficiente na promoção dos seus livros. Os críticos literários queixam-se de que os livros são todos iguais e de má qualidade. Os livreiros queixam-se de que os editores não têm critério nem perspectiva de futuro. Os editores queixam-se de que os livreiros são incompetentes. Os autores queixam-se de ser mal pagos pelo seu trabalho. Os tradutores queixam-se de não ter trabalho. Os revisores queixam-se do acordo ortográfico. Os ilustradores queixam-se de que as capas são só Photoshop. As gráficas queixam-se de que não lhes pagam. Enfim, toda a gente se queixa neste mercado. Pergunto: se todos se queixam, não será porque alguma coisa está mal?

Jaime Bulhosa

quinta-feira, dezembro 12

Macacos


Cliente: Você sabe aquilo que dizem os matemáticos e cientistas de que se dermos a cem macacos uma máquina de escrever, mais cedo ou mais tarde, eles escreverão uma grande obra? 
Livreiro: Sim... 
Cliente: Bem, tem algum desses livros escritos por macacos? 
Livreiro: Claro! Desses livros é o que mais se edita hoje em dia!

quarta-feira, dezembro 11

O fim das livrarias independentes é mau para quem?


Há quem diga que sempre que uma livraria fecha é como queimar, livro após livro, lentamente numa pequena fogueira. Seguindo a metáfora, estes últimos anos têm sido de autênticos incêndios. Desde o ano de 2007 fecharam em Portugal quase cem livrarias e algumas delas históricas. É um facto incontornável, se nada se fizer, que as livrarias independentes têm os dias contados, sobreviverão umas poucas especializadas e em locais privilegiados. E porquê? Não me venham com a história de que todas eram mal geridas ou que não se adaptaram aos novos tempos, às novas formas de marketing, etc, etc. É uma realidade que os novos suportes digitais do livro e a venda por internet têm afastado muitos clientes das livrarias. Mas, no entanto, para dizer a verdade, a razão principal para que as livrarias fechem em catadupa passa sobretudo por um mercado que se tornou selvagem, sem regras ou regido pela lei do mais forte, a caminho de um monopólio. A concorrência entre os vários agentes do livro é completamente desleal, injusta e contraproducente para a liberdade de escolha, para a diversidade cultural e para o futuro do próprio mercado. Um país sem livrarias heterogéneas, diferentes na oferta, diferentes no serviço, diferentes no gosto, é um país mais pobre, menos plural e menos democrático. O mercado do livro é como uma cadeia alimentar, quando desaparecer a presa mais fraca, mais tarde ou mais cedo desaparecerão os predadores de topo.    

Jaime Bulhosa

A tua família é a melhor do mundo?

(clique na imagem para ampliar)

No próximo Sábado, 14 de Dezembro, às 16h00, teremos na Pó dos livros o lançamento do livro infantil A minha Família é a melhor do mundo. E a tua?, de Joana Miranda e Sofia Neves, com ilustrações de Luís Romano, edição Fonte da Palavra. Miguel Vale de Almeida fará a apresentação.

terça-feira, dezembro 10

Domingo, na Pó dos livros


(clique sobre a imagem para ampliar)

Por razões alheias à Pó dos Livros este lançamento fica anulado e. Aguardar nova data a marcar. 

No próximo Domingo, 15 de Dezembro, às 16h00, na Pó dos livros, realizar-se-á o lançamento do livro de poesia Os Selos da Rosa, de Ana Pinto, edição Castália. A apresentação estará a cargo de Maria Teresa Dias Furtado. Poemas ditos por João Completo.

quinta-feira, dezembro 5

Providência Cautelar contra Livrarias Bertrand e Lojas FNAC


Na sequência da queixa enviada ao IGAC (Inspecção-Geral das Actividades Culturais), no passado dia 20 de Novembro, efectuada pelos livreiros independentes, sobre as campanhas de Natal praticadas pela cadeias de livrarias Bertrand e lojas FNAC, denunciando a violação da lei do preço fixo, As Livrarias Independentes confirmam a entrada no Tribunal Cível de Lisboa de uma Providência Cautelar com intuito de parar as referidas e ilegais campanhas de Natal.

terça-feira, dezembro 3

Pop-up


Cliente: Por favor, têm algum livro de Educação Sexual em 3D?