terça-feira, março 18

CURSO DE POESIA PORTUGUESA MODERNA E CONTEMPORÂNEA


Federico Garcia Lorca

ABRIL-JULHO DE 2014

por
 António Carlos Cortez


(Lisboa, 1976). Professor de Literatura Portuguesa.
Poeta, crítico e ensaísta. Colaborador permanente do Jornal de Letras
e de revistas da especialidade (Colóquio-Letras e Relâmpago).
Publicou sete livros de poesia, o último dos quais na Relógio d'Água,
intitulado «O Nome Negro».


No quadro de evolução das formas poéticas em Portugal, a segunda metade do século XX é um dos momentos mais ricos no que diz respeito à criação literária.
De Pessoa a Jorge de Sena, passando por Sophia de Mello Breyner Andresen e Eugénio de Andrade, sem esquecer Cesariny e Alexandre O’Neill, até obras como as de Fiama Hasse Pais Brandão, Luíza Neto Jorge ou Gastão Cruz, não sofre contestação que há dois momentos definidores desse percurso moderno e contemporâneo na nossa poesia.
Um primeiro momento, que vai de 1915 a 1935 e abrange o Modernismo e movimentos adjacentes, com suas revistas (Orpheu, Athena, Centauro, Presença, entre outras publicações), e suas figuras de proa (Pessoa, Sá-Carneiro, Almada, até chegarmos a Vitorino Nemésio, fundador da Revista de Portugal). Todavia, esse primeiro momento não pode ser compreendido sem recuarmos às experiências finisseculares e muito em particular às poéticas de Cesário, António Nobre e Camilo Pessanha.
Um segundo momento da nossa contemporaneidade poética abarca sensivelmente as seguintes datas: de 1958, ano em que se estreiam Ramos Rosa e Herberto Helder, até 1970, ano em que Fiama Hasse Pais Brandão edita (Este) Rosto.
A década de 60 surge-nos, pois, como um lapso de tempo fecundo em que poetas de gerações anteriores, nomeadamente os que se lançaram em livro na década de 40 (Sena, com Perseguição, em 1942, Carlos de Oliveira, editando Turismo, igualmente em ‘42, Sophia, com Poesia em 1944, Cesariny em 1947, via Surrealismo, Eugénio de Andrade em 1948...) estão activos e alcançam fortuna crítica, determinando um olhar sobre o Modernismo, agora visto como já sendo «clássico». Os mais jovens dessa década de 60 – com relevância para os poetas de «Poesia 61» e outros como Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho ou Ana Hatherly, reinterpretam, adequam ou de algum modo revivem certa aventura órfica... A aventura da linguagem, a aventura da palavra em constante estado de invenção.
Com o fito de interelacionar esses tempos poéticos – o oitocentista, o modernista e os anos sessenta – este curso dirige-se a investigadores, professores, alunos dos ensinos Secundário ou Universitário, e demais comunidade leitora. O curso contará com a presença de alguns convidados em determinadas sessões.


A PÓ DOS LIVROS, celebrando também os 40 ANOS DO 25 DE ABRIL, convida todos os interessados a frequentar este TEMPO DE POESIA, cujas sessões seguem abaixo sumariadas, as quais decorrerão sempre entre as 18.00 e as 19.30, às Quartas-feiras.

Inscrições: 45.00€ (para todas as sessões)
Tel: 21 795 93 39
Avenida Marquês de Tomar n.º89
1050-154 Lisboa
e-mail:podoslivros@gmail.com



2 de Abril: 1ª sessão:

CESÁRIO VERDE, «PINTOR NASCIDO POETA»

Cesário Verde: temas e linguagem. A épica breve: «O Sentimento dum Ocidental», coordenadas de leitura, processos retóricos, a estilística e a novidade da poesia de Cesário.

9 de Abril: 2ª sessão:

ANTÓNIO NOBRE: «LUSITÂNIA NO BAIRRO LATINO», leitura metódica. Figuração do poeta em António Nobre; coloquialismo e heteronímia, hipóteses de leitura. Organização estrófica, rigor frásico e métrico, visões do real sob a óptica do decadentismo.

16 de Abril: 3ª Sessão:

CAMILO PESSANHA: Clepsydra (1920). História de um livro, estrutura dos textos. Simbolismo, importância da visão refractada do real, releitura de alguns poemas: «Inscrição», «Tenho sonhos cruéis: n’alma doente», «Passou o Outono já, já torna o frio...» e «Chorai arcadas». A lei das correspondências, a importância da imagem e da metáfora. Os símbolos.

 23 de Abril: 4ª Sessão:
FERNANDO PESSOA: HETERONÍMIA E FICÇÃO LITERÁRIA, COMO LER?

Abordagem geral sobre a poética pessoana. Leitura e análise de quatro poemas do ortónimo: «Ao longe ao luar», Autopsicografia» «Isto» e «A morte é a curva da estrada». Fingimento, auto-conhecimento e poesia. Tradição dramática e o poeta como figurador/encenador. Os heterónimos como criação de estilos. O efeito da assinatura.

30 de Abril: 5ª Sessão:
FERNANDO PESSOA E ALBERTO CAEIRO

Entre o que se diz que é e o que se escreve: coordenadas de leitura de Caeiro, o Mestre. O bucolismo como hipótese falhada da poesia na modernidade. O funcionamentop do «como se» em alguns fragmentos de «O Guardador de Rebanhos».

