sexta-feira, junho 26

leitura e o amor romântico


Não sei se é do sol, se é das férias, a verdade é que nesta altura do ano há um aumento substancial pela procura de livros sobre relações românticas. Ainda há pouco, um rapaz na casa dos vinte anos veio em busca de aconselhamento. Queria um livro que o ajudasse a melhorar a sua relação com a namorada - admirei a sua coragem -. Queixava-se ele que discutiam muito, mas que a culpa não era dele. Ela era, simplesmente, uma grande chata! Não me pareceu um bom princípio, nem que entendesse a extrema complexidade da mente do sexo feminino versus a simplicidade e estímulos visuais para que tudo funcione bem com o sexo masculino. Precisava, de facto, de ajuda, por isso aconselhei-o a ler um livro com um título sugestivo: «Um Amor Para Sempre – Estratégias e conselhos para iniciar, manter e enriquecer a sua relação». Ficou bastante entusiasmado e disse-me que era mesmo disso que precisava, porque a amava muito e queria ficar com ela para sempre. Achei bonito! Depois, perguntou-me se lhe alugávamos o livro. Sem dúvida, pensei eu, um caso grave de falta de leitura. Todavia, senti que o estava a enganar. Para «sempre» é coisa que quase nunca sucede numa relação. Enfim, deixai-o sonhar!
Sugiro, então, se estiver loucamente apaixonado e deseja exaltar o seu amor, leia poesia e literatura, pode ser a Ilíada ou a Odisseia. Está tudo lá, todas as experiências e vivências do amor - se bem que qualquer coisa com mais de três páginas pode ser uma estafa para um louco apaixonado -. Eles deviam saber que o estado intenso de paixão leva os homens e as mulheres aos actos mais insanos, como o suicídio ou a guerra. Basta recordar o exemplo da guerra de Tróia. Estarmos apaixonados é como uma cegueira temporária, uma pedrada de heroína ou cocaína. Na prática estamos completamente, drogados ou bêbados. O pior é que é exactamente neste estado que os amantes decidem casar. Ora, ninguém devia ter permissão para celebrar um contrato completamente alcoolizado. Não acham?
Porém, se o seu ardor se acalmou e quer entender a maneira como evoluiu a sua relação, leia psicologia e biologia, depressa vai entender que a paixão é efémera e que não passa de um pouco mais de que um conjunto de reacções químicas no seu cérebro na busca do sexo, prazer e reprodução. Mas se acabou ou pensa acabar brevemente uma relação e está convencido de que vai passar bem sem amor, deve ler filosofia. Quando os filósofos gregos e romanos se apoderaram do amor romântico, em geral ou acabam por desprezá-lo ou por transformá-lo numa coisa completamente diferente. Não há como ler filosofia ocidental para acabar de vez com um casamento.
Em forma de conclusão é verdade que o apego aos outros e as relações podem provocar muita dor e confusão, como está bem demonstrado na frase de Jean Paul Sartre: «o inferno são os outros», mas também podem ser o céu. Digo eu!?.. 

Jaime Bulhosa

2 comentários:

Ana Paula Ribeiro disse...

Que belo texto, que bela reflexão, à volta do amor e dos livros!
Eu cá só sei que já lá vão 30 anos de amor e de leituras!
No nosso caso, a literatura tem contribuído para a longevidade da nossa relação.
Com sua licença vou partilhar...

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