7 de Maio: 6ª sessão:
FERNANDO PESSOA E RICARDO REIS, RESPONDENDO A CAMPOS – DIÁOLOGOS SOBRE O MESTRE

Releitura de «Ode Triunfal» (ou o anti-triunfalismo de uma ode) e de duas odes de Reis: «Para ser grande sê inteiro» e «Quando, Lídia, vier o nosso Outono». Diferenças de linguagem, de visões do mundo e de poética.

14 de Maio: 7.ª sessão
MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO, CONTINUADOR DE NOBRE?

Releitura de «Álcool» e de «A Queda». Imagens do poeta em Sá-Carneiro; interseccionismo e simbolismo; o poema como perfeição formal e o poeta como cinzelador. Morte e suicídio, ficção literária e razão de ser desta poesia.

21 de Maio: 8.ª sessão

DE ALMADA NEGREIROS A VITORINO NEMÉSIO, SÍNTESE DE UM PERÍODO PÓS-ORPHEU - «ORPHEU NÃO MORREU, ORPHEU CONTINUA». Revistas literárias. Com a presença do Professor Fernando J. B. Martinho.

28 de Maio: 9.ª sessão
SOBRE JORGE DE SENA, ALGUNS ASPECTOS DA SUA POESIA E SUA PRESENÇA NA CULTURA PORTUGUESA

Alguns poemas sobre poesia. Poesia como testemunho e luta contra «as evidências». Releitura de um prefácio escrito por Sena sobre o que pretendeu ser a sua poesia. Releitura de dois poemas: «Uma pequenina luz» e «Noutros lugares». Meditação sobre a morte, o amor, a eternidade.

4 de Junho: 10.ª sessão
SOPHIA DE MELLO BREYNER – RIGOR, VEEMÊNCIA, FIDELIDADE À PALAVRA

Coordenadas gerais sobre a obra poética de Sophia: a poesia como ética. Relações com Cesário Verde: a importância do olhar. Leitura do poema «Cesário Verde». Releitura das artes poéticas II e IV. Forma e conteúdo e «No Poema», «Catarina Eufémia» e «A escrita». Verso livre e ritmo.

11 de Junho: 11.ª sessão
CARLOS DE OLIVEIRA: «AS PALAVRAS PESAM»

Para uma abordagem da poesia de Carlos de Oliveira. Os poemas como laboração, reescrita, cristais e cintilações. Leitura e análise de três poemas: «Soneto» («Acusam-me de mágoa e desalento») e de «Soneto» («Rudes e breves as palavras pesam»). Duas fases na poesia de Carlos de Oliveira: do neo-realismo à questão textual. Ainda um poema: «Salto em Altura IV». Convidado: Gastão Cruz

18 de Junho: 12.ª sessão
EUGÉNIO DE ANDRADE: RENTE AO DIZER

A poesia como «erótica verbal»; visões do corpo e da cidade em Eugénio. Figuração do poeta no autor de O Sal da Língua: do «Green God» à voz de «Um Rio te Espera». Fases ou facetas em Eugénio. Rigor métrico, herança popular, oralidade e escrita. Funcionamento da metáfora.

 25 de Junho: 13.ª sessão
MÁRIO DE CESARINY: PARA ALÉM DO SURREALISMO.

Alguns avisos sobre o surrealismo por Mário de Cesariny. Releitura de «O Virgem Negra». Leitura de «Poema podendo servir de posfácio»: automatismo e enumeração caótica e outros processos de escrita.

 2 de Julho: 14.ª sessão
DE ANTÓNIO RAMOS ROSA A HERBERTO HELDER, TANGENTES, ELIPSES E CIRCUNFERÊNCIAS.

Abordagem das poéticas de Ramos Rosa e Herberto Helder: leitura de «E certas palavras», de Ramos Rosa e de «    O Boi da Paciência». Verso livre, realismo e imagem em Ramos Rosa. Leitura de «As Musas Cegas (VII)» e de «a carta da paixão», de H. Helder. Alquimia verbal, magia, torrencialidade e alucinação na poesia. O caso Ana Hatherly. Convidado: Ana Marques Gastão.

9 de Julho: 15.ª sessão
OS ANOS 60: «POESIA 61», O QUE FOI?

Alguns aspectos evolutivos da linguagem poética portuguesa ocorridos nos anos sessenta: Fiama, Luíza Neto Jorge, Gastão Cruz, Maria Teresa Horta e Casimiro de Brito. Alguns poemas e alguma teoria. Realismo, linguagem, revisitação do modernismo? Poemas: «O texto de Joan Zorro»  e «Peregrinação e Catábase», de Fiama; «A porta aporta», «O Poema (I)) e «O Poema Ensina a Cair», de Luíza neto Jorge. Leitura de dois poemas de Gastão Cruz: «Os nomes desses corpos», «Erros» e «Dentro da Vida». As emoções linguísticas. Maria Teresa Horta e o poema como provocação; Casimiro de Brito, à procura de um equilíbrio.

 16 de JULHO: 16.ª sessão
RUY BELO:«SOBRE SINOS E VENTOS SIBILANTES»
Uma hipótese de leitura: interseccionismo e coloquialidade. Passado no presente do futuro: alguns poemas em análise: «Fala de um homem afogado ao largo da Senhora da Guia no dia 31 de Agosto de 1971» e «Poema para Catarina». Temas e processos textuais em Ruy Belo. Uma arte poética: «Um dia não muito longe não muito perto».

23 de Julho: SESSÃO DE ENCERRAMENTO

OUTROS POETAS DE 60 E O ANO DE 1979:
De Armando Silva Carvalho a Luís Miguel Nava: tensões e intenções na poética de 70. Rupturas e continuidades. Franco Alexandre, Helder Moura Pereira e Luís Miguel Nava.

Convidado: Nuno Júdice.

Nenhum comentário